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Macapá (AP) — Terça-feira, 13 de outubro de 2026


O crescimento expressivo da bancada do PL no Legislativo projeta novos desafios para 2027

Com o crescimento expressivo do Partido Liberal nas eleições legislativas, o próximo governo enfrentará novos desafios no Congresso Nacional, redefinindo alianças, negociações com o Centrão e votações de emendas constitucionais

O plenário do Senado abriga as articulações da nova legislatura, com a bancada do Partido Liberal alcançando um patamar histórico que redefinirá o equilíbrio de forças e as negociações em Brasília — Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
12/10/2026 | 13h56

Com o avanço das articulações políticas e o mapeamento oficial divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pela Agência Câmara, o cenário legislativo brasileiro para a legislatura que se inicia em 1º de fevereiro de 2027 consolida uma nova configuração de forças no Congresso Nacional. O Partido Liberal (PL) conquistou a maior bancada da Câmara dos Deputados, alcançando 121 parlamentares — um crescimento expressivo de 24 assentos em relação ao pleito de 2022 —, enquanto a federação liderada pelo PT assegurou a segunda posição com 88 deputados, seguida pela aliança União-PP, que contabiliza 87 cadeiras após uma retração de 18 vagas.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP

Esse redesenhar de forças também se reflete de maneira contundente no Senado Federal, onde o PL elegeu 19 dos 54 senadores em disputa, totalizando uma bancada projetada em 28 integrantes, a maior registrada no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988, superando o recorde histórico de 27 parlamentares obtido pelo então PMDB em 1999. O avanço da legenda conservadora projeta cenários totalmente distintos para o futuro Executivo, colocando o presidente Lula diante de severas dificuldades para aprovar pautas de seu interesse caso seja reeleito, ao passo que uma eventual gestão encabeçada pelo campo bolsonarista encontraria terreno consideravelmente mais fértil para formar maiorias.

A busca por essa hegemonia gerou intenso debate político após declarações dadas em Goiânia pelo senador Flávio Bolsonaro, que manifestou o intento de utilizar a nova bancada do PL para impulsionar Propostas de Emenda à Constituição (PECs) voltadas a reformar o Poder Judiciário, reduzir a maioridade penal e extinguir a reeleição no país. A retórica, contudo, provocou mal-estar inclusive entre aliados estratégicos e especialistas, a exemplo do cientista político André César, sócio da Hold Assessoria Legislativa, que descarta a necessidade de uma nova Constituinte por considerá-la um instrumento contraproducente capaz de aprofundar divisões e desestabilizar o tempo político da nação.

Para viabilizar alterações constitucionais via PEC, o rito institucional exige a aprovação por três quintos dos votos em cada Casa legislativa, o equivalente a 308 deputados e 49 senadores, patamar que dimensiona o desafio prático dos números verificados nas urnas. Na Câmara, o PL e o Novo somam 131 parlamentares, e mesmo com a adesão inicial de blocos como União-PP, Republicanos e Podemos, o total chega a 286 votos, restando ainda uma margem de 22 adesões para alcançar o piso constitucional, enquanto no Senado a campanha bolsonarista estima atingir exatamente os 49 votos necessários, embora sem garantias de coesão absoluta em todas as matérias.

A consolidação desse alinhamento passa diretamente pela dinâmica do Centrão e pela janela de oportunidade política conhecida como o período de “lua de mel” com o Congresso, que analistas estimam durar apenas os primeiros três ou quatro meses de governo antes do desgaste natural das pautas impopulares. Em contrapartida, o bloco de sustentação do atual presidente Lula — composto por PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede — totaliza 124 deputados na Câmara, além do apoio crítico de legendas de esquerda e a neutralidade estratégica mantida pelo PSD, impulsionando o governo a ensaiar retaliações políticas e exonerações de indicados cujos partidos declararam apoio à chapa adversária.

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Diante da rigidez do processo legislativo que rege a Carta Magna — a qual já acumulou 139 emendas constitucionais desde 1988, mas impõe restrições formais quanto à iniciativa de propostas e barreiras intransponíveis das cláusulas pétreas previstas no artigo 60 —, especialistas reforçam a necessidade de preservação das garantias democráticas. O professor de Direito Constitucional Gustavo Sampaio, da Universidade Federal Fluminense (UFF), destaca que quaisquer pretensões reformistas de um futuro governo precisarão respeitar rigorosamente os limites estruturais do Estado Constitucional de Direito, assegurando a integridade da arquitetura institucional erguida pela Assembleia Constituinte.

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