Alta rejeição dos dois nomes é oportunidade, mas também desafio, para os partidos encontrarem um candidato caracterizado como 3ª via que consiga ir para o segundo turno
Por Gilson Garrett Jr.
Desde quando o ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, decidiu que a 13ª Vara Federal de Curitiba, que tinha o ex-juiz Sergio Moro como titular, é incompetente para processar e julgar o ex-presidente Lula nos casos do tríplex do Guarujá, do sítio de Atibaia, e em duas ações envolvendo o Instituto Lula, sucessivas pesquisas vêm sendo divulgadas mostrando que Jair Bolsonaro (sem partido) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são os candidatos com mais chances de irem para um segundo turno na eleição presidencial de 2022.
Mas para 38% dos eleitores, nem o lulo-petista, nem o atual presidente deveriam ser o próximo ocupante do Palácio do Planalto. Já 33% optariam por um dos dois na disputa, e 24% nem concordam nem discordam com a possibilidade de ter Bolsonaro ou Lula como presidente novamente.
Um dos levantamentos, com mil entrevistas realizadas entre os dias 10 e 11 de março, mostra que o grupo dos ‘nem Lula nem Bolsonaro’ é mais concentrado na classe alta [43% das classes A e B] e nas regiões Centro-Oeste (49%), Norte (47%), e Sudeste (41%), ou seja, ainda se concentram relevante extrato de votos no Brasil.
Esta pesquisa também perguntou se Bolsonaro merece ser reeleito e se Lula merece voltar a ser presidente. Em ambos os casos, a maioria das respostas foi negativa: 48% consideram que o atual presidente não faz jus a um segundo mandato, assim como 46% pensam o mesmo em relação ao ex-presidente Lula.
Ao avaliar em qual candidato o eleitor não votaria de jeito nenhum, o ex-presidente Lula é indicado por 42% dos respondentes, seguido de Bolsonaro, com 38% – enquanto que João Doria é indicado por 28%; Luciano Huck, 26%; e Ciro Gomes, 23%.
“Há um ponto em comum entre os inúmeros nomes testados: alta rejeição. A maioria tem mais de 25% de rejeição. Esses números iniciais mostram o tamanho da dificuldade que terão esses nomes caso se apresentem de maneira diluída para o eleitorado em 2022”, diz o cientista político Maurício Moura.
No item em que avalia a rejeição de um candidato, sem comparar com outros nomes, o cenário também é desafiador para todos os nomes listados na pesquisa. Lula repete os mesmos 42%, Ciro Gomes aparece com 37%, João Doria tem 37% de rejeição, enquanto Luciano Huck, 30%.
O problema, na visão de Ramos, é que o centro não tem programa consolidado nem um nome definido. “Se conseguir chegar a um consenso, acho que tem ambiente para crescer. Desde que se parta da premissa de que é preciso ter um programa de centro, um programa moderado para o país, Mas ninguém hoje tem isso”, observa o deputado do PL.
Acho que cria espaço para O centro. Se o setor mais moderado tiver sabedoria, pode encontrar alguém que ocupe esse lugar. A entrada de Lula na arena acirra os ânimos e evidencia a polarização política, mas não resume o jogo. O Brasil inteiro não cabe em Lula ou Jair Bolsonaro. A maioria está no meio
— Deputado federal Marcelo Ramos (PL/AM)

Bolsonaro reeleito em 2022
A pesquisa também perguntou sobre os possíveis cenários eleitorais de 2022. No primeiro turno Jair Bolsonaro tem vantagem no inferior a 12%. Em um eventual segundo turno, o atual presidente aparece com pelo menos sete pontos de vantagem contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o apresentador Luciano Huck (sem partido), os candidatos que mais rivalizam com Bolsonaro.
A sondagem é a primeira feita após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que anulou todas as condenações de Lula na Lava Jato de Curitiba. Entre os entrevistados, 73% disseram que tiveram conhecimento do julgamento do ministro do STF.
