Até pouco tempo, cerca de 90% das mortes pela Covid-19 eram referentes a idosos. Atualmente, esta taxa baixou consideravelmente. Para especialistas, o aumento no número de óbitos em pessoas de 40 anos para baixo ocorre porque estão se expondo mais e negligenciando os efeitos letais das variantes do vírus
Foto: Reprodução/Instagram

A notícia do falecimento da advogada Luciana Uchôa Esteves, 40 anos, uma das mais de 1,6 mil vítimas da Covid-19 no Amapá (dados de 27 de março), não somente abalou seus familiares como atingiu a sociedade com uma certeza que começava a ganhar contornos de verdade sombria naquela ocasião: o vírus estava infectando cada vez mais pessoas jovens. Além de advogada competente em sua área, Luciana também era professora universitária e tinha uma vida bem ativa no meio acadêmico.

Quem conheceu o médico Frederic Jota Lima, de 32 anos, estimava em pelo menos mais 50 anos de vida para o profissional que despontava como um dos mais talentosos em sua área de atuação. Nunca, na pior das premonições, alguém poderia afirmar que o jovem clínico geral sucumbiria às investidas devastadoras do novo coronavírus. Morreu no começo de março de 2021, em São Bernardo do Campo, cidade em que atuava no ABC Paulista. Segundo a prefeitura, ele não tinha comorbidades e foi atendido no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.
Alerta vermelho
Médicos de todo o mundo já avisaram e estão repetindo: a covid-19 não escolhe idade e mata idosos, adultos e jovens. O alerta vem sendo redobrado com a chegada da segunda onda, que tem elevado o número de pacientes jovens internados e mortos. Não é diferente no Amapá, que já contabiliza crescente número de vítimas jovens em meio à terrível pandemia que está atingindo pessoas que têm até 40 anos – essa é a faixa enquadrada na categoria dos jovens pela Saúde.
Para os especialistas, isso ocorre porque os jovens são os que mais se expõem ao sair de casa para trabalhar ou simplesmente encontrar os amigos, seja em uma quadra de esporte, seja na balada. Outro fator é que a nova cepa do coronavírus contamina mais e é mais letal, não poupando nem mesmo crianças.
Foto: Reprodução/Facebook

Partida precoce
A morte foi confirmada pela prefeitura da cidade e pela entidade Filantrópica APS Santa Marcelina, que publicou uma nota de pesar pelo falecimento do profissional. Frederic atuava como médico clínico, desde novembro de 2018, na UPA 26 de Agosto. Por meio de nota, o hospital Santa Marcelina manifestou condolências à família e a sua equipe de trabalho. “Em em oração, pede a Deus que conforte o coração de todos.”
A Prefeitura de São Bernardo, por meio da Secretaria de Saúde, informou que Frederic era médico contratado da rede municipal desde 21 de fevereiro de 2017. “Seu trabalho consistia em plantões uma vez por semana na UPA do Rudge Ramos.
Por meio das redes sociais, familiares também comentaram a morte do médico. “Obrigado por ter feito seu trabalho com muito louvor. Descanse em paz essa dor vai demorar passar”, afirmou a tia do rapaz. “Médicos, enfermeiros e todos da área médica a qualquer sintoma se cuidem”, escreveu.
O drama de Samuel
Jovens que acreditam que jamais serão infectados pelo coronavírus nem passarão pelas dolorosas experiências vividas por adultos e velhos nos hospitais precisam conhecer o drama de quem, em plena juventude, quase foi levado pela covid-19.
Há algumas semanas, estamos verificando que o número de pacientes jovens em estado grave da covid tem crescido muito nas nossas unidades de saúde. Muitos relaxaram nas próprias medidas de proteção, e isso precisa ser corrigido o quanto antes
— Infectologista Daniel Pompetti (Hospital Regional de Santa Maria/HRSM)

Há histórias trágicas, como a de Samuel Silva dos Santos, de 24 anos, que hoje está em um dos leitos de covid no Hospital de Santa Maria. Trabalhador autônomo, ele menosprezou as medidas e foi contaminado. O corpo não suportou a violência do vírus. Com extrema dificuldade para respirar, no dia 17 deste mês ele foi internado no HRSM. Ficou intubado durante seis dias até ser extubado.

LITERATURA AMAZÔNICA
O escritor e jornalista Emanoel Reis, editor deste site, publicou recentemente o romance intitulado “Trezoitão”. A obra é ambientada em duas cidades da Amazônia, Belém (PA) e Macapá (AP), e tem como personagens centrais o jornalista Eliano Calazans, 30 anos, repórter investigativo de um famoso jornal de grande circulação em Belém, capital do Pará, e o pistoleiro Cici Silveira, de codinome Trezoitão, muito ligado ao latifúndio (pecuaristas, madeireiros, carvoeiros, grileiros). Quer saber mais sobre esta obra?
Prostrado num dos leitos da UTI Covid e ainda respirando com a ajuda de aparelhos, Samuel concordou em falar sobre a sua dolorosa experiência. Com a voz debilitada, passou uma mensagem aos jovens que não se previnem: “Não dê bobeira, porque eu dei bobeira, não levei a sério e quase morri. Se não fosse intubado a tempo, teria morrido”.
Samuel reconhece que, assim como muitos outros jovens, não deu tanta importância às regras básicas que previnem a contaminação pelo coronavírus: usar máscara, lavar as mãos com sabão, higienizá-las com álcool gel e evitar aglomeração. São práticas que, agora, passam a fazer parte do cotidiano de todos os habitantes do planeta.
Edição: Emanoel Reis
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