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Macapá (AP) — Quarta-feira, 15 de julho de 2026


Aliados de Tarcísio veem derrota de Flávio Bolsonaro como chance para o Planalto

Estrategistas políticos de São Paulo projetam que reeleição no maior colégio eleitoral do país garantirá capital político para que o governador lidere a centro-direita na disputa de 2030

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, acompanha movimentos de Flávio Bolsonaro, enquanto aliados projetam que revés do clã pode reorganizar as forças conservadoras para o Planalto — Foto: ARTEAVA

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
09/07/2026 | 11h51

A engrenagem política nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes começou a girar com o olhar fixado no longo prazo, redesenhando o futuro da direita brasileira. Em meio ao acirramento das projeções eleitorais de outubro, aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, já avaliam que uma eventual vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representaria, paradoxalmente, uma oportunidade estratégica de ouro. Sob a ótica desses interlocutores, o revés nas urnas que se desenha para o senador Flávio Bolsonaro, no plano federal, enfraqueceria o núcleo duro do clã Bolsonaro e reabriria caminho para que o chefe do Executivo paulista se consolide como o principal nome da oposição para a disputa do Palácio do Planalto em 2030.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP

A leitura desse cenário, feita de forma reservada por membros do primeiro escalão e estrategistas ligados a Tarcísio, inverte a lógica tradicional da polarização nacional. O raciocínio é puramente pragmático: a permanência do PT no poder central e a derrocada eleitoral das lideranças ligadas diretamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro criariam um vácuo de poder na centro-direita. Sem um herdeiro dinástico óbvio e com o espólio político do bolsonarismo em disputa, o governador de São Paulo surgiria como a alternativa natural e moderada, capaz de unificar o eleitorado conservador e atrair as forças de centro que hoje hesitam em se alinhar ao radicalismo.

O ponto de partida desse plano de sobrevivência e ascensão política é a própria reeleição de Tarcísio ao governo paulista. Para o grupo que o cerca, a manutenção do comando do maior colégio eleitoral e do estado economicamente mais potente do país é a blindagem necessária contra o desgaste de uma oposição estridente nacionalmente. Ao focar em entregas administrativas e na agenda de concessões e privatizações, Tarcísio preservaria um capital político valiosíssimo ao longo dos próximos quatro anos, mantendo-se distante das crises que costumam consumir as lideranças da oposição que ficam sem mandato ou imersas em disputas paroquiais no Congresso.

Essa estratégia de distanciamento calculada e a aposta em uma derrota de aliados imediatos geram desconforto, mas revelam a frieza com que o tabuleiro de 2030 está sendo montado. Interlocutores apontam que a dependência excessiva da bênção direta do clã Bolsonaro tem um teto eleitoral claro. Um enfraquecimento do núcleo familiar da direita tradicional abriria espaço para que Tarcísio de Freitas construísse uma identidade própria, menos ideológica e mais focada na eficiência de gestão, um perfil com forte apelo junto às classes médias urbanas e ao empresariado do Centro-Sul do país.

Por outro lado, o caminho traçado pelos aliados do governador paulista não é livre de riscos. Manter-se no poder em São Paulo sob um governo federal adverso exige um malabarismo institucional constante para garantir repasses, financiamentos e a continuidade de obras de grande porte, como a expansão do metrô e do trem intercidades. Além disso, o próprio eleitorado fiel a Jair Bolsonaro pode enxergar o pragmatismo de Tarcísio como uma espécie de traição silenciosa se o recuo estratégico parecer excessivo diante dos embates ideológicos que movem a base mais ruidosa da direita.

Ainda assim, nos corredores do poder paulista, a convicção é de que o tempo joga a favor da moderação. A avaliação de que o cenário de outubro não é necessariamente ruim para o projeto pessoal de Tarcísio mostra que a direita já ensaia uma transição de guarda. Ao apostar no enfraquecimento das figuras mais polarizadoras de Brasília, o grupo político radicado em São Paulo planeja pavimentar o retorno ao Palácio do Planalto daqui a quatro anos, transformando uma derrota conjuntural da oposição na principal engrenagem para a sua própria vitória no futuro.

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