Um olhar sobre a corrupção: 76% dos brasileiros apoiam a operação Lava Jato

Para 69% dos entrevistados, também há corrupção na administração de Jair Bolsonaro, mas 52% avaliam que na era petista foi ainda pior

Por Thaméa Danelon

A pesquisa Data Veritas, em parceria com IRG e Uninter, questionou o eleitorado sobre a percepção da corrupção nos governos Lula e Jair Bolsonaro. O resultado mostra que a Lava Jato deixou uma marca indelével e que o brasileiro está consciente de que o assalto aos cofres públicos continua.
Para 86% dos entrevistados, houve corrupção no governo do ex-presidiário, assim como 69% acreditam que há corrupção no atual governo, enquanto 52% avaliam que a gestão petista foi ainda mais corrupta.


Importante relembrar que em 2015 outra pesquisa com resultados semelhantes foi divulgada; o Datafolha apurou que a corrupção era considerada pela população como o maior problema do país. Segundo este instituto de pesquisa, essa foi a primeira vez que os brasileiros alçaram a corrupção ao pior dos males de nosso país. Após a corrupção, seguiam-se os demais infortúnios, como saúde e desemprego.


Lava Jato é nacionalmente reconhecida pelo combate aos esquemas de corrupção

Embora a Lava Jato tenha praticamente se encerrado em fevereiro de 2021, ainda hoje o brasileiro reconhece a importância dessa operação policial, pois, além de descortinar o maior esquema de corrupção da história do Brasil, e, possivelmente, do mundo, os resultados da Lava Jato jamais foram vistos anteriormente.


Em relação aos criminosos investigados, dois ex presidentes da República foram presos, o ex-presidente Lula e o ex-presidente Temer, sendo que o primeiro foi condenado em três instâncias e permaneceu preso por mais de um ano.
Além deles, outros dois ex-presidentes foram acusados por corrupção ou formação de organização criminosa – o ex- presidente Fernando Collor de Mello e a ex-presidente Dilma Roussef. Dois ex-chefes da casa civil – que é o segundo posto mais importante do Poder Executivo – foram condenados e presos por corrupção. Dois ex-presidentes da Câmara também foram detidos: Henrique Alves e Eduardo Cunha. Ao longo da operação, diversos criminosos realizaram delação premiada, e as pessoas jurídicas celebraram Acordos de Leniência. Uma única empresa fez um acordo com o Ministério Público e mencionou condutas ilícitas de 415 políticos; sendo esses de 26 partidos.

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Além disso, um senador e um governador foram presos no exercício de seus mandatos; e mais de um ex-governador foi encarcerado e acusado por corrupção. Dezenas de sócios e altos executivos das maiores empreiteiras do Brasil e do mundo foram condenados e também presos. Ademais, as investigações se espalharam por quase todos os Estados e partidos políticos do Brasil, e também alcançaram ao menos outros dez países da América Latina, tais como Angola, Argentina, Colômbia, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru, República Dominicana e Venezuela, atingindo, também, oito ex-presidentes estrangeiros.


LITERATURA AMAZÔNICA
O romance intitulado “Trezoitão”, de autoria do jornalista Emanoel Reis, está à venda na Loja Kindle. A história inicia com o assassinato de um deputado estadual, conhecido defensor de pequenos agricultores no interior do Pará. O autor do crime, codinome “Trezoitão”, é um matador de aluguel financiado por consórcio montado nos escaninhos do governo estadual, comandado pelo próprio governador. Ele é muito ligado ao latifúndio (pecuaristas, madeireiros, carvoeiros, grileiros). Toda a trama é ambientada nos Estados do Pará e Amapá. Quer saber mais sobre esta obra?

O resultado dessa pesquisa divulgado dia 24 de dezembro demonstra que a população brasileira não esqueceu e não esquecerá jamais desta operação policial histórica, que tentou depurar o nosso país do grande mal que é a corrupção.

Ex-juiz da Lava Jato vira alvo de perseguição implacável

Com o advento do nome do ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro como pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos, nas eleições de 2022, aumenta a busca por informações sobre a deflagração da Operação Lava Jato e de seus desdobramentos ao longo de quase oito anos em que atuou no combate aos esquemas de corrupção no Brasil. Relembrar as prisões de políticos e empresários poderosos, ou conhecer, com mais profundidade, as engrenagens da operação, tem levado muita gente às livrarias físicas ou virtuais em busca do livro produzido pelo jornalista da TV Globo, Vladimir Neto: “Lava Jato – O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil”.
Na obra, Neto acompanha as investigações desde seu início, em março de 2014, e, como num livro de suspense, vai revelando, pouco a pouco, os principais desdobramentos que expuseram o maior escândalo de corrupção do país. À medida que a operação avança, o leitor vai descobrindo quem são os personagens-chave do processo – doleiros, dirigentes da Petrobras, políticos e empreiteiros e como se articularam para desviar bilhões dos cofres da estatal.
Para traçar o perfil do juiz Sergio Moro, fio condutor desta história, o autor se debruça sobre seu trabalho: o vasto conhecimento técnico, as perguntas meticulosas, as sentenças fundamentadas e a coragem de enfrentar a pressão de advogados de renome. Repleto de informações de bastidor, ligações perigosas e diálogos de um cinismo impensável, este grande livro-reportagem, com ares de trama policial, é um registro histórico do conturbado período que o Brasil atravessou e ainda atravessa.

Por ter contrariado poderosos interesses na época em que comandava a Operação lava Jato, o ex-juiz vem sofrendo perseguição implacável por meio de fake news veiculados em sites e blogues apoiadores da pré-candidatura lulopetista.
Exemplo recente da perseguição sistemática orquestrada por hostes lulopetistas teve o jornalista Joaquim Carvalho, colunista do site Brasil 247, como protagonista. Carvalho desferiu potente golpe de clava nos costados do ex-juiz da Operação Lava Jato ao veicular informação sobre supostos “sinais exteriores de riqueza” emitidos por Moro em festa de sua despedida de Washington (EUA).


Janaina Paschoal: “Moro está sendo perseguido por ter chances”

Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images
Janaina Paschoal ocupou a tribuna do plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo para defender o ex-juiz da Lava Jato

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) saiu em defesa do pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos, Sergio Moro. Segundo ela, “goste-se dele ou não, ninguém pode desmerecer o serviço que o ex-juiz prestou à nação.”
No Twitter, Janaína afirmou que Moro “está sendo perseguido por ter chances reais de chegar à Presidência, e os bolsonaristas que o atacam, indiretamente, prestam serviço a Lula”. Disse que, independentemente de questões eleitorais, não se pode “compactuar com injustiças”.
O nome de Moro está envolvido em uma investigação que apura se houve conflito de interesses entre ele e a consultoria norte-americana Alvarez & Marsal —administradora judicial da Odebrecht. O ex-juiz da operação Lava Jato ocupava o cargo de sócio-diretor da empresa desde novembro de 2020.
A Odebrecht foi a maior empresa investigada na Lava Jato. Moro determinou a prisão de vários diretores da empresa, inclusive do seu então presidente, Marcelo Odebrecht, também um dos seus principais acionistas. Em razão da Lava Jato