Macapá (AP) — Terça-feira, 01 de setembro de 2026
Do Amapá ao estrelato, Márcio Ticotô derruba Ryan Kuse e consolida força no cenário global
Com atuação avassaladora no UFC Sacramento, atleta amapaense anulou tentativas de queda do adversário, definiu o confronto ainda no round inicial e manteve cem por cento de aproveitamento na principal franquia de artes marciais mistas do mundo

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
25/08/2026 | 08h59
O lutador amapaense Márcio “Ticotô” Barbosa consolidou sua ascensão meteórica no Ultimate Fighting Championship (UFC) ao nocautear o norte-americano Ryan Kuse no último sábado (22), em Sacramento, na Califórnia. Em um confronto resolvido em rápidos 2min47s do primeiro round, o brasileiro impôs agressividade cirúrgica em pé e sólida defesa de solo para derrubar o adversário com um cruzado de esquerda, garantindo sua segunda vitória consecutiva na franquia e reforçando seu nome como uma das forças mais intimidantes do peso-pena no cenário global de artes marciais mistas.


A vitória na costa oeste dos Estados Unidos repetiu o roteiro de intensidade que virou marca registrada do atleta. Desde os primeiros segundos, Ticotô assumiu o centro do octógono com postura serena e agressiva, pressionando o adversário contra a grade e fechando os ângulos de escape. Ciente do perigo iminente na trocação franca, Kuse tentou mudar a dinâmica da luta ao mergulhar nas pernas do brasileiro em busca de quedas. O plano do anfitrião, no entanto, esbarrou em uma defesa precisa: Ticotô bloqueou as investidas com autoridade e chegou a ameaçar o pescoço do rival com uma guilhotina justa, minando a confiança do americano na luta agarrada.


O desfecho do combate aconteceu onde o lutador amapaense se sente mais à vontade. Ao perceber a hesitação de Kuse na curta distância, Márcio lançou um cruzado de esquerda com precisão e contundência. O golpe acertou o rival apenas de raspão, mas a potência acumulada no impacto foi suficiente para desequilibrar o corpo e desligar os reflexos de Kuse, que caiu imediatamente no solo. Visivelmente atordoado e sem demonstrar condições de reação, o norte-americano viu o árbitro central Jason Herzog interromper o duelo para decretar o nocaute técnico aos 2min47s.

A atuação impecável em Sacramento repete a fórmula devastadora apresentada em sua estreia pelo Ultimate, em abril deste ano. Naquela ocasião, Ticotô precisou de ainda menos tempo — exatos 1min20s — para liquidar Dennis Buzukja também por nocaute no round inicial, desempenho que lhe rendeu o bônus financeiro de “Performance da Noite”. Com dois combates disputados e pouco mais de quatro minutos somados de permanência dentro do octógono mais famoso do mundo, o amapaense consolida a reputação de finalizador impiedoso, que não concede aos oponentes o luxo de encontrar o próprio ritmo de luta.

Por trás dos números impressionantes e da explosão física dentro da jaula, há a construção paciente de uma carreira forjada no extremo norte do Brasil. Natural do Amapá, estado de onde emergem talentos moldados na adversidade e na escassez de infraestrutura esportiva de ponta, Márcio transformou o apelido de infância em sinônimo de persistência. A caminhada até os holofotes da liga mais rica do planeta exigiu anos de dedicação em circuitos regionais e viagens longas, superando barreiras financeiras e a distância geográfica dos grandes centros de treinamento do país.

Com o novo resultado positivo, Márcio Ticotô atinge a expressiva marca de 18 triunfos e apenas duas derrotas em seu cartel profissional de MMA. O dado mais contundente de sua trajetória reside na capacidade de abreviar os embates: das 18 vitórias acumuladas, 15 foram conquistadas pela via rápida do nocaute. Manter cem por cento de aproveitamento no UFC com dois nocautes no primeiro round não é apenas uma estatística rara, mas um cartão de visitas que costuma acelerar a escalada rumo ao ranking dos melhores lutadores da divisão.

Em uma organização que valoriza espetáculo, combatividade e capacidade de empolgar o público, o estilo objetivo e plástico de Ticotô desponta como um ativo valioso. O amapaense demonstra que a potência de seus punhos é sustentada por uma leitura tática madura, capaz de anular o jogo de solo adversário antes de aplicar o golpe de misericórdia. Ao desarmar Ryan Kuse com tamanha rapidez em solo americano, Márcio Barbosa deixa de ser apenas uma aposta promissora e passa a figurar como uma realidade incontornável na divisão, pronto para voos mais altos contra rivais do primeiro escalão mundial.




