População não colabora e pandemia de coronavírus avança em Macapá

Da Redação

Carreatas nas ruas e avenidas pedindo a abertura do comércio, notas direcionadas à população assinadas por supostos trabalhadores do centro da capital, reuniões de lojistas com prefeito e governador questionando a lei que obriga o fechamento dos estabelecimentos durante o isolamento social, supermercados lotados, aglomerações em esquinas onde funcionam mercadinhos. Tudo isso vem ocorrendo em Macapá, nos últimos dias, aumentando mais ainda os riscos de transmissão, infecção e letalidade da COVID-19

O Amapá já contabiliza um avanço considerável dos casos confirmados da Covid-19, ao mesmo tempo em que entra no pico do contágio, estimado por infectologistas de 2 a 20 de abril.
Quem circula, porém, pelas ruas das duas maiores cidades da Região Metropolitana, Macapá e Santana, percebe claramente que grande parte da população não está cumprindo as normas de segurança determinadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para evitar o contágio.
As feiras livres, atacadistas, supermercados, lojas de conveniências, alguns bares e restaurantes estão funcionando sem os cuidados recomendados pelas autoridades sanitárias, formando grandes aglomerações todos os dias.
Estes locais reúnem pessoas de todas as idades, inclusive as mais velhas, que são consideradas do grupo de risco, aumentando a perigosa corrente de propagação do vírus.
E se isso não bastasse, os ônibus trafegam cheios de passageiros e neles, vendedores ambulantes entregam seus produtos de mão em mão, na tentativa de manter o sustento. Nesta época de chuvas, as janelas dos ônibus e vans permanecem fechadas, aumentando o perigo.

Nem mesmo a poderosa letalidade da Covid-19 impede que os habitantes de Macapá se aglomerem em bancos e supermercados

Aumento dos casos é certo
O governo do estado, sabendo que o número de casos vai aumentar em velocidade cada vez maior nas próximas semanas, anunciou várias medidas de prevenção e combate ao coronavírus. E isso vem contrariando pequenos, médios e grandes empresários.
Entre as medidas, estão montagens de unidades de tratamento intensivo em hospitais públicos e privados para atender os casos graves.
Ocorre que os profissionais de saúde linhas de frente nesta batalha sanitária – médicos e médicas, enfermeiros e enfermeiras, técnicos e técnicas de enfermagem, que fazem o primeiro contato – estão sobrecarregados de trabalho e reclamam da falta de equipamentos de proteção individual. Os outros profissionais da área, que entram em ação em seguida, também reclamam que estão desprotegidos.
A preocupação destes profissionais de saúde do quadro estadual é saber como o governo vai equalizar a situação dos turnos de trabalho. Eles ainda não foram informados oficialmente se vão ter aumento na carga de trabalho, para emendarem seus turnos nas UTI’s e nos hospital públicos. Também não sabem se o governo vai convocar novos servidores temporários do setor para estes locais.

Governador Waldez Góes (E) e prefeito de Macapá Clécio Luís defendem o prolongamento da quarentena e do isolamento social. Lojistas e demais empreendedores do setor são contra

Deficiências nos hospitais
Servidores dos hospitais regionais, como os do Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL), por exemplo, afirmam que não têm condições de atender casos graves da covid-19, por falta de local adequado e equipamentos. Mês passado, a Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público do Amapá (MP-AP) e representantes da Vigilância Sanitária, Conselho Regional de Medicina (CRM) e Conselho Regional de Enfermagem (Coren) constataram que persistem antigos problemas, já detectados em vistorias anteriores na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI); setor de Nutrição; Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e Gastroenterologia.

Fiscalização da Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público encontrou graves problemas nos hospitais de Macapá

Na UTI foi observado que o Estado não conseguiu ativar os 11 leitos previstos para a unidade, conforme pactuado pela Secretaria Estadual de Saúde. Com isso, a Unidade de Tratamento Intensivo segue funcionando com apenas seis leitos. Além disso, embora tenha sido disponibilizado serviço odontológico no local, as profissionais da área não dispõem de qualquer estrutura para trabalhar, tampouco estão cadastradas para que o atendimento conte como produtividade do hospital, o que poderia resultar em repasse pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Ainda sobre a UTI, o MP-AP ingressou com Ação Civil Pública (ACP) para efetivação dos 11 leitos e regularização dos serviços. Meses atrás, por meio de acordo judicial homologado, o Governo do Estado se comprometeu a resolver o problema no prazo máximo de seis meses. Este prazo não fui cumprido.
As denúncias dos sindicatos das categorias de trabalhadores da Saúde provocaram a ação do Ministério Público, que exigiu equipamentos de proteção para todos. Embora o MP tenha agido, a cada dia o cenário ganha tonalidades sombrias e a situação fica complicada até nos hospitais da rede privada, que se comprometeram a entrar na campanha de combate ao vírus mortal, montando UTI’s para atender pacientes graves.

A situação caótica do sistema público de saúde no Amapá vem sendo repetidamente denunciada pelo MPE

O prefeito de Macapá, Clécio Luís (à esquerda na imagem de destaque), vem tendo dificuldades para convencer lojistas e atacadistas da importância em manter o fechamento temporário dos estabelecimentos para garantir a eficácia do isolamento social, da quarentena, e, principalmente, para conter o avanço da pandemia. Porém, apesar da gravidade do problema, alguns empreendedores insistem em abrir seus comércios sob a alegação de que sem movimento, poderão falir e causar desemprego em massa.


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