Rendimento do trabalhador macapaense está abaixo da média nacional

Filas quilométricas de trabalhadores desempregados em Macapá para receber o auxílio de R$ 600 do governo federal

A crise em saúde pública desencadeada pela pandemia do novo coronavírus vai comprometer ainda mais a geração de postos de trabalho pelos próximos seis meses e dificultar a recuperação econômica do Amapá, que já vinha sendo comprometida por má gestão e equívocos políticos do governo estadual

O rendimento médio da população macapaense está na 22ª posição segundo a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Ou seja, conforme o levantamento, a capital amapaense situa-se entre as cidades nordestinas e nortistas com as remunerações mais baixas do País: Manaus (AM), com R$ 2.185, Rio Branco (AC), com R$ 2.098, São Luís (MA), com R$ 2.020, Teresina (PI), com R$ 1.999, e Maceió (AL), que oferece a mais baixa remuneração média nacional, R$ 1.937.

O rendimento de todas as atividades desempenhadas por um trabalhador de Macapá passou de R$ 2.114 nos primeiros três meses de 2019 para R$ 2.229 nos primeiros três de 2020. No meio desse caminho, os três últimos meses do ano passado, os ganhos do amapaense chegaram a R$ 2.186. Entre as 27 capitais brasileiras, essa renda está apenas na 22ª colocação. As melhores capitais do Brasil para ganhar dinheiro hoje chegam a pagar quase 70% mais que a capital do Amapá.
É o caso de Vitória (ES), que ostenta as mais atrativas oportunidades. Lá, o trabalhador chega a ganhar mensalmente R$ 4.440. Em Porto Alegre (RS), com R$ 4.173, e em São Paulo (SP), com R$ 4.165, os ganhos também são expressivos e já superam os da capital federal, Brasília (DF), onde a remuneração média do trabalhador está em R$ 3.969.

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Esse panorama revela, reflete e é refletido pelas diferenças socioeconômicas regionais já consagradas no país, com o Centro-Sul dominando as oportunidades mais promissoras enquanto as regiões Nordeste e Amazônia amargam os piores indicadores de desenvolvimento, o que impacta claramente na geração de emprego e renda. Além de serem as que pagam menos, as capitais nordestinas e nortistas são antros de trabalhadores da iniciativa privada sem vínculo formal e, portanto, sem garantias trabalhistas, o que avoluma as estatísticas de informalidade.

Veja o gráfico abaixo:

Neste início de ano, ao menos dez capitais brasileiras apresentaram redução da renda do trabalhador no primeiro trimestre frente ao mesmo período do ano passado. Mas a capital amapaense destoa desse grupo e apresentou crescimento nominal de R$ 115 de um ano para outro.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Futuro de incertezas

Entre julho e setembro de 2019, a taxa de informalidade da população ocupada bateu recorde da série iniciada em 2012, chegando a 41,4% dos trabalhadores. Ou seja, a cada 10 trabalhadores, seis tinham ocupação precarizada. Oito meses depois, essa projeção é assustadora. Com a pandemia da Covid-19, o número de trabalhadores desempregados entrou em espiral crescente no Amapá, elevando o número de famílias com rendimentos em queda livre. Segundo a pesquisa, o número de brasileiros que devem trabalhar como ambulantes informais nas ruas brasileiras deve aumentar exponencialmente nos próximos meses e anos.


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