CENTRO TEM CHANCE DE EMPLACAR UMA TERCEIRA VIAA possibilidade de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja candidato à presidência da República em 2022 foi comemorada por parte da esquerda, criticada pela direita, mas, pelo menos para uma parcela do centro, trouxe a esperança de emplacar uma candidatura “moderada”. Parlamentares acreditam que a polarização abre margem para uma terceira via se consolidar, mas não têm certeza se essa oportunidade será aproveitada. O problema, na visão de Marcelo Ramos (foto), é que o centro não tem programa consolidado nem um nome definido. “Se conseguir chegar a um consenso, acho que tem ambiente para crescer. Desde que se parta da premissa de que é preciso ter um programa de centro, um programa moderado para o país, Mas ninguém hoje tem isso”, observa o deputado do PL. A percepção dele é compartilhada por especialistas. Para o analista político Thiago Vidal, da consultoria Prospectiva, mesmo que se abra uma oportunidade, o centro precisaria resolver muitos problemas antes de conseguir viabilizar uma candidatura. Com quadros divididos e ainda sem um nome forte, o cenário atual não aponta para o lançamento de um candidato capaz de concorrer com Lula ou Bolsonaro. “O ingresso de Lula no xadrez, em um primeiro momento, abafa o centro, por uma razão simples: o centro está muito desorganizado, muito fragmentado e não possui atores que estejam minimamente à altura onde Bolsonaro e Lula estão em termos de competitividade eleitoral”, diz Vidal. Para ele, é clara a desorganização na busca pela almejada terceira via. "Mas ainda tem muito tempo pela frente e tudo pode mudar", pondera Marcelo Ramos. Para o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), um dos problemas é justamente a pulverização. Se houver um número grande de candidatos concorrendo ao posto de “candidato do centro”, fica mais difícil emplacar um nome. “É evidente que tem um campo de eleitores que não quer nem Bolsonaro, nem Lula. Quem conseguir representar essa parcela da população pode agregar. Isso pode acontecer, mas depende muito de diminuir o número de candidatos”, acredita. Líder do DEM na Câmara, o deputado Efraim Filho (PB) acredita que a entrada de Lula no cenário, ao mesmo tempo que fortalece o quadro de polarização, provoca as forças mais ao centro a se unirem para viabilizar uma candidatura competitiva. "Acho que essa situação gera um impulso que, por enquanto, não havia acontecido ainda", diz. A esperança é que haja um consenso em torno de uma opção de centro, não uma série de candidaturas. “Há nomes que podem se organizar, mas é preciso competência para isso”, avalia Efraim. O cientista político André Pereira César, da Hold Assessoria Legislativa, lembra que essa busca não é fácil e não é de agora. “Para dar certo, o centro teria que acelerar um processo que já era de difícil entendimento”, aponta. A movimentação atual, segundo ele, não é nesse sentido. “Sinceramente, não vejo uma terceira via ganhando força. Precisaria achar um projeto, um discurso”, aponta.
Novo ‘Moro’ pode surgir se Justiça do DF retomar processos de Lula

A via sacra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Justiça não acabou com o habes corpus concedido pelo ministro do STF Edson Fachin.
Caso a Justiça do Distrito Federal acolha as denúncias do MPF e as provas da Lava Jato, tudo recomeça e pode surgir um ‘novo Sérgio Moro’ em Brasília, independentemente dos rumos do processo, no que concerne à popularidade que um juiz federal da primeira instância poderá obter com os holofotes sobre suas decisões.
Lula ganhará tempo no Judiciário, e pelos conhecidos trâmites, há chance de se candidatar a presidente da República ano que vem como Ficha Limpa. Houve anulação dos atos processuais de quatro ações, mas não das provas obtidas pela Operação Lava Jato.
Agora, a decisão de acolher ou não as provas estará com a Justiça Federal do DF. Se os processos forem retomados, há dois cenários para Lula: corre o risco de ser condenado novamente, e em primeira e ou segunda instância; ou de ser absolvido. Até saírem as sentenças, o País ferverá no caldeirão político.
Sérgio Moro fica ofuscado com a decisão de Fachin – a PGR vai recorrer e o plenário do STF ainda vai julgar o HC, mas dificilmente mudará a decisão do ministro.
A segunda-feira, 8 de março, foi quente no âmbito político também. No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro falava em “Meu Exército” – sobre não dar ordem para a Força militar determinar toque de recolher – Ciro Gomes (PDT) voltou a atacar o PT e o STF inocenta Lula e o joga na corrida eleitoral.
A ex-presidente criticou Ciro em nome do PT e do padrinho político: “É vergonhoso e lamentável. Ciro parece querer ser uma variante de Bolsonaro e, para isso, ataca a mim, a Lula e ao PT. O discurso de ódio é igual”.
Escolta reforçada
Os quatro agentes da Polícia Federal que escoltam Lula, por lei, receberam alerta de redobrar a atenção com sua segurança nas ruas. O Instituto Lula pode pagar mais escolta.
