Lula anuncia estratégia do PT para desconstrução do ex-juiz federal Sérgio Moro

A revelação foi feita pelo próprio ex-presidente em encontros com políticos realizados recentemente em Brasília

A estratégia anunciada pelo pré-candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em transformar o ex-juiz federal Sérgio Moro em alvo preferencial de seus ataques no decorrer da campanha eleitoral de 2022, vem sendo considerada um dos maiores equívocos políticos da safra do líder lulopetista, entre tantos outros cometidos por ele enquanto governou o País entre 2003 e 2010 (dois mandatos).

Durante encontros recentes em Brasília, ele comentou com os demais participantes sobre a plano de utilizar a Operação Lava-Jato “para embasar os discursos nos acontecimentos que culminaram em minha prisão”. Para quem participou da conversa, observou em Lula profundo sentimento de vingança contra Moro. “A todo instante, ele procurava desconstruir a imagem do ex-juiz, repetindo constantemente tratar-se de um mentiroso. O Lula sofreu, envelheceu, mas não mudou nada”, confidenciou um dos participantes do encontro com o ex-presidente, e que preferiu ficar no anonimato.


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Para renomados analistas políticos da Imprensa nacional, se o PT implementar a estratégia apresentada por Lula, em Brasília, e na hipótese de o ex-juiz federal despontar como presidenciável, qualquer operação de desconstrução da imagem dele resultará em efeito bumerangue. “Ou seja, Lula esquece de que as pesquisas de hoje, em que aparece com percentuais elevados, são resultados do mesmo sentimento popular de repulsa que consagrou Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e fez do petismo o grande vilão político. Mas ele parece ignorar isso, o cenário no Brasil é completamente diferente. Milhões de eleitores rejeitam tanto o petismo quanto o bolsonarismo. O problema é que Lula está exageradamente autoconfiante. E eleição é igual partida de futebol, só termina quando o juiz apita. Será que ele ainda lembra disso?” questionou.

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Conforme outro participante do encontro com Lula da Silva, cujo nome também pediu para ser mantido em sigilo, o crescente movimento político e empresarial pela construção de uma terceira via para 2022 não abalou o ex-presidente. “Falou com empáfia de que quando subir no caminhão, referindo-se aos comícios de campanha, estará subindo o candidato que está ganhando todas as pesquisas e que poderá ganhar no primeiro turno. Considerei isso muita pretensão, como se ainda estivesse em 2002, quando aparecia com altíssima aprovação eleitoral. O Lula tem muita rejeição, principalmente entre os eleitores que elegeram Bolsonaro. Essa maioria silenciosa está apostando numa terceira via. E Sérgio Moro pode ser essa terceira via”, assinalou

Escândalos atribuídos ao lulopetismo jamais serão esquecidos

Lula da Silva não foi condenado só pelo ex-juiz federal Sérgio Moro. Em novembro de 2019, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) confirmou, por unanimidade, a condenação dele no processo referente ao Sítio de Atibaia (SP) pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro. A pena, antes, de 12 anos e 11 meses, passara a ser de 17 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão em regime inicial fechado e pagamento de 422 dias-multa (com valor unitário do dia-multa de 2 salários mínimos).
Em outra ocasião, um recurso impetrado pela defesa de Lula contra condenação formulada pelo juiz Sérgio Moro acabou sendo rejeitado por três desembargadores da 8ª Turma do TRF-4. Na ocasião, os julgadores consideraram em seus votos que: 1) Lula recebeu propina da empreiteira OAS na forma de um apartamento triplex no Guarujá; 2) a propina foi oriunda de um esquema de corrupção na Petrobras; 3) o dinheiro saiu de uma conta da OAS que abastecia o PT em troca de favorecimento da empresa em contratos na Petrobras; 4) embora não tenha havido transferência formal para Lula, o imóvel foi reservado para ele, o que configura tentativa de ocultar o patrimônio (lavagem de dinheiro); 5) embora possa não ter havido “ato de ofício”, na forma de contrapartida à empresa, somente a aceitação da promessa de receber vantagem indevida mediante o poder de conceder o benefício à empreiteira já configura corrupção; 6) os fatos investigados na Operação Lava Jato revelam práticas de compra de apoio político de partidos idênticas às do escândalo do mensalão.
De acordo com notícias veiculadas na mídia da época, constava na sentença da 13ª Vara Federal de Curitiba que o ex-presidente teria participado do esquema criminoso deflagrado pela Operação Lava Jato, inclusive tendo ciência de que os diretores da Petrobras utilizavam seus cargos para recebimento de vantagens indevidas em favor de partidos e de agentes políticos.
Como parte de acertos de propinas destinadas ao Partido dos Trabalhadores (PT) em contratos da estatal, os Grupos Odebrecht e OAS teriam pagado vantagem indevida à Lula na forma de custeio de reformas no Sítio de Atibaia utilizado por ele e por sua família.
De acordo com os autos, em seis contratos da petrolífera, três firmados com o Grupo Odebrecht e outros três com o OAS, teriam ocorrido acertos de corrupção que também beneficiaram o ex-presidente.
“A questão é bem complicada. Lula acha que já ganhou, mas está esquecendo de combinar isso com milhões de eleitores que não acreditam mais nele, principalmente porque continua cercado pelos mesmos que estiveram envolvidos em escândalos anteriores às investigações da Lava-Jato, como o Mensalão e o Petrolão. O Supremo [Tribunal Federal] pode até tê-lo inocentado, mas o mesmo Supremo nunca vai conseguir apagar da memória popular o que Lula e o PT fizeram nos anos em que estiveram no poder”, lembra o cientista político Fernando Mello.

Edição: Emanoel Reis


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