Macapá (AP) — Sábado, 10 de janeiro de 2026
Amapá redefine o futuro com obras, emprego e inclusão
Com a menor taxa de desocupação já registrada (6,9%), o Amapá consolida um mercado de trabalho aquecido e resiliente

O Amapá atravessa, sem sombra de dúvida, um dos capítulos mais luminosos e promissores de sua história contemporânea. O que se observa hoje nas margens do Oiapoque e nas comunidades do Vale do Jari não é apenas um otimismo passageiro, mas a cristalização de dados estatísticos que têm feito a diferença para milhares de cidadãos. A notícia de que 89,6 mil pessoas deixaram a situação de pobreza no estado não é apenas um número a ser celebrado em relatórios técnicos; é o retrato de uma transformação estrutural que resgata a cidadania e devolve o direito ao futuro para uma parcela significativa da população que, até pouco tempo atrás, vivia à margem das oportunidades básicas de subsistência. Este fenômeno, longe de ser um acaso do destino ou uma flutuação sazonal da economia, é o resultado direto de uma convergência estratégica entre o crescimento vigoroso do emprego formal, investimentos públicos maciços e uma rede de proteção social que finalmente parece ter encontrado a engrenagem correta para funcionar em harmonia com o setor produtivo.
Para compreender a magnitude dessa transformação, é preciso olhar para a realidade nua e crua da pobreza, que no Brasil é tecnicamente definida por patamares de renda que muitas vezes não ultrapassam os R$ 685 mensais. Viver abaixo dessa linha significa enfrentar o dilema cotidiano de escolher qual necessidade básica sacrificar, um peso que historicamente recai de forma desproporcional sobre as mulheres, a população negra e as crianças. Quando o Governo Federal aponta que o mercado de trabalho foi o principal motor para a redução da desigualdade no Amapá a partir de 2023, ele valida a tese de que a melhor política social é, e sempre será, o trabalho digno e remunerado. Desde o início desse ciclo, o estado viu a criação de cerca de 23 mil novos postos de trabalho formais, um movimento impulsionado por um canteiro de obras públicas que se espalha por todos os municípios e por políticas de incentivo que tornaram o solo amapaense fértil para a implantação de novas empresas.
O ápice desse esforço coordenado manifestou-se de forma histórica no segundo trimestre de 2025, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou a menor taxa de desemprego da história do estado: 6,9%. Para um território que por décadas lutou contra índices de desocupação de dois dígitos, alcançar esse patamar é um marco civilizatório. O dado revela que a atual gestão estadual, em parceria com as diretrizes federais, conseguiu romper o ciclo de estagnação. Os números do Ministério do Trabalho e Emprego reforçam essa trajetória de ascensão contínua. Em novembro de 2025, o Amapá atingiu um número recorde de 104.295 trabalhadores com carteira assinada. Mesmo em um mês de transição, o saldo positivo de 376 novas vagas, resultante de quase quatro mil admissões, demonstra que a economia local adquiriu uma musculatura capaz de absorver mão de obra de forma resiliente e sustentável.
No entanto, a nova economia amapaense não se sustenta apenas em cimento e tijolo. O turismo emergiu como um gigante silencioso, mas extremamente eficaz na distribuição de renda. O fechamento do ano de 2025 com o maior número de turistas internacionais da história do estado é um testemunho da capacidade de o Amapá vender sua identidade única para o mundo. Com mais de 41,6 mil visitantes estrangeiros registrados até novembro — um crescimento de quase 6,5% em relação ao ano anterior — setores como hotelaria, comércio e serviços experimentaram um fluxo de capital que irriga desde o grande empreendimento até o pequeno artesão e o guia local. Esse fluxo de moeda estrangeira e o reconhecimento externo da biodiversidade e cultura amapaense elevam a autoestima do estado e consolidam uma vocação econômica que respeita a floresta e gera riqueza sem destruir o patrimônio ambiental.
Paralelamente ao vigor econômico, o fortalecimento do campo social tem sido o esteio para aqueles que ainda não conseguiram se inserir plenamente no mercado de trabalho. A rede de proteção social, liderada pelo programa Bolsa Família, atende hoje mais de 114 mil famílias no estado. Ao priorizar as mulheres como titulares do benefício, o programa ataca diretamente o núcleo da desigualdade de gênero e garante que o recurso chegue efetivamente à mesa e à educação das crianças. Complementando essa ação, o programa Desenrola permitiu que 15 mil amapaenses limpassem seus nomes e recuperassem sua capacidade de crédito, reinserindo milhares de consumidores no ciclo econômico e aliviando o fardo psicológico e financeiro do endividamento.
No âmbito estadual, o programa Amapá Sem Fome tornou-se uma ferramenta de intervenção direta e humanitária. A distribuição de mais de 177 mil kits de alimentos entre 2023 e 2025 é uma resposta urgente à insegurança alimentar que ainda persiste em bolsões de vulnerabilidade. O salto impressionante de 689% na distribuição de alimentos em comparação a períodos anteriores mostra um governo que não ignora a fome enquanto espera os resultados macroeconômicos maturarem. Municípios como Oiapoque, Vitória do Jari e Tartarugalzinho, além da capital Macapá, sentiram o impacto dessa logística de solidariedade, que serve como uma ponte necessária entre a miséria e a estabilidade proporcionada pelo emprego formal.
Este editorial reconhece que, embora os avanços sejam extraordinários, os desafios que permanecem não são desprezíveis. Manter uma taxa de desemprego historicamente baixa exige vigilância constante sobre a qualificação profissional e a manutenção da segurança jurídica para investimentos. A redução da pobreza é um processo contínuo que demanda não apenas a transferência de renda, mas a melhoria da infraestrutura urbana, do saneamento e da educação, para que o crescimento atual não seja um voo de galinha, mas um desenvolvimento perene. O Amapá está provando que é possível conciliar rigor fiscal, atração de investimentos e sensibilidade social.
A integração entre as esferas federal e estadual tem se mostrado o diferencial desta era. Quando as políticas públicas deixam de ser instrumentos de disputa política para se tornarem ferramentas de transformação social, quem ganha é o cidadão. O estado que outrora era visto apenas como uma fronteira distante, hoje se posiciona como um exemplo de como a interiorização do desenvolvimento pode ser feita com sucesso na Amazônia. A trajetória dos últimos três anos indica que o Amapá encontrou um caminho de equilíbrio, onde o progresso econômico serve à justiça social, e não o contrário.
Ao olhar para os 89,6 mil amapaenses que agora possuem uma perspectiva de vida melhor, percebe-se que o estado está construindo um novo contrato social. É um momento de celebrar os recordes do IBGE e da Embratur, mas também de renovar o compromisso com os que ainda aguardam sua vez de entrar nas estatísticas positivas. O Amapá de 2026, com seu mercado de trabalho aquecido e sua rede de proteção robusta, é a prova viva de que a pobreza não é um destino inevitável, mas um problema político e econômico que pode ser vencido com determinação, planejamento e investimento correto nas pessoas. O caminho está traçado, e os resultados atuais são o combustível necessário para que o estado siga avançando rumo a um futuro de equidade e prosperidade compartilhada.