Pesquisa nacional: maioria dos brasileiros é contra candidatura de Lula
Levantamento nacional realizado pelo Paraná Pesquisas mostra que mais da metade dos brasileiros acha que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – que responde a sete processos pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro etc – não deveria se candidatar à sucessão do presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a pesquisa, 50,4% acham que o petista não deve ser candidato outra vez a presidente, contra a opinião de 44,9% dos entrevista, que não veem problema em eventual postulação nesse sentido. Os restante 4,7% dos entrevistados ficaram em cima do muro, não opinando ou afirmando não saber.
São os brasileiros com escolaridade de nível superior aqueles que em maior número afirmam que o ex-presidiário não deve se candidatar a presidente: 59,2%.
ovens de 16 aos 24 anos (49,5%) e dos 25 aos 34% (48,3%) são os mais receptivos à possibilidade de o líder petista ser candidato, mas as demais faixas etárias são majoritariamente resistentes a essa ideia.
À excepção previsível do Nordeste, a maioria dos entrevistados nas demais regiões se opõem a eventual candidatura do ex-presidente que cumpriu pena de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, referente a um primeiro processo em que foi julgado e condenado.
O Paraná Pesquisas entrevistou 2002 pessoas em 192 municípios dos 26 estados e do Distrito Federal, entre os dias 8 e 10 deste mês.

Edição: Emanoel Reis
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LITERATURA
O escritor e jornalista Emanoel Reis, editor deste site, publicou recentemente o romance intitulado “Trezoitão”. A obra é ambientada em duas cidades da Amazônia, Belém (PA) e Macapá (AP), e tem como personagens centrais o jornalista Eliano Calazans, 30 anos, repórter investigativo de um famoso jornal de grande circulação em Belém, capital do Pará, e o pistoleiro Cici Silveira, de codinome Trezoitão, muito ligado ao latifúndio (pecuaristas, madeireiros, carvoeiros, grileiros). Quer saber mais sobre este livro?

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A possibilidade de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja candidato à presidência da República em 2022 foi comemorada por parte da esquerda, criticada pela direita, mas, pelo menos para uma parcela do centro, trouxe a esperança de emplacar uma candidatura “moderada”. Parlamentares acreditam que a polarização abre margem para uma terceira via se consolidar, mas não têm certeza se essa oportunidade será aproveitada.
O problema, na visão de Marcelo Ramos (foto), é que o centro não tem programa consolidado nem um nome definido. “Se conseguir chegar a um consenso, acho que tem ambiente para crescer. Desde que se parta da premissa de que é preciso ter um programa de centro, um programa moderado para o país, Mas ninguém hoje tem isso”, observa o deputado do PL.
A percepção dele é compartilhada por especialistas. Para o analista político Thiago Vidal, da consultoria Prospectiva, mesmo que se abra uma oportunidade, o centro precisaria resolver muitos problemas antes de conseguir viabilizar uma candidatura. Com quadros divididos e ainda sem um nome forte, o cenário atual não aponta para o lançamento de um candidato capaz de concorrer com Lula ou Bolsonaro.
“O ingresso de Lula no xadrez, em um primeiro momento, abafa o centro, por uma razão simples: o centro está muito desorganizado, muito fragmentado e não possui atores que estejam minimamente à altura onde Bolsonaro e Lula estão em termos de competitividade eleitoral”, diz Vidal. Para ele, é clara a desorganização na busca pela almejada terceira via. "Mas ainda tem muito tempo pela frente e tudo pode mudar", pondera Marcelo Ramos.
Para o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), um dos problemas é justamente a pulverização. Se houver um número grande de candidatos concorrendo ao posto de “candidato do centro”, fica mais difícil emplacar um nome. “É evidente que tem um campo de eleitores que não quer nem Bolsonaro, nem Lula. Quem conseguir representar essa parcela da população pode agregar. Isso pode acontecer, mas depende muito de diminuir o número de candidatos”, acredita.
Líder do DEM na Câmara, o deputado Efraim Filho (PB) acredita que a entrada de Lula no cenário, ao mesmo tempo que fortalece o quadro de polarização, provoca as forças mais ao centro a se unirem para viabilizar uma candidatura competitiva. "Acho que essa situação gera um impulso que, por enquanto, não havia acontecido ainda", diz. A esperança é que haja um consenso em torno de uma opção de centro, não uma série de candidaturas.
“Há nomes que podem se organizar, mas é preciso competência para isso”, avalia Efraim. O cientista político André Pereira César, da Hold Assessoria Legislativa, lembra que essa busca não é fácil e não é de agora. “Para dar certo, o centro teria que acelerar um processo que já era de difícil entendimento”, aponta. A movimentação atual, segundo ele, não é nesse sentido. “Sinceramente, não vejo uma terceira via ganhando força. Precisaria achar um projeto, um discurso”, aponta.