
As mangueiras da cidade de Macapá estão velhas e doentes, e por isso causando muitos transtornos para a população, tais como quebra de calçadas e muros, prejuízos para telhados e para-brisas de carros, além de árvores que vão ao chão destruindo tudo pela frente. Mas, por que isso está acontecendo? A resposta está no tempo de vida que as árvores possuem: aproximadamente 20 anos. E pela forma como foram plantadas: buracos muito pequenos, impossibilitando o correto enraizamento delas.

A falta de cuidado e fiscalização também contribuem para a má formação das árvores. O órgão responsável para cuidar das mangueiras é a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), localizada à rua Clodoaldo da Silva Martins, S/N, Jardim Felicidade II. Segundo a assessoria da Semam, um engenheiro florestal realiza vistoria periódica nas árvores e, quando necessário, recomenda à Secretaria Municipal de Manutenção Urbanística (Semur) o podamento das indicadas por ele.
Porém, essa medida não resolve o problema, como ressalta o biólogo Edmar Lima Oliveira, especialista em interpretação ambiental. “No Amapá, as mangueiras são usadas não só no sentido agrícola, mas, usa-se no sentido paisagístico e para dar sombra. Para a melhoria do quadro atual das árvores, tem que se ter no plano diretor do município a parte do planejamento paisagísticos, para que os bairros que ainda não estão arborizados sejam arborizados corretamente”, assinala.
Boa parte das mangueiras da cidade está contaminada com um fungo que provoca uma doença que atinge os frutos
Edmar Oliveira – Biólogo
Atualmente, essas árvores estão contaminadas com um fungo chamado Colletotrichum Gloeosporioides, que causa a chamada antracnose da mangueira, provocando lesões nos frutos, além de reduzir a produtividade deixando o produto com qualidade duvidosa, dada as condições estéticas que o fruto apresenta.
Em Macapá, mais precisamente na avenida FAB, o fungo encontra um clima propício para a contaminação e proliferação por causa da umidade e do calor. E com o vento, os fungos acabam contaminando outras árvores, causando, assim, um prejuízo enorme para a vida da planta. “Se você der uma volta pela principal rua de Macapá, a FAB, e outras ruas que dão acesso à zona norte, poderá notar que a quantidade de mangueiras que existe nesse perímetro é muito grande, todas estão contaminadas”, assinala o biólogo.

As primeiras árvores de mangueira começaram a ser plantadas em Macapá nas décadas de 80 de 90, segundo Edmar Oliveira, no momento em que Belém começou a plantar mangueiras na cidade, logo depois outros estados da Região Norte começaram a plantar também.

Esta fruta é muito apreciada pelo amapaense, e por ter em grandes quantidades no centro da cidade, local de muito circulação de pessoas, o fruto é sempre muito consumido, principalmente no período de inverno, quando as árvores estão muito carregadas e quando os frutos estão maduros acabam por cair. “Sempre que não temos mais aula ficamos aqui, no “escadão” (do Centro de Difusão Cultural João Batista de Azevedo Picanço, avenida FAB), e sempre cai uma manga, pegamos e comemos. É muito gostosa”, afirma a estudante Jéssica Pinheiro.
A maioria das pessoas que consome este fruto no estado não sabe que ele está contaminado. Segundo o Biólogo Edmar Oliveira, esta contaminação não faz mal algum para o ser humano, o problema é para o próprio fruto, que fica com um aspecto ruim, e para a árvore que, com o passar dos anos sem cuidado, acaba morrendo.
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