Macapá (AP) — Quinta-feira, 16 de julho de 2026
TRE do Amapá remarca para 22 de julho novo julgamento do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan
Remarcado para o dia 22 após polêmico laudo médico sigiloso, julgamento no TRE-AP de Antônio Furlan e seu vice por suposto abuso de poder nas eleições pode resultar em cassação de diplomas e provocar novas eleições na capital amapaense

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
12/07/2026 | 01h43
O Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) adiou, na quinta-feira (9 de julho), o julgamento do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), e de seu vice, Mário Neto (PODE), reagendado para o próximo dia 22. A decisão ocorreu após a defesa apresentar um laudo médico sob sigilo, manobra que recebeu duras críticas do Ministério Público Eleitoral (MPE), que agora comanda a ação. O processo, um Recurso Eleitoral originado de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida inicialmente pelo ex-senador Gilvam Borges, apura o suposto abuso de poder político e econômico de Furlan nas eleições de 2024. A acusação aponta que a máquina pública e a publicidade institucional da prefeitura teriam sido usadas para sua promoção pessoal. Mesmo com a posterior desistência de Borges, o MPE assumiu a titularidade do caso para garantir a continuidade da fiscalização e a lisura do pleito.

O adiamento joga ainda mais pressão sobre o ex-prefeito, que já enfrenta uma grave crise jurídica. Em março deste ano, Furlan renunciou ao cargo após ser afastado por ordem do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a Operação Paroxismo. A Polícia Federal investiga fraudes em licitações, desvio de verbas e lavagem de dinheiro nas obras do Hospital Geral Municipal.


A nova data estipulada pela Justiça Eleitoral joga luz sobre um embate que se arrasta nos bastidores políticos da capital amapaense e movimenta a opinião pública. O adiamento de última hora, motivado por supostas questões de saúde do ex-gestor, foi visto por analistas como um respiro temporário para os réus, embora a celeridade com que o tribunal remarcou a data demonstre o interesse dos magistrados em dar um desfecho rápido ao caso.

O cerne da acusação apresentada por Gilvam Borges repousa na tese de que a máquina político-administrativa da Prefeitura de Macapá teria sido utilizada de forma desproporcional para favorecer a candidatura à reeleição de Antônio Furlan. No jargão jurídico e político, o abuso do poder econômico se configura quando recursos financeiros, sejam eles públicos ou privados, são injetados em uma campanha de modo a sufocar as candidaturas adversárias, criando um cenário de desigualdade flagrante entre os concorrentes. Para o Ministério Público Eleitoral (MPE), o resultado das urnas nas últimas municipais foi diretamente influenciado por práticas que extrapolaram a legalidade das regras eleitorais brasileiras.

A defesa de Furlan e Mário Neto, por sua vez, nega veementemente as irregularidades e sustenta que a campanha eleitoral foi pautada pela transparência e pelo cumprimento rigoroso da legislação vigente. Os advogados argumentam que as acusações carecem de provas materiais robustas e que se baseiam em narrativas construídas pela oposição derrotada nas urnas. O atestado médico que forçou o adiamento do julgamento no dia 9 de julho foi tratado pela defesa como um “imprevisto”, e os representantes legais garantem estar prontos para apresentar as argumentações técnicas no plenário do tribunal na nova data estipulada.

O cenário traz forte instabilidade para o município de Macapá, uma vez que o desfecho do julgamento no TRE-AP pode resultar na cassação dos diplomas e na consequente perda de direitos políticos dos envolvidos. Caso a Corte dê provimento ao recurso de Gilvam Borges, a cidade poderá enfrentar uma reviravolta administrativa, com a possibilidade de convocação de novas eleições ou uma nova assunção temporária do prefeito interino, Pedro DaLua (União) no comando do Executivo. Esse clima de incerteza já começa a paralisar projetos e serviços essenciais, e divide a população, que acompanha o desenrolar do imbróglio com expectativa.

O caso de Macapá reflete uma tendência mais ampla observada pela Justiça Eleitoral em todo o país, que tem endurecido o cerco contra práticas que comprometam a lisura das eleições. O julgamento do dia 22 de julho será acompanhado de perto por lideranças do partido de Furlan, tanto local quanto nacional. Devido à repercussão do caso, passaram a monitorar o impacto do veredicto na consolidação da legenda no Estado do Amapá. Da mesma forma, o grupo político aliado ao governador Clécio Luiz (União), candidato à reeleição nas eleições gerais deste ano, enxerda no veredicto do TRE-AP a oportunidade de chancelar o discurso de que a disputa pela PMM em 2024 foi eivada de vícios que prejudicaram a democracia.

Até o julgamento, os bastidores devem permanecer em ebulição vulcânica por conta das intensas articulações de ambos os lados. A expectativa é que o plenário do TRE-AP analise detalhadamente o conjunto probatório anexado ao processo, que inclui relatórios financeiros, depoimentos e análises técnicas das contas de campanha. Para a população de Macapá, resta esperar a decisão dos magistrados para saber se o comando da cidade permanecerá com o projeto político eleito ou se os rumos do município serão redefinidos nas urnas.




