Macapá (AP) — Terça-feira, 20 de outubro de 2026
Amapá recebe oficinas gratuitas da ENGIE sobre leis de incentivo para impulsionar projetos sociais na Amazônia
Com apoio de especialistas e foco em sustentabilidade, capacitação inédita orienta profissionais locais sobre leis federais e incentivos à reciclagem, transformando boas ideias em projetos aptos a captar investimentos milionários para o fortalecimento comunitário

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
19/10/2026 | 15h43
O Amapá recebe pela primeira vez o Programa Capacitar, iniciativa da ENGIE Brasil voltada a ampliar o conhecimento de gestores públicos, lideranças comunitárias e organizações do terceiro setor sobre mecanismos de incentivo fiscal. Realizada em Laranjal do Jari, a $42^{a}$ edição da iniciativa segue para Porto Grande no próximo dia 22 de outubro, oferecendo capacitações gratuitas e presenciais em auditorios locais para estruturar projetos culturais, esportivos e sociais. Com vagas limitadas e suporte de interpretação em Libras, o evento busca preencher uma lacuna histórica na captação de recursos na região norte, onde boas ideias muitas vezes esbarram na falta de familiaridade com a burocracia federal de financiamento.

Com uma década de atuação completada recentemente, o Capacitar já promoveu mais de 40 ações em 25 cidades espalhadas por 13 estados brasileiros, mobilizando mais de 10 mil participantes entre formatos presenciais e virtuais desde o seu lançamento. O histórico da empresa mostra um aporte superior a R$ 1,5 milhão destinado exclusivamente ao programa desde 2016, reforçando o compromisso corporativo com o desenvolvimento local sustentável. “Existe um valor muito grande em aproximar esse tipo de informação de quem está trabalhando diretamente na ponta, viabilizando ideias que geram impacto social real”, pontua Thais Soares, Diretora de Sustentabilidade da ENGIE Brasil, ao explicar a relevância da expansão territorial para estados distantes dos grandes centros econômicos do país.


A expectativa da organização é reunir cerca de 150 participantes somando os dois municípios amapaenses escolhidos para esta primeira etapa, criando uma rede de conexões entre atores sociais e o poder público. A grade de conteúdos aborda instrumentos cruciais como a Lei Rouanet, a Lei de Incentivo ao Esporte, os Fundos da Infância e da Pessoa Idosa, além dos programas federais Pronas/PCD e Pronon na área da saúde. Especialistas apontam que a descentralização dessas informações é o principal gargalo para que municípios do interior tenham acesso a bilhões de reais em verbas que frequentemente retornam aos cofres federais por falta de projetos habilitados corretamente.

Além das diretrizes fiscais tradicionais, a programação em solo amapaense reserva espaço exclusivo para a temática ambiental com formações dedicadas à Lei de Incentivo à Reciclagem, agendadas para os dias 20 e 23 de outubro. Conduzido por Mariana Kadletz, da Incentive de Verdade, o treinamento orienta sobre como direcionar parte do Imposto de Renda para fortalecer a cadeia produtiva de materiais recicláveis. O módulo conta com apoio de peso do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, além de parcerias corporativas com a VALE, Jirau Energia e DR Aromas e Ingredientes, evidenciando uma união multissetorial em prol da sustentabilidade urbana e da geração de renda para catadores locais.

Para os afetados e agentes culturais locais, que enfrentam isolamento logístico crônico e escassez de editais públicos na região amazônica, a chegada do programa representa um alento técnico há muito tempo cobrado por movimentos comunitários. Moradores e gestores de Laranjal do Jari, que recebem os encontros no Auditório do Ministério Público, e de Porto Grande, com atividades no Auditório do Sebrae, ganham ferramentas práticas para transformar demandas sociais reprimidas em propostas aptas a captar investimentos milionários. A iniciativa corrige distorções históricas no repasse de verbas federais incentivadas, que historicamente se concentravam nas regiões Sudeste e Sul devido à assimetria de informações técnicas.

A iniciativa da ENGIE no Amapá reflete um movimento mais amplo de multinacionais do setor energético que buscam alinhar negócios a metas globais de responsabilidade social e transição energética justa e descentralizada. Com faturamento global de 71,9 bilhões de euros em 2025 e investimentos médios de 12 bilhões de euros anuais, o grupo francês consolida sua presença no Brasil — onde opera 146 usinas em 22 estados — indo além da infraestrutura de geração e transmissão de eletricidade. Ao capacitar comunidades vulneráveis a gerenciarem seus próprios recursos por meio de renúncia fiscal, a empresa fomenta a autonomia de ponta a ponta, garantindo que o impacto econômico e social permaneça nos territórios muito após o término das oficinas.




