ECOLOGIA

Macapá (AP) — Quinta-feira, 15 de outubro de 2026


Projeto inovador de reflorestamento na Amazônia recebe R$ 200 milhões para combater mudanças climáticas

Parceria estratégica entre o setor financeiro e empresas especializadas viabiliza a recuperação ecológica na Amazônia, destacando o papel essencial dos investimentos verdes na preservação ambiental e no desenvolvimento sustentável

Vista aérea da floresta amazônica no Pará, região foco do financiamento de R$ 200 milhões do Fundo Clima, que visa restaurar a biodiversidade local e combater ativamente as mudanças climáticas globais — Foto: Divulgação

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
23/09/2026 | 15h57

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou recentemente um financiamento de R$ 200 milhões, oriundos do Fundo Clima, para viabilizar um ambicioso projeto de restauração ecológica na Amazônia liderado pelo grupo Mombak. A iniciativa, oficializada neste ano no Rio de Janeiro, prevê a recuperação de 7,2 mil hectares de terras severamente degradadas, concentrando esforços sobretudo no estado do Pará para combater o avanço do desmatamento histórico. O aporte financeiro busca aliar a mitigação das mudanças climáticas à geração de renda local, respondendo diretamente à urgência de reverter passivos ambientais acumulados por décadas de exploração predatória na região norte do país.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP

Com um investimento total estimado em R$ 457 milhões, sendo 44% financiados pelo banco de fomento e o restante aportado pela própria Mombak, a operação possui um prazo de 25 anos para sua consolidação estrutural. Os recursos provêm especificamente da linha de Florestas Nativas e Recursos Hídricos, voltada ao plantio de espécies nativas, fomento a sistemas agroflorestais e recuperação vegetativa integral. Essa engenharia financeira desenhada reflete uma mudança de paradigma institucional, onde o capital privado e o crédito público se articulam para enfrentar gargalos ecológicos estruturais que sufocam o desenvolvimento sustentável da bacia amazônica.

Especialistas em dinâmica florestal apontam que a degradação crônica do solo amazônico compromete não apenas a biodiversidade, mas a própria estabilidade climática do continente, tornando intervenções em larga escala indispensáveis. “Restaurar áreas degradadas é uma corrida contra o tempo para evitar pontos de inflexão irreversíveis na floresta”, avalia a pesquisadora ambiental Carla Mendes, destacando que o modelo de créditos de carbono pode viabilizar economicamente a conservação a longo prazo. Para as comunidades do entorno, que sofrem com a perda de serviços ecossistêmicos e a precarização econômica, o projeto acena com a promessa de revitalização do solo e novas oportunidades laborais.

Trabalhadores rurais e moradores locais, cujos meios de subsistência dependem diretamente da saúde da floresta, acompanham com expectativa a chegada de empregos verdes na região afetada pelo desmatamento. “A gente precisa ver a terra voltar a produzir vida e garantir que o sustento das nossas famílias não dependa da destruição”, relata o agricultor paraense Raimundo da Silva, simbolizando o anseio popular por transformações reais no campo. Essa perspectiva humana evidencia que os números grandiosos dos relatórios econômicos precisam se traduzir em melhoria concreta na qualidade de vida de quem habita os territórios impactados.

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As projeções técnicas indicam que o projeto deverá remover mais de 4,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente da atmosfera ao longo de um horizonte de 50 anos. Esse desempenho alinha-se à estratégia ampla do BNDES para o setor florestal, que historicamente já mobilizou R$ 14,6 bilhões, viabilizando o plantio de 354 milhões de árvores e gerando cerca de 89 mil empregos verdes em todo o território nacional. Tais dados corroboram a eficácia de políticas públicas direcionadas à bioeconomia, embora analistas ressaltem que o sucesso dessas empreitadas

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