Crianças amapaenses menores de cinco anos estão entre as com maior insegurança alimentar

Os resultados já foram entregues ao Ministério da Saúde em relatório técnico e serão apresentados à comunidade científica dia 21 de setembro, em um seminário online

Por Alana Granda

O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani 2019), divulgado no início de setembro de 2021, mostra que 47,1% das famílias brasileiras com crianças menores de cinco anos de idade vivem com algum grau de insegurança alimentar. Por grandes regiões, as maiores prevalências de insegurança alimentar foram detectadas nas regiões Norte (61,4% das famílias) e Nordeste (59,7%), enquanto 36,8% das famílias na Região Sul estão nesta situação, 38,9% no Centro-Oeste e 39,3% no Sudeste.


LITERATURA AMAZÔNICA
Terceiro livro de poemas de autoria do jornalista Emanoel Reis, “Almas Profanas — Poemas Transversos” representa momento de maturidade do autor em encontrar no trivial cotidiano a inspiração para produzir poemas livres de conceitos academistas, quase experimentais, exprimindo livremente sensações, desejos de carne, angústias intrínsecas, perplexidades diante da transversalidade da natureza humana. É um e-book com poucos poemas, todos construídos nos anos que antecederam a entrada oficial do poeta na chamada terceira idade. Embora o autor deixe bem claro que poetas e poesias são atemporais.

O estudo foi encomendado pelo Ministério da Saúde e é realizado por um consórcio de instituições públicas, sob a liderança da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Participam também a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e a Universidade Federal Fluminense (UFF).
A pesquisa foi feita por meio de questionário apresentado em visitas a cerca de 13 mil famílias, em 123 municípios brasileiros de 26 estados mais o Distrito Federal, entre fevereiro de 2019 e março de 2020, totalizando 14.558 crianças menores de 5 anos, residentes em 12.524 domicílios. As áreas urbanas concentravam 96,2% dessas crianças. O coordenador-geral do Enani Gilberto Kac, professor titular do Instituto de Nutrição Josué de Castro da UFRJ, disse que o resultado é muito preocupante. “É incrível que você tenha 47% dos domicílios em insegurança alimentar e, dependendo de onde você estiver se referindo, o problema é maior”.
Os dados são inéditos no país e devem subsidiar políticas públicas que garantam a saúde e a segurança alimentar e nutricional das crianças brasileiras.

Níveis de privações são utilizados para identificar áreas de carência

De acordo com o Enani 2019, mais de seis milhões de famílias brasileiras com crianças de até cinco anos de idade experimentaram algum grau de insegurança alimentar no período analisado e foram classificadas como insegurança alimentar leve (38,1%), moderada (5,2%) e grave (3,8%), que engloba famílias que passaram por privação efetivamente. “É um problema muito preocupante, infelizmente”. Gilberto Kac diz acreditar que a prevalência da insegurança alimentar pode ser ainda mais elevada, uma vez que a coleta dos dados foi efetuada antes da pandemia do novo coronavírus.
A pesquisa aplicou a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) para classificar a situação das famílias em quatro níveis: segurança alimentar, quando não há preocupação sobre o que comer; insegurança alimentar leve, quando há incerteza sobre a disponibilidade de alimentos em quantidade ou qualidade adequadas em um futuro próximo; insegurança alimentar moderada, quando é necessário mudar o padrão alimentar da família em razão da falta de acesso a alimentos; e insegurança alimentar grave, quando há redução significativa da alimentação.
Os dados são inéditos no país e devem subsidiar políticas públicas que garantam a saúde e a segurança alimentar e nutricional das crianças brasileiras. Os resultados já foram entregues ao Ministério da Saúde em relatório técnico e serão apresentados à comunidade científica dia 21 de setembro, em um seminário online.
A pesquisa aplicou a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) para classificar a situação das famílias em quatro níveis: segurança alimentar, quando não há preocupação sobre o que comer; insegurança alimentar leve, quando há incerteza sobre a disponibilidade de alimentos em quantidade ou qualidade adequadas em um futuro próximo; insegurança alimentar moderada, quando é necessário mudar o padrão alimentar da família em razão da falta de acesso a alimentos; e insegurança alimentar grave, quando há redução significativa da alimentação.
O estudo aponta desigualdades no acesso a alimentos em quantidade e qualidade adequadas segundo raça ou cor. Os domicílios brasileiros com crianças menores de 5 anos apresentaram grau de insegurança alimentar menor entre as brancas (40%), do que entre as pardas (51,2%) e pretas (58,3%). “Você primeiro reduz a qualidade e, depois, a quantidade (de alimentos), quando fala em insegurança alimentar”, esclareceu Gilberto Kac.

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LITERATURA AMAZÔNICA
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Estados da Região Norte apresentam mais deficiência alimentar

Entre as famílias que recebiam o benefício do Programa Bolsa Família no momento da coleta de dados, o grau de insegurança alimentar foi de 61,4%. Para as famílias que não recebiam nenhum benefício, o nível caiu para 38,5%. Entre as crianças menores de cinco anos, 42,8% possuíam familiar residente no domicílio que recebia algum benefício social. As maiores proporções de recebimento de qualquer benefício foram encontradas nas regiões Nordeste (57%) e Norte (53,5%). Por outro lado, a Região Sul mostrou a menor proporção (27,4%). O benefício do Programa Bolsa Família era recebido por 37,1% das famílias, as regiões Nordeste (51,7%) e Norte (47,6%) apresentaram as maiores proporções, contra a menor (18,7%) da Região Sul.
Outros relatórios do Enani 2019 serão divulgados até o terceiro trimestre de 2022. Essa é a primeira pesquisa com representatividade nacional a avaliar, simultaneamente, em crianças menores de 5 anos, práticas de aleitamento materno, alimentação complementar e consumo alimentar individual, estado nutricional antropométrico e deficiências de micronutrientes, incluindo as deficiências de ferro e vitamina A. A pesquisa tem financiamento da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
São ao todo oito relatórios financiados pelo Ministério das Saúde, que serão divulgados gradualmente à medida que ficarem prontos. Kac explicou que a insegurança alimentar tem sido estudada no Brasil desde 2004, em termos de pesquisas nacionais. A partir daí, houve um movimento de redução da insegurança, atingindo a mais baixa prevalência em 2013. Em 2018, a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já mostrou aumento da insegurança, que o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, divulgado este ano, confirmou. “Mostra que o problema está sério. Aumentou”, destacou o coordenador-geral do Enani 2019.

Edição: Emanoel Reis

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