Macapá (AP) — Quinta-feira, 16 de julho de 2026
Oitava do ranking, paratleta do Amapá disputa Jogos Parasul-Americanos após dois anos no esporte
Dona de seis títulos nacionais de base, a competidora busca medalhas nas pistas de Valledupar e consolida sua rápida ascensão no esporte paralímpico

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
10/07/2026 | 12h42
A paratleta amapaense Isabelle Soares, atual oitava colocada no ranking nacional, recentemente iniciou um período intensivo de treinamentos com a comissão técnica da Seleção Brasileira de Atletismo Paralímpico em São Paulo, como preparação final para os Jogos Parasul-Americanos em Valledupar, na Colômbia. A atleta embarcou rumo ao país vizinho para realizar o sonho de representar o Brasil pela primeira vez no exterior, uma oportunidade conquistada após uma rápida e vitoriosa trajetória de pouco mais de dois anos no esporte de alto rendimento. A convocação coroa uma ascensão meteórica e coloca a jovem promessa do Norte diante do maior desafio de sua vida, unindo a busca por medalhas ao orgulho de carregar a bandeira de seu estado natal em solo internacional.

A rotina no Centro de Treinamento Paralímpico, na capital paulista, tem sido marcada por uma intensidade inédita para a competidora. Isabelle divide a pista e os setores de arremesso com os principais nomes do país, passando por avaliações técnicas rigorosas, exames biomecânicos e ajustes finos em seus movimentos. Para quem observa a segurança com que ela empunha o dardo ou se posiciona para o arremesso de peso, torna-se difícil imaginar que sua história no atletismo começou há tão pouco tempo. A viagem para a Colômbia representa não apenas um marco geográfico, mas a validação de um esforço diário que transformou a vida da jovem em um curto espaço de tempo. Estar ali, vestindo o uniforme oficial da seleção, traz à tona um misto de responsabilidade e êxtase que ela faz questão de enfatizar.


“Estar em São Paulo com a camisa da seleção é uma sensação inexplicável, pois passa um filme na cabeça de tudo o que foi abdicado e treinado para chegar até este momento exato”, afirma Isabelle, que não esconde a ansiedade legítima que antecede sua primeira viagem para fora do país. A atleta ressalta que o suporte da comissão técnica nacional tem sido fundamental para controlar o nervosismo natural da estreia e para garantir que o foco permaneça totalmente voltado para o desempenho na pista de Valledupar.

A versatilidade da competidora é apontada por especialistas como um dos seus grandes trunfos no cenário esportivo. Na Colômbia, Isabelle competirá em duas frentes distintas e complexas: no arremesso de peso, integrando a classe F37, destinada a atletas com coordenação motora comprometida, e no lançamento de dardo, na classe F34, voltada para atletas que competem sentados. Essa transição entre técnicas, posturas e exigências físicas completamente diferentes exige um preparo psicológico e muscular muito acima da média. Ocupando o oitavo lugar no ranking brasileiro absoluto, Isabelle já provou que tem estofo de campeã nas categorias de formação, ostentando com orgulho seis títulos do Campeonato Brasileiro de base. Foram justamente essas conquistas consecutivas que chamaram a atenção dos olheiros da Confederação Brasileira e carimbaram seu passaporte para a delegação principal.

Membros da comissão técnica da seleção enxergam na amapaense um diamante a ser lapidado para os próximos ciclos paralímpicos mundiais. O período de imersão em São Paulo serve justamente para ambientá-la ao clima de uma grande delegação e dar o suporte necessário para que a pressão externa não atrapalhe seu rendimento técnico. De acordo com os treinadores da equipe técnica nacional, Isabelle possui uma força mental impressionante para alguém com tão pouco tempo de estrada, e embora o objetivo principal em Valledupar seja proporcionar experiência internacional, todos sabem que ela tem totais condições técnicas de brigar diretamente por um lugar no pódio.

A trajetória da jovem também carrega um simbolismo profundo para o esporte na Região Norte do Brasil, que frequentemente enfrenta barreiras logísticas significativas e escassez de incentivo financeiro para projetar seus talentos no eixo centro-sul. Sair do Amapá e alcançar a seleção brasileira principal em apenas dois anos é um feito que já ecoa entre os jovens esportistas de seu estado natal. Familiares, amigos e os primeiros treinadores que ficaram em Macapá acompanham cada passo da paratleta pelas redes sociais e mensagens de texto, transformando a torcida local em um combustível extra para as provas que se aproximam.

Com as malas prontas e a mente focada nas marcas que precisa atingir, Isabelle encara esta fase como o divisor de águas de sua carreira esportiva. Os Jogos Parasul-Americanos funcionam tradicionalmente como uma grande vitrine e um teste de fogo para atletas que buscam a consolidação no cenário internacional. Para a jovem que começou de forma despretensiosa há pouco mais de 24 meses, vestir as cores do Brasil e ouvir o hino nacional em um estádio estrangeiro deixou de ser um sonho distante para se tornar uma realidade iminente. O embarque da delegação sela o fim de uma etapa exaustiva de preparação e inicia o capítulo mais importante da história dessa nova promessa do atletismo nacional.




