PETRÓLEO

Macapá (AP) — Sábado, 30 de maio de 2026


Setor de petróleo pede que presidenciáveis priorizem exploração da Margem Equatorial para garantir investimentos bilionários

A indústria do petróleo busca compromissos políticos para destravar licenciamentos na Margem Equatorial, argumentando que a área entre o Amapá e o Nordeste é vital para sustentar a economia nacional futura

Visando atrair 180 bilhões de dólares em investimentos privados, o setor de petróleo pede que candidatos à Presidência priorizem o desenvolvimento da Margem Equatorial como motor estratégico para o desenvolvimento nacional — Imagem: Reprodução/WEB

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
13/05/2026 | 12h51

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) enviará um documento estratégico aos candidatos à Presidência da República e a governos estaduais defendendo a abertura imediata da Margem Equatorial para exploração de petróleo. A entidade argumenta que a região, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, é a nova fronteira essencial para garantir a segurança energética e a estabilidade das contas públicas brasileiras nos próximos anos. Com a projeção de US$ 180 bilhões em investimentos privados previstos para o próximo mandato presidencial, o setor busca compromissos políticos que destravem o licenciamento ambiental e permitam que a Petrobras e outras operadoras iniciem as atividades em áreas consideradas de alto potencial geológico.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP
POLÍTICA APPOLÍTICA AP2 de agosto de 2021Emanoel Reis, Macapá – AP

A ofensiva do IBP ocorre em um momento de encruzilhada para a política energética nacional. O setor de petróleo e gás, responsável por uma fatia robusta do Produto Interno Bruto (PIB) e da arrecadação de tributos, tenta sensibilizar os presidenciáveis sobre a urgência de manter a curva de produção em ascensão. A Margem Equatorial, frequentemente chamada de “novo Pré-Sal”, tornou-se o centro dessa disputa de narrativas. Segundo o documento que será entregue aos candidatos, a exploração dessa área não é apenas uma escolha industrial, mas uma necessidade econômica para sustentar programas sociais e investimentos em infraestrutura através das participações especiais e royalties que o petróleo gera para a União, estados e municípios.

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Para o instituto, o desenvolvimento dessa fronteira, especialmente no bloco localizado na costa do Amapá, representa a oportunidade de integrar uma das regiões menos desenvolvidas do país a uma cadeia produtiva de alta tecnologia e geração de empregos qualificados. A indústria defende que o aproveitamento dos recursos naturais deve caminhar lado a lado com a preservação, utilizando tecnologias de ponta para mitigação de riscos ambientais. No entanto, o setor enfatiza que o atraso nas decisões regulatórias e de licenciamento pode afastar o capital estrangeiro, que hoje olha para o Brasil como um dos portos mais seguros para investimentos em energia, apesar das pressões globais pela transição energética.

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A estratégia de comunicação do IBP não se restringe ao Palácio do Planalto. O documento será entregue pessoalmente a candidatos aos governos de 20 estados brasileiros que possuem atividades ligadas à cadeia de óleo e gás. Entre as prioridades estão grandes centros produtores e refinadores como Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, além de estados da região Norte e Nordeste que estão diretamente na área de influência da Margem Equatorial. O objetivo é criar um consenso federativo sobre a importância do setor, lembrando que a indústria de energia funciona como um motor que irriga diversos outros segmentos da economia, da construção naval aos serviços de logística e tecnologia da informação.

O valor citado de US$ 180 bilhões em investimentos potenciais é o principal argumento de “venda” do setor para os políticos. Em um cenário de escassez de recursos públicos para investimentos, o IBP ressalta que esse montante viria inteiramente do setor privado, condicionado a um ambiente regulatório estável e previsível. O setor enfatiza que o próximo mandato presidencial será decisivo para definir se o Brasil continuará a ser um exportador líquido de petróleo na década de 2030 ou se passará a enfrentar um declínio de produção caso novas reservas não sejam descobertas e colocadas em operação a tempo de substituir o esgotamento natural dos campos atuais do Sudeste.

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A carta aos presidenciáveis também deve tocar em pontos sensíveis como a transição para uma economia de baixo carbono. O setor de petróleo pretende demonstrar que as receitas geradas pela exploração da Margem Equatorial podem, paradoxalmente, financiar a transição energética do Brasil, subsidiando pesquisas em hidrogênio verde, energia eólica offshore e biocombustíveis. A visão apresentada é a de que o petróleo é a “ponte” necessária para o futuro renovável, e que abrir mão das riquezas do Amapá ao Rio Grande do Norte seria um erro estratégico que comprometeria a soberania nacional e a capacidade de investimento do Estado brasileiro.


Dessa forma, o debate proposto pelo IBP coloca os candidatos contra a parede em relação a temas complexos que envolvem meio ambiente e economia. A Margem Equatorial é uma região de sensibilidade ecológica única, o que exige um diálogo sofisticado entre os órgãos de controle, como o Ibama, e as empresas do setor. Ao pautar os presidenciáveis agora, a indústria busca garantir que, independentemente do vencedor nas urnas, o tema da exploração petrolífera no Norte e Nordeste seja tratado como uma política de Estado, pautada por critérios técnicos e visão de longo prazo, evitando que o potencial bilionário de investimentos seja perdido em meio a impasses ideológicos ou burocráticos.

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