Malafaia ameaça Alcolumbre, e políticos do Amapá mandam “pastorzinho” ler a Bíblia

A demora em marcar a sabatina do ministro “terrivelmente evangélico” revoltou Silas Malafaia. Incomodado, o pastor prometeu fazer campanha contra a reeleição do ex-presidente do Senado, em 2022. E a ameaça pode se concretizar se André Mendonça for reprovado na sabatina para o STF

Por Mônica Bergamo

Uma ameaça feita pelo pastor Silas Malafaia ao senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) provocou forte reação de políticos do estado em defesa do parlamentar.
Malafaia é um entusiasta da indicação do “terrivelmente evangélico” André Mendonça ao STF (Supremo Tribunal Federal), que tinha ficado parada até agora no Senado por causa da recusa de Alcolumbre em marcar a sabatina dele na Comissão de Constituição e Justiça.

“UMA MENSAGEM PARA ALCOLUMBRE ! Todo o jogo sujo que você está fazendo contra André Mendonça, a resposta dos evangélicos será dada no voto em seu estado . AGUARDE !”, escreveu o pastor na segunda (29) em seu perfil no Twitter.

Silas Malafaia, você acha mesmo que nosso povo vai trocar Davi Alcolumbre, que transformou o Amapá no estado que mais recebeu recursos federais, pelo senhor que não abriu mão nem de cobrar os cachês de suas pregações? Enquanto vossa senhoria tuíta, Davi Alcolumbre TRABALHA

— Pedro da Lua/Deputado Federal (PSC-AP)

“Até aceito um amapaense natural ou de coração palpitar sobre a nossa realidade. Mas um pastorzinho que se duvidar nem orar pelo Amapá ora, esse eu não aceito. E para de ser hipócrita, tu é igual a qualquer outro que defende um lado por pura conveniência. Vair orar, pastor”, escreveu também o secretário de Juventude do Amapá, Pedro Filé Lourenço, na rede de Malafaia.
“Vai ler a Bíblia, usa tuas redes sociais pra salvar vidas pra Jesus, usa tuas redes para desferir palavras de conforto para quem mais precisa nesse momento. Para de querer fazer da igreja e/ou do altar palanque político, isso é feio demais e Deus Castiga”, seguiu o secretário. “Quem é André Mendonça para o Amapá? Eu sei quem é Davi Alcolumbre e sei o quanto esse cara já fez. Se juntar todos os senadores que o Amapá já teve, não chega aos pés do que o Davi já entregou para a sociedade”, afirmou também Pedro Filé.

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A deputada federal Aline Gurgel (Republicanos-AP) reagiu a essa fala. “Com todo respeito a sua pessoa, pois tb reconheço a importância de André Mendonça, porém sua fala retrata infelizmente a velha política, faz o que quero que você terá voto, não faça o que quero vc não terá voto dos evangélicos, o toma lá dá cá! Cristão não deve agir assim”, disse ela.
Outras mensagens de pessoas do estado questionavam se Malafaia é mesmo cristão.

Sombra de antissemitismo incomodou senador amapaense

Recentemente, Silas Malafaia esteve em Brasília para tentar uma audiência com o senador Davi Alcolumbre, com quem julgava ter uma boa relação. O ex-presidente do Senado, no entanto, se recusou a recebê-lo e Malafaia mudou o tom. Enviou emissários com o recado de que trabalharia para evitar sua reeleição.
Desde que deixou clara sua resistência ao nome de André Mendonça, o ministro “terrivelmente evangélico” que o presidente Jair Bolsonaro prometera no Supremo Tribunal Federal (STF), Alcolumbre passou a ser alvo de ataques nas redes sociais. Um, em especial, irritou o senador: o que atribui ao fato de ele ser judeu a objeção a um ministro evangélico. Por conta dessa insinuação, o amapaense foi se queixar ao colega Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente da República.
Com os parlamentares evangélicos que recebeu, Alcolumbre foi evasivo e evitou dizer claramente o motivo pelo qual retarda a análise do nome de Mendonça. Mas avisou que antes do 7 de setembro, para quando estão marcadas manifestações bolsonaristas, não tem nem previsão de acontecer.

Edição: Emanoel Reis

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