MEDICINA

Macapá (AP) — Sábado, 30 de maio de 2026


Exame revela obstrução severa na perna de idoso e acende alerta sobre doenças vasculares silenciosas

O avanço da doença arterial obstrutiva em indivíduos acima dos 50 anos transforma o fluxo sanguíneo em um fio de vida ameaçado pela ateromatose. Caso recente ilustra como a tecnologia de imagem atua como barreira final contra complicações circulatórias graves

Esta imagem detalha o avanço silencioso da ateromatose, processo que compromete a circulação periférica ao endurecer as paredes arteriais, tornando o monitoramento vascular essencial para prevenir isquemias e garantir a mobilidade — Foto: Reprodução

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
12/05/2026 | 19h24

Para muitos brasileiros acima dos 50 anos, o perigo não chega com um estrondo, mas com o silêncio de uma artéria que se fecha lentamente. Recentemente, o publicitário paraense Diego Almeida de Souza, de 60 anos recebeu o diagnóstico de ateromatose arterial difusa com obstrução severa na perna esquerda, após um exame de Doppler Colorido realizado na rede suplementar de saúde, evidenciando como o sedentarismo e o tabagismo podem cobrar um preço alto e imediato. O laudo técnico aponta que, enquanto as vias principais ainda resistem, a artéria tibial posterior já sofre com uma suboclusão — um bloqueio quase total provocado pelo acúmulo de gordura e cálcio. Este quadro crítico, que exige intervenção médica urgente para evitar a perda de tecidos ou cirurgias de emergência, coloca em xeque a autonomia de quem negligencia o monitoramento vascular. O caso é um retrato fiel de uma epidemia invisível que transforma a circulação periférica em uma contagem regressiva para a isquemia.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP
POLÍTICA APPOLÍTICA AP2 de agosto de 2021Emanoel Reis, Macapá – AP

O envelhecimento traz consigo marcas que nem sempre são visíveis a olho nu, mas que o som das ondas de ultrassom consegue traduzir com precisão cirúrgica. Para o paciente em questão, o exame de Doppler Colorido Arterial não foi apenas uma rotina, mas um mapeamento de uma estrutura que luta para manter a vitalidade. A técnica, que utiliza o efeito Doppler para medir a velocidade e a direção do fluxo sanguíneo, revelou que o membro inferior esquerdo atravessa um processo de desgaste estrutural conhecido como ateromatose parietal difusa. Na prática, isso significa que as paredes das artérias — os “canos” que levam o oxigênio para os tecidos — não são mais lisas e flexíveis; elas estão irregulares, espessas e povoadas por depósitos que estreitam o caminho do sangue.

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Ao percorrer as artérias femoral comum, profunda e superficial, além da artéria poplítea, os médicos identificaram que o corpo ainda consegue manter uma resistência resiliente. Nestes trechos, o fluxo sanguíneo foi classificado como bifásico ou trifásico, o que, no jargão médico, indica que o coração ainda consegue bombear o sangue com força suficiente para vencer a resistência inicial, mantendo o componente sistólico preservado. É uma notícia de alento em meio a um quadro de desgaste, sugerindo que a porção superior da perna ainda recebe nutrição adequada. Entretanto, conforme o exame desce em direção ao pé, a narrativa biológica muda drasticamente, tornando-se um relato de escassez e dificuldade mecânica.

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O ponto de maior preocupação reside na artéria tibial posterior esquerda. Ali, os números contam uma história de resistência física e perigo iminente. A velocidade do fluxo foi registrada em aproximadamente 37 cm/s, um valor considerado baixo e de amplitude reduzida para os padrões de normalidade. Mas é no segmento distal, a parte mais distante do tronco, que o cenário se torna alarmante: o fluxo foi descrito como “filiforme”. Essa palavra, derivada de “fio”, ilustra com precisão o que está acontecendo dentro da perna do paciente; o sangue, que deveria correr como um rio caudaloso para alimentar os músculos e a pele, agora passa como um fio de linha, espremido por obstruções que desafiam a física cardiovascular.

Essa redução drástica indica o que os especialistas chamam de doença obstrutiva distal importante. O laudo sugere que o paciente pode estar enfrentando uma estenose acentuada ou até uma oclusão segmentar, onde um trecho da artéria está completamente fechado, restando apenas uma pequena recanalização ou fluxo residual para manter a viabilidade do tecido. Na linguagem cotidiana, o pé esquerdo deste homem está vivendo “com o que sobra”, operando em um regime de racionamento de oxigênio que pode causar dores intensas ao caminhar, feridas de difícil cicatrização e, em casos extremos, a morte dos tecidos.

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A ausência de dilatações aneurismáticas — as perigosas “bolhas” nas artérias que podem romper — é um ponto positivo, mas não anula a gravidade da obstrução. A ateromatose, processo que gerou esse quadro, é muitas vezes alimentada por fatores comuns à população brasileira, como hipertensão, diabetes, tabagismo ou altos níveis de colesterol, embora o laudo não especifique o histórico clínico prévio do paciente. Aos 65 anos, ele se encontra na zona de risco onde o acompanhamento vascular deixa de ser preventivo para se tornar uma medida de salvaguarda da mobilidade.

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O diagnóstico de suboclusão na artéria tibial posterior coloca a equipe médica diante de decisões cruciais. O tratamento para casos assim pode variar desde o uso intensivo de medicamentos antiagregantes plaquetários e estatinas até intervenções mais diretas, como a angioplastia — onde um pequeno balão é inflado dentro da artéria para alargá-la — ou a colocação de stents. Em última análise, o objetivo é restabelecer o volume de sangue antes que o fluxo filiforme se interrompa por completo.


Este laudo serve como um lembrete rigoroso da importância do diagnóstico precoce. Muitas vezes, a doença arterial obstrutiva periférica não apresenta sintomas claros até que o fluxo sanguíneo esteja seriamente comprometido. O paciente, que realizou seu exame em maio de 2026, agora possui em mãos o mapa de uma batalha interna. O comprometimento das artérias da perna esquerda, destacado na conclusão do exame, não é apenas um dado técnico, mas um chamado à ação. A circulação reduzida é um sinal de que o corpo está no seu limite, e a medicina moderna, com suas ferramentas de imagem, é a única capaz de enxergar o bloqueio antes que o “fio” de sangue se apague definitivamente.