ASTRONOMIA

Macapá (AP) — Quinta-feira, 16 de abril de 2026


Astronautas da missão Artemis II quebram recorde de distância da Terra em voo tripulado

Quatro astronautas fazem história ao atingir 248 mil milhas da Terra, testando tecnologias para futura base lunar e missões Marte

Na segunda-feira, 6 de abril de 2026, seis dias após a missão Artemis II, os astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch e o astronauta da CSA (Agência Espacial Canadense) Jeremy Hansen superaram o recorde de voos espaciais humanos mais distantes da Terra, que foi anteriormente estabelecido pela missão Apollo 13 em 1970 – Foto: NASA

DA REDAÇÃO
Com informações da NASA
07/06/2026 | 00h12

Os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen superaram, às 12h56 (horário de Brasília) da segunda-feira, 6 de abril, o recorde histórico de distância da Terra em um voo tripulado, atingindo a marca de 248.655 milhas (cerca de 400 mil quilômetros) a bordo da nave Orion. A conquista ocorreu durante a missão Artemis II da Nasa, lançada da Flórida no dia 1º de abril, com o objetivo de testar os sistemas para o retorno definitivo do homem à Lua. Ao ultrapassar o limite estabelecido pela acidentada missão Apollo 13 em 1970, a tripulação não apenas quebrou um recorde de 56 anos, mas validou as tecnologias que servirão de base para a futura instalação de uma base lunar permanente e, posteriormente, para as primeiras jornadas humanas rumo a Marte.


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O momento em que a Orion se distanciou da “Mãe Terra”, como descreveu o astronauta canadense Jeremy Hansen em uma transmissão emocionada, representa o ápice de uma jornada iniciada sob o rugido do foguete SLS (Space Launch System). Desde que se libertou da órbita terrestre, a nave seguiu uma trajetória precisa que a levará a um ponto máximo de 252.756 milhas de distância do nosso planeta natal antes de iniciar o arco de retorno. A missão é imbuída de um simbolismo que une o passado heroico da exploração espacial às ambições científicas do século 21. Hansen, ao falar da cabine, fez questão de honrar os antecessores da era Apollo, enfatizando que o novo registro não deve ser duradouro, mas sim um desafio para que as próximas gerações alcancem fronteiras ainda mais remotas.

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Para além da frieza dos números e da telemetria, a Artemis II carrega uma carga humanizada evidente nos gestos da tripulação. Durante o voo, os astronautas sugeriram nomes para duas crateras lunares observadas de perto. A primeira foi batizada de Integrity, em homenagem à própria espaçonave. A segunda carrega um peso emocional profundo: Carroll, o nome da falecida esposa do comandante Reid Wiseman. Essas propostas serão formalmente enviadas à União Astronômica Internacional, perpetuando afetos terrestres na geografia do satélite natural. É a prova de que, mesmo em ambientes estéreis e tecnológicos, a motivação da exploração continua sendo o vínculo humano.

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A ciência da missão, contudo, é rigorosa. Os quatro pares de olhos a bordo são descritos pela Nasa como as ferramentas de observação mais poderosas da atualidade. Equipados com câmeras digitais de alta resolução, Wiseman, Glover, Koch e Hansen estão capturando imagens de características lunares sob condições de iluminação e textura nunca antes registradas diretamente por humanos. Eles serão os primeiros a observar partes do lado oculto da Lua com visão direta, coletando dados fundamentais para o mapeamento de futuros locais de pouso. A Orion chegará a apenas 4.067 milhas da superfície lunar em sua aproximação máxima, proporcionando uma perspectiva inédita que será usada para planejar o desenvolvimento da futura base na superfície.

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Um dos momentos de maior tensão da missão está previsto para o período em que a Lua bloqueará os sinais entre a Orion e a Rede do Espaço Profundo na Terra. Durante cerca de 40 minutos, o mundo perderá o contato com os exploradores em um “apagão” de comunicações planejado. É o instante em que a tripulação estará mais isolada do que qualquer outro ser vivo na história, testemunhando, de um lugar privilegiado, um eclipse solar enquanto a Lua passa à frente do Sol. O reestabelecimento do contato com o Centro de Controle em Houston marcará o início da manobra de retorno, impulsionada pela gravidade lunar e pelo sistema de propulsão da nave.

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A jornada de volta já tem destino traçado. Após cruzar o vazio do espaço em direção ao oceano, a Orion está programada para descer na costa de San Diego, na Califórnia, na noite de sexta-feira, 10 de abril. Uma frota de resgate, liderada pelo navio USS John P. Murtha, aguarda o impacto na água (splashdown). Helicópteros serão mobilizados para içar a tripulação, que passará por avaliações médicas imediatas antes de voar de volta para o Centro Espacial Johnson, no Texas.


A Artemis II é, portanto, o ensaio geral para um futuro onde a presença humana no espaço não será mais episódica, mas contínua. Ao superar a Apollo 13, a Nasa encerra um hiato de décadas e abre um capítulo onde a exploração é impulsionada pela busca de benefícios econômicos e descobertas científicas que só podem ser feitas no local. Como ressaltou a administradora Lori Glaze, a missão não é apenas sobre quebrar recordes, mas sobre alimentar a esperança de que, desta vez, a humanidade retornará à Lua para ficar.