Macapá (AP) — Terça-feira, 01 de setembro de 2026
Festival Quebramar volta a Macapá integrando a produção musical amazônica com Guiana Francesa e Suriname
Projeto patrocinado pela Petrobras reativa o circuito independente no extremo norte do país, oferecendo formação escolar, batalhas musicais e encontros estratégicos para impulsionar artistas locais nos mercados internacionais vizinhos

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
28/08/2026 | 15h12
Às margens do rio Amazonas, onde a linha do Equador divide o globo e a floresta encontra o estuário, o Festival Quebramar retoma suas atividades a partir de 2 de setembro em Macapá após um hiato que silenciou parte expressiva da circulação artística no extremo norte do país. Viabilizada pela Lei Rouanet por meio do Programa Petrobras Cultural, a oitava edição do evento ressurge estruturada em três meses de programação com 50 apresentações gratuitas, ações de formação e rodadas de negócios sob o lema “Integrando as Guianas”. O projeto não se limita a promover shows: busca mitigar o isolamento logístico e mercadológico historicamente imposto à produção amazônica ao conectar agentes locais a nomes do cenário nacional, da Guiana Francesa e do Suriname.


Historicamente marcada pela dependência de circuitos concentrados no Sudeste, a cena artística do Amapá enfrenta barreiras de circulação que oneram o trânsito de grupos autorais. Documentos da organização indicam que o Quebramar funcionou, ao longo de sete edições, como um contraponto a essa assimetria territorial. Nos registros acumulados pelo festival constam 80 mil espectadores impactados, 90 atrações musicais acolhidas, 14 espetáculos cênicos, sete exposições de artes visuais, sete mostras audiovisuais e 56 palestrantes. O palco amapaense já recebeu nomes consolidados como Racionais MC’s, Emicida, O Teatro Mágico, Torture Squad, Arnaldo Antunes e Karol Conká, servindo simultaneamente de vitrine para expoentes locais como Minibox Lunar e Amatribo, que a partir dali expandiram suas rotas de circulação pelo país.


“O retorno do Quebramar significa muito para a cena cultural do Amapá porque o festival sempre foi mais do que um evento musical. Ele cria oportunidades, aproxima artistas, promove encontros e ajuda a mostrar que existe uma produção autoral potente sendo realizada aqui. Retomar esse espaço é também reafirmar que os artistas amapaenses precisam estar nos grandes circuitos de circulação da música brasileira”, avalia Heluana Quintas, coordenadora geral do festival.

O cronograma do evento foi desenhado em etapas para irrigar a cadeia criativa para além do centro da capital. A abertura, batizada de Preamar, tem início em 2 de setembro com o programa Quebramar na Escola, levando oficinas de formação e apresentações pedagógicas a estudantes da rede pública. Entre 20 de setembro e 5 de outubro, a Batalha de Bandas abre inscrições com o propósito de mapear novos talentos e conceder suporte técnico a grupos em fase inicial de carreira. Em 26 de setembro, a etapa Maré Lançante formaliza o anúncio da programação final, abre espaço para o diálogo com a imprensa e realiza uma seletiva preliminar de batalhas de rima entre MCs da região metropolitana. O ápice do encontro ocorre de 27 de outubro a 1º de novembro, ocupando o centro histórico de Macapá com palcos abertos, exibições cinematográficas, intervenções de grafite, mostras de fotografia e práticas esportivas em áreas naturais.

Para além do entretenimento, o festival aposta na Rodada de Negócios como instrumento pragmático de inserção profissional. O mecanismo reúne curadores de eventos internacionais, produtores de festivais independentes e artistas independentes para articular parcerias de circulação transfronteiriça. Ao explorar a contiguidade territorial com a Guiana Francesa e o Suriname — fronteiras que somam mais de 1.300 quilômetros na porção setentrional do bioma amazônico —, a curadoria reposiciona o Amapá como elo diplomático e econômico em um platô cultural frequentemente invisibilizado pelas rotas tradicionais da indústria da música.

Especialistas em economia criativa e políticas públicas apontam que editais corporativos aliados à legislação federal de incentivo, como a Lei Rouanet, desempenham papel crucial na descentralização orçamentária dos investimentos em cultura, sobretudo na Amazônia Legal, onde a infraestrutura técnica e o transporte fluvial e aéreo encarecem a montagem de espetáculos. Ao oferecer acesso irrestrito e gratuito às apresentações, o festival busca impactar não apenas os profissionais diretamente contratados, mas também o comércio local, o turismo ribeirinho e a formação de novos públicos no norte do Brasil.
Ficha técnica
Patrocínio master da Petrobras, via Lei Rouanet, com aprovação do Ministério da Cultura.
Produção geral: Baluarte Cultural
Coordenação de produção: Heluana Quintas
Direção de produção: Artur Mendes
Produção executiva: Aldine Moura
Coordenação de comunicação: Mary Paes
Assistente de produção: Karen Sidonio
Assessoria administrativa: Bianca Barbosa, Priscila França e Ravena Sena
Design: João Paulo Calado
Assistente de design: Prity Araújo
Identidade visual: Yermollay Caripoune
Gestão de redes: Pablo Martel




