Pesquisa do IBGE sobre saúde no AP mostra baixa evolução no atendimento

A PNS 2019, realizada pelo IBGE em convênio com o Ministério da Saúde, não traz nenhuma novidade sobre as péssimas condições a que a população socialmente vulnerável é submetida no Amapá. Neste primeiro volume, estão expostos dados sobre acesso aos serviços de saúde, cobertura de planos de saúde, presença de animais nos domicílios e sua vacinação, entre outros

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acaba de divulgar resultado nada animador para o Amapá da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, realizada em convênio com o Ministério da Saúde. De acordo com a PNS 2019, menos de 10% dos domicílios amapaenses têm acesso a esgoto. Isso quer dizer que milhares de amapaenses residem em locais sem acesso à coleta de esgoto, ou seja, sobrevivem desprovidos de qualquer recurso de saneamento básico.

De acordo com a PNS 2019 divulgada pelo IBGE AP, há uma preocupação limitada dos governos municipal, estadual e federal, que se restringem apenas ao fornecimento de água, em implementar a coleta e tratamento de resíduos como o esgoto. Ou seja, em Macapá essas necessidades ficam em segundo plano diante de asfaltamento de ruas e avenidas, ou reforma e recuperação de praças, obras de imediata visibilidade e de grande apelo eleitoral.
Conforme o Ministério da Saúde, até fevereiro de 2020, 1,5 mil agentes de pesquisa visitaram 108 mil domicílios em mais de três mil municípios, em áreas rurais e urbanas. As informações coletadas estão sendo utilizadas para orientar o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à promoção da saúde e prevenção de doenças.
A PNS é realizada a cada cinco anos e esta foi sua segunda edição, sendo efetivada com temas adicionais em relação aos investigados na edição anterior, como questões sobre paternidade e exames pré-natal, direcionado aos homens.
Outra novidade da PNS 2019 foi a ampliação das perguntas relacionadas à utilização do SUS no âmbito da Atenção Primária, o que permitiu uma avaliação mais detalhada do atendimento recebido. Os serviços de saúde que compõem este nível de atenção continuam sendo a principal porta de entrada no SUS e onde as doenças mais frequentes do cidadão são acompanhadas, como diabetes, hipertensão e tuberculose, evitando que evoluam para estágios mais graves. Pela primeira vez, a PNS utilizou um instrumento validado internacionalmente que mede a qualidade da Atenção Primária.
A Pesquisa Nacional de Saúde investigou a prevalência de doenças crônicas não transmissíveis na população, como diabetes, câncer e doenças do aparelho circulatório e respiratório, que respondem a cerca de 36 milhões (63%) das mortes no mundo e estão associadas a fatores como maus hábitos alimentares, sedentarismo, alcoolismo e tabagismo – que também fizeram parte do escopo da pesquisa. A percepção da população sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o acesso aos serviços foram mensurados. A pesquisa também investiga se os moradores sofreram algum tipo de violência e monitorou a realização de exames preventivos.


Boa parte dos domicílios amapaenses não tem acesso à esgoto

Em 2019, ao buscarem atendimento de saúde, 65,6% das pessoas costumavam procurar o mesmo lugar, médico ou serviço de saúde.
Apenas 12% da população do Amapá (101 mil pessoas) tinham algum plano de saúde, médico ou odontológico em 2019. Na população com rendimento mensal de até ¼ de salário mínimo, somente 0,8% tinham plano de saúde médico. Já na faixa de mais de cinco salários mínimos, 75,0% tinham plano.
Entre aqueles que tinham algum plano médico de saúde, 73,4% o avaliaram como bom ou muito bom.
Em 2019, 43,5% dos domicílios estavam cadastrados em Unidade de Saúde da Família (95 mil domicílios) e 51,0% dos domicílios receberam visita de agente de endemias.
A pesquisa mostrou que 7,5% da população (65 mil pessoas) deixaram de realizar atividades habituais por motivo de saúde nas duas semanas anteriores à entrevista.
Nos 12 meses anteriores à entrevista, 65,9% da população (552 mil) havia se consultado com um médico. A proporção de mulheres (73,2%) que consultou um médico foi superior à dos homens (58,2%). Já a proporção de pessoas que consultaram dentista foi de 39,1%.
Em relação às internações, 5,4% da população (46 mil) ficaram internados em hospitais por 24 horas ou mais nos doze meses anteriores à entrevista. Dessas internações, 79,8% (ou 36 mil) foram no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 2019, 7,7% da população utilizou alguma prática integrativa e complementar.
Entre os 133 mil domicílios com algum cachorro ou gato, 62,1% (ou 82 mil) tiveram esses animais vacinados em 2019.

