Carbono sufoca Amazônia e expõe danos de mudanças climáticas irreversíveis

Estudo veiculado na revista Nature mostra como a região amazônica está ficando com clima e comportamento biológico desregulado

Por Waldick Junior

O aumento do desmatamento e as mudanças climáticas estão sufocando a Amazônia. O estudo recentemente divulgado pela revista Nature mostrou partes da maior floresta tropical do mundo produzindo mais gás carbônico do que conseguem absorver. A maior incidência desse fenômeno prejudicial está em áreas em que as queimadas e o desflorestamento estão em alta.


Para chegar a essa conclusão, nos últimos 11 anos os pesquisadores coletaram 590 amostras do ar amazônico. Foram escolhidos quatro locais da Amazônia e a altura variou de 300 metros a quatro quilômetros acima do nível do mar.

Infelizmente nós temos um hábito de usar fogo para manejo, abrir pastagem, agricultura. O pessoal desmata e espera três meses aquela madeira secar para tacar o fogo. E aí a vegetação está tão seca que avança para áreas que não se pretendia queimar. Então, com isso, além de diminuir a chuva, ainda provocamos mais queimadas, levando a muito mais mortes de árvores. É um círculo vicioso que só cresce

— Luciana Gatti/Diretora do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LaGEE)

A cientista ressaltou ainda ser essa a primeira vez em que um estudo aponta a dificuldade de parte da floresta em absorver carbono. Segundo os resultados, esse problema ocorre principalmente na Amazônia Oriental (Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso).
Apesar disso, o Amazonas também tem uma parcela de análise na pesquisa. No artigo publicado na Nature, os autores explicaram que o alto desmatamento está causando danos à floresta.
Recentemente, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia Legal foi de 1.062 km², o maior tamanho desde que começou a ser medido, em 2016. Além disso, o mês segue a tendência de recordes de queimadas em 2021. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe).


Foto: Arquivo pessoal
A cientista Luciana Gatti fala sobre o uso do fogo no manejo como “ação” comumente empregada na região amazônica
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LITERATURA AMAZÔNICA
O romance intitulado “Trezoitão”, de autoria do jornalista Emanoel Reis, está à venda na Loja Kindle. A história inicia com o assassinato de um deputado estadual, conhecido defensor de pequenos agricultores no interior do Pará. O autor do crime, codinome “Trezoitão”, é um matador de aluguel financiado por consórcio montado nos escaninhos do governo estadual, comandado pelo próprio governador. Ele é muito ligado ao latifúndio (pecuaristas, madeireiros, carvoeiros, grileiros). Toda a trama é ambientada nos Estados do Pará e Amapá. Quer saber mais sobre esta obra?

Como ocorre o fenômeno
Segundo os pesquisadores, há duas principais formas de o gás carbônico ser liberado na floresta amazônica. O primeiro se chama ‘emissão direta’ e é quando árvores são queimadas, produzindo o CO².
A outra forma, indireta, ocorre de maneira mais complexa. Com plantas e árvores na Amazônia, a região perde poder de criar chuvas. Sem as gotas d’água caindo do céu, as plantas passam por um processo de produzir mais gás carbônico que o normal.
Por fim, com o aumento de emissões diretas e indiretas, a floresta fica sem força para fazer todo o processo de absorção.

A degradação ambiental e o desmatamento são questões estruturais. A terra é algo sistêmico, se você move uma peça aqui, vai mexer com outra ali. Por isso, as emissões de gases, por exemplo, acabam repercutindo nos volumes naturais do ciclo da terra

— Marcos Castro/Doutor em Geografia Humana pela USP

Futuro da Amazônia
Com o avanço da degradação ambiental na floresta amazônica, os nove governadores da Amazônia Legal lançaram o Plano de Recuperação Verde (PRV).


As principais áreas a receber incentivos são o combate ao desmatamento ilegal, desenvolvimento sustentável, investimento em tecnologia verde e infraestrutura verde.
“Só vamos superar as ações criminosas na Amazônia com incentivos a outras atividades. Porém, esses incentivos hoje não existem. A região possui os menores indicadores do país, em todas as áreas e isso precisa ser mudado, de outra forma, não teremos floresta em pé de fato”, disse o governador do Maranhão, Flávio Dino.
Integram a Amazônia Legal os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.


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