Macapá (AP) — Segunda-feira, 01 de junho de 2026
Após superação, mesatenistas do Amapá garantem título histórico no Campeonato Brasileiro da modalidade
Superando a falta de incentivos e o favoritismo das rivais do Sul, a dupla do Norte usou o controle psicológico no tie-break para trazer o título inédito ao estado

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
24/05/2026 | 19h00
As mesatenistas amapaenses Joyce Pureza e Luiza Barreto conquistaram uma medalha de ouro inédita para o Amapá na categoria adulto feminino do Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa após derrotarem uma forte dupla de Santa Catarina por 3 sets a 2 em uma final eletrizante. A vitória histórica, alcançada por meio de uma campanha marcada pela superação técnica e pelo controle psicológico, coroa o esforço das atletas que viajaram da Região Norte para enfrentar as principais potências esportivas do país. O resultado inédito eleva o patamar do esporte amapaense no cenário nacional e serve como combustível para consolidar o estado como um novo polo de talentos na modalidade, superando a histórica falta de incentivo e as barreiras geográficas.

A trajetória das campeãs até o lugar mais alto do pódio foi desenhada com contornos de drama e dominância tática. Nas quartas de final, a dupla avançou sem precisar entrar em jogo devido à vitória por WO, após o não comparecimento das adversárias catarinenses. Na semifinal, o desafio ganhou ritmo com o confronto diante das representantes de Minas Gerais, superadas em um equilibrado 3 a 1. O verdadeiro teste de nervos ficou reservado para a grande decisão, num reencontro contra o estado de Santa Catarina, onde a união das jovens atletas fez a diferença nos pontos decisivos do tie-break.

O título teve um sabor especial de redenção, principalmente para Joyce Pureza. Dias antes, a atleta havia sofrido uma dura eliminação precoce na fase de oitavas de final da categoria Absoluto B feminino. O revés individual deixou a mesa-tenista abalada, mas não o suficiente para desestabilizar seu foco no torneio de duplas. Joyce transformou a frustração em motivação e encontrou em Luiza Barreto a parceria ideal para reconstruir sua caminhada dentro da competição, demonstrando a maturidade necessária que caracteriza os grandes campeões.

O entrosamento e a capacidade de suportar a atmosfera hostil do ginásio foram determinantes para que a medalha de ouro tomasse o rumo do Norte. Luiza Barreto relembrou a intensidade dos confrontos e o desgaste emocional de enfrentar atletas com maior rodagem em circuitos nacionais. “Foi um caminho bem difícil, mas muito especial pra gente. Pegamos jogos muito fortes e tivemos que superar bastante coisa no caminho, principalmente a pressão. A dupla de Santa Catarina era muito experiente e forte, então a final foi bem intensa. Mas a gente acreditou até o fim, jogamos unidas e conseguimos superar nossos limites. No final deu tudo certo e estamos muito felizes com essa conquista e com esse ouro”, celebrou a campeã.

A façanha das meninas do tênis de mesa não foi o único motivo de comemoração para a delegação do Amapá na competição de nível nacional. O estado também celebrou o retorno triunfal de Jorge Mareco, um dos nomes mais experientes e respeitados do esporte na região. Após um período longe das principais mesas do país, Mareco voltou a competir em alto rendimento e garantiu uma importante medalha de bronze para o estado. A performance do veterano serviu de espelho e apoio moral para as atletas mais jovens, reforçando o espírito de corpo e a solidez da equipe amapaense durante os dias de disputa intensa.

A conquista inédita joga luz sobre a necessidade de mais investimentos na base do esporte amapaense, provando que o talento local é capaz de rivalizar com estruturas mais ricas do Sul e do Sudeste. O retorno para casa com uma medalha de ouro e uma de bronze na bagagem transforma Joyce, Luiza e Jorge em referências para uma nova geração de atletas que buscam no tênis de mesa uma oportunidade de projeção social e esportiva. Agora, a federação local planeja usar o impacto dessa vitória histórica para pleitear novos apoios financeiros junto à iniciativa privada e aos órgãos governamentais, visando garantir a manutenção dos treinamentos e a participação em futuros torneios nacionais.




