GERAL

Macapá (AP) — Sexta-feira, 17 de julho de 2026


Pavimentação da BR-156 avança para garantir segurança alimentar e logística no extremo norte amapaense

Investimentos do Novo PAC miram pavimentação de trecho crítico para eliminar atoleiros históricos na rodovia, reduzir o frete de alimentos, garantir a segurança na faixa de fronteira e destravar o comércio internacional do Amapá com a Guiana Francesa

Frentes de trabalho intensificam a colocação de asfalto na rodovia BR-156, buscando garantir a trafegabilidade o ano inteiro e reduzir o custo do frete que encarece os alimentos em Oiapoque — Fotos: Reprodução WEB

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
04/06/2026 | 17h50

No início de junho, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a bancada federal do Amapá intensificaram as discussões em Macapá para acelerar as obras de pavimentação de um lote de 56 quilômetros na BR-156, no trecho norte que conecta a capital a Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa. A mobilização ocorre em resposta ao agravamento das condições de tráfego causado pelas fortes chuvas do inverno amazônico e visa erradicar o histórico isolamento terrestre da região por meio de investimentos robustos do Novo PAC, assegurando a segurança na faixa de fronteira e freando o encarecimento do frete que asfixia o comércio e eleva o preço da cesta básica no extremo norte do país.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP
Veículos enfrentam condições extremas de trafegabilidade em pontos críticos da rodovia federal, onde a falta de pavimentação asfáltica renova anualmente o drama do desabastecimento no extremo norte

A urgência que pauta os debates reflete um drama vivido há décadas pela população amapaense. Atualmente, a principal artéria rodoviária do estado ainda convive com um gargalo de aproximadamente 110 quilômetros sem nenhum tipo de pavimentação no trecho norte. Quando o período de chuvas intensas atinge o seu ápice, o cenário se transforma em uma sucessão de atoleiros que comprometem severamente a trafegabilidade, provocando interdições pontuais em pontes de madeira e transformando o que deveria ser uma viagem de rotina em uma verdadeira odisseia de dias para caminhoneiros e motoristas.

O impacto mais imediato e perverso dessa precariedade asfáltica incide diretamente sobre o bolso do consumidor oiapoquense. Sem garantias de um fluxo contínuo de veículos de carga, as transportadoras elevam as margens do frete para cobrir os riscos de quebras e atrasos nos atoleiros. O resultado é o desabastecimento intermitente de produtos essenciais e um custo de vida inflacionado que penaliza o comércio local. A dependência de um sistema logístico instável, que muitas vezes obriga o uso combinado de trechos fluviais e rodoviários irregulares, torna o abastecimento da região vulnerável e imprevisível.

Para romper esse ciclo de atraso, o governo federal colocou a BR-156 como uma das prioridades de infraestrutura da Amazônia Legal. As frentes de trabalho concentram-se atualmente na execução dos serviços de terraplanagem, drenagem profunda e sub-base no trecho de 56 quilômetros mais crítico em direção a Oiapoque. O planejamento técnico prevê a conclusão de estruturas capazes de suportar o rigor climático da região, garantindo que o asfalto resista às pressões hidrológicas do solo amazônico. O aporte financeiro carimbado pelo Novo PAC é visto pelas lideranças regionais como a última oportunidade concreta de saldar essa dívida histórica com o estado.

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Além do aspecto meramente econômico e de abastecimento, a pavimentação integral da rodovia carrega um peso geopolítico estratégico. A BR-156 é a única ligação terrestre que conecta o Brasil à União Europeia por meio da Ponte sobre o Rio Oiapoque, que faz divisa com a Guiana Francesa. A conclusão das obras é considerada fundamental para destravar o potencial turístico e comercial da rota internacional, facilitando o trânsito de viajantes europeus e brasileiros, além de abrir as portas para um fluxo formal de exportações e importações que hoje esbarra na lama do meio do caminho.

A segurança pública é outra vertente afetada diretamente pelas condições da pista. A precariedade da via dificulta de forma crônica o patrulhamento preventivo realizado pelas forças de segurança na faixa de fronteira, uma área vulnerável à entrada de ilícitos e crimes transnacionais. O tempo de resposta para o deslocamento de viaturas policiais ou para o acesso rápido de ambulâncias e serviços de emergência médica hospitalar é dilatado pelos buracos, deixando comunidades ribeirinhas e o núcleo urbano de Oiapoque desassistidos em momentos críticos.

Diante do cenário de forte pressão social e econômica, as manutenções preventivas contínuas foram intensificadas nos pontos mais críticos que ainda aguardam a pavimentação definitiva. O DNIT mantém equipes de prontidão com maquinário pesado para realizar intervenções emergenciais nos trechos de terra, com o objetivo de evitar o bloqueio total da rodovia e minimizar os prejuízos ao fluxo de mercadorias. A expectativa é que, com o avanço do cronograma de obras ao longo do ano, a BR-156 finalmente deixe de ser um símbolo de isolamento e passe a cumprir seu papel de indutora do desenvolvimento da fronteira norte brasileira.

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