Acompanhe os demais resultados da PNS 2019:

Pouco mais de uma pessoa a cada dez têm plano de saúde no Amapá
Em 2019, 101 mil pessoas (12,0% da população) tinham algum plano de saúde, fosse este médico ou odontológico. A cobertura era similar entre homens (10,8%) e mulheres (13,2%).
Somente 0,8% das pessoas com rendimento de até ¼ de salário mínimo tinham algum plano de saúde médico, indicando que essa população depende mais da saúde pública. Por outro lado, 75,0% das pessoas que recebiam mais de cinco salários mínimos mensais estavam cobertas por algum serviço de saúde suplementar médico.
Quanto maior o nível de instrução, maior foi a cobertura do plano de saúde, variando de 6,5% (sem instrução ou com fundamental incompleto) a 38,7% (nível superior completo), o que também acompanha a diferença por rendimentos.
Além das diferenças por grupos de renda e instrução, foram verificadas as proporções de cobertura de 10,5% para pardos, 12,5% para pretos e 17,2% para brancos.
A cobertura de plano de saúde odontológico era bem menos abrangente do que a do tipo médico: 7,6% contra 8,7%. Mesmo nas faixas de rendimento mais elevadas, o plano de saúde odontológico foi adquirido por, aproximadamente, 39,8% das pessoas.
Entre os residentes que tinham algum plano de saúde, 73,4% avaliaram o plano de saúde médico principal (ou único) como bom ou muito bom. Por grupos de idade, as pessoas de 0 a 17 anos foram as que tiveram menor proporção nesses termos de satisfação com o serviço suplementar (69,3%). A população preta foi a que aferiu menor proporção com avaliação boa ou muito boa de seu plano de saúde (51,8%), ficando abaixo da avaliação da branca (84,4%).

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Cadastro em unidade de saúde da família abrange 43,5% dos domicílios
Em 2019, 43,5% dos domicílios (ou 95 mil) estavam cadastrados em Unidade de Saúde da Família.
Em 2019, a pesquisa estimou que 51,0% dos domicílios receberam pelo menos uma visita de algum agente de combate de endemias nos 12 meses anteriores à data da entrevista, o equivalente a 111 mil unidades domiciliares.

7,5% da população não realizaram atividades habituais por problemas de saúde
Em 2019, 7,5% da população (63 mil pessoas) deixaram de realizar atividades habituais por motivo de saúde nas duas semanas anteriores à entrevista. Sergipe e Bahia registraram as maiores proporções (ambos 9,5%) e Amazonas e Mato Grosso, as menores (6,1% e 5,6%, respectivamente).
A população idosa (com 60 anos ou mais) apresentou a maior proporção de pessoas que deixaram de realizar atividades habituais por motivo de saúde (13,5%), seguida pela faixa de 40 a 59 anos de idade (9,6%). A proporção foi maior entre as mulheres (9,0%) do que entre os homens (6,0%). Por nível de instrução, as pessoas com superior completo registraram a maior proporção (9,1%).
Das pessoas que deixaram de realizar atividades por motivos de saúde, 8,3% afirmaram que tal motivo estava relacionado ao trabalho. Nesses casos, homens (10,0%), pessoas de 18 a 29 anos (14,9%) e pessoas com superior completo (21,2%) tiveram as maiores proporções.

65,6% das pessoas procuram o mesmo serviço de saúde
Em 2019, 65,6% da população costumavam procurar atendimento de saúde no mesmo lugar, médico ou serviço de saúde.

Mulheres tiveram mais consultas médicas do que homens
Em 2019, 65,9% da população (552 mil) haviam consultado um médico nos 12 meses anteriores à entrevista.
A proporção de mulheres (73,2%) que consultou um médico foi superior à dos homens (58,2%). Além disso observa-se que essa proporção cresce à medida em que a faixa de rendimento domiciliar per capita se torna mais elevada, indo de 63,5%, para a classe de até ¼ de salário mínimo, a 82,6%, para mais de cinco salários mínimos.

Atenção com saúde bucal ainda não chega à 40% da população
A proporção de pessoas que consultaram dentista nos últimos 12 meses anteriores à data da entrevista (39,1%) não chega à 40% da população do Amapá. Maranhão e Pará apresentaram as menores proporções: 34,6% e 35,5%, respectivamente. Destaca-se, ainda, o baixo percentual entre as pessoas de 60 anos ou mais: 26,1%.
Além disso, entre as pessoas sem rendimento até ¼ do salário mínimo, 25,2% consultaram um dentista, enquanto entre aquelas com mais de 5 salários mínimos, a proporção chegou a 81,3% em 2019, uma diferença de 56,1 p.p.

Pessoas com renda mais alta procuram mais os serviços de saúde
Nas duas semanas anteriores à entrevista, 13,5% (113 mil) de pessoas no Amapá procuraram algum atendimento de saúde. São Paulo (22,9%) apresentou a maior proporção, e o Acre, a menor (11,9%). As proporções também foram superiores para mulheres (16,6%), pessoas com 60 anos ou mais (22,6%), e na classe de mais de 5 salários mínimos (24,3%).

74,7% das pessoas com menor rendimento obtém medicamentos no serviço público
Em 2019, entre as 95 mil pessoas que procuraram algum atendimento de saúde nas duas semanas anteriores à entrevista, 84,3% conseguiram atendimento. Destes, 70,2% afirmaram ter conseguido atendimento na primeira vez em que procuraram.
Das pessoas que conseguiram atendimento de saúde (exceto marcação de consulta), 60,6% tiveram algum medicamento receitado e destas, 84,1% conseguiram obter todos os medicamentos prescritos. Quando a referência de obtenção de pelo menos um medicamento é o serviço público, a proporção torna-se menor: 52,6% (ou 30 mil pessoas).
Quanto menor a faixa de rendimento per capita, maior é a proporção de pessoas que obtiveram medicamento no serviço público: 74,7% para a faixa de até ¼ de salário mínimo e 25,7% para a classe de mais de cinco salários mínimos.

Cerca de 80% das internações foram realizadas pelo SUS
Em 2019, 5,4% da população (46 mil) ficaram internados em hospitais por 24 horas ou mais nos doze meses anteriores à entrevista. Dessas internações, 79,8% (ou 36 mil) foram por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Maranhão e Roraima registraram as maiores proporções: 89,2% e 84,8%, respectivamente, enquanto o Distrito Federal teve a menor (47,6%).
Destacam-se as diferenças entre as proporções de internação em hospitais do SUS para pessoas que se declararam de cor preta (89,9%) e parda (82,8%) em relação às pessoas que se declararam brancas (64,5%).
Disparidade ainda mais expressiva é observada por classe de rendimento: 97,4% para a faixa sem rendimento até ¼ do salário mínimo e 8,7% para as pessoas com mais de 5 salários mínimos.
Apenas 7,7% da população utilizaram alguma prática integrativa e complementar
Em 2019, 7,7% da população utilizou alguma prática integrativa e complementar. Essas práticas consistem em tratamentos como acupuntura, homeopatia, uso de plantas medicinais e fitoterapia, dentre outros.


Cães estão presentes em 118 mil domicílios e gatos em 49 mil

Em 2019, a pesquisa estimou que em 54,4% dos domicílios do Amapá havia pelo menos um cachorro, o equivalente a 118 mil unidades domiciliares. Rondônia apresentou a maior proporção, 64,8%, e Alagoas, 34,0%. Já os gatos estavam presentes em 22,8% dos domicílios, o equivalente a 49 mil. Rondônia e Acre apresentaram os maiores percentuais (26,9% e 26,4%, respectivamente), enquanto Goiás e Distrito Federal, os menores (14,7% e 10,3%, respectivamente).
Quase dois terços dos domicílios com cães e gatos tiveram todos esses animais vacinados
Em 2019, dos 133 mil domicílios com presença de algum cachorro ou gato, 62,1% (82 mil) tiveram todos esses animais vacinados contra raiva nos últimos 12 meses anteriores à data da entrevista. Em Brasília e no Rio de Janeiro, as proporções de domicílios onde todos os cachorros e gatos tinham sido vacinados (84,3% e 83,6%, respectivamente) foram as maiores. Roraima e Acre, as menores (58,7% e 51,5%, respectivamente).

Amapá tem a maior densidade domiciliar
Em 2019, a PNS estimou a existência de 217 mil domicílios particulares permanentes no Amapá. Havia um total de 839 mil moradores.
A densidade domiciliar é o número médio de moradores por domicílio, que, em 2019, foi 3,9 moradores. O Amapá apresentou densidade domiciliar superior à média nacional (2,0). Por outro lado, o Rio Grande do Sul registrou o menor valore (2,6).

Densidade por cômodo-domicílio
A densidade por cômodo-domicílio é representada pela razão entre o total de moradores e o total de cômodos dos domicílios. Números mais altos, na maioria dos casos, representam condições de habitação mais precárias em razão de terem muitos moradores para poucos cômodos. Por exemplo, se um domicílio tem 4 cômodos e 5 moradores, sua densidade é igual a 1,2, enquanto outro domicílio com 5 cômodos e 2 moradores apresenta densidade igual a 0,4. Para as diferenças regionais ficarem mais explícitas, excepcionalmente, esse indicador foi calculado com três casas decimais.
Em 2019, a densidade por cômodo-domicílio no Amapá foi 0,843, ou seja, para cada morador, existia, aproximadamente, 1,2 cômodo. Essa densidade apresentou comportamento semelhante à densidade domiciliar, ou seja, o número mais alto foi observado, também, no Amapá. Em contrapartida, Em Santa Catarina, a densidade cômodo-domicílio foi menor (0,451).

Banheiro com esgotamento sanitário adequado está presente em 9% dos domicílios amapaenses
Na PNS 2019, 93,3% (203 mil) dos domicílios amapaenses possuíam água canalizada em pelo menos um cômodo. Sudeste, Centro-Oeste e Sul apresentaram resultados superiores à média nacional, de 99,0% ou mais, entretanto, nas regiões Norte e Nordeste, os percentuais foram menores: 91,2% e 91,1%, respectivamente.
A presença de banheiro de uso exclusivo e esgotamento sanitário por rede geral de esgoto ou fossa séptica ligada à rede geral chegava a 9,0% dos domicílios (20 mil) em 2019. As diferenças foram consideráveis: enquanto, em São Paulo essa proporção foi de 92,7%, em Rondônia, situou-se em 8,8%, sendo esses os percentuais maior e menor, respectivamente. O Amapá teve o segundo pior desempenho.
Em 2019, a coleta de lixo por serviço de limpeza, diretamente ou em caçamba chegava a 90,3% dos domicílios (196 mil). Novamente, o Sudeste apresentou o maior percentual (97,1%) e o Norte, o menor (80,4%).

Fontes: IBGE e Ministério da Saúde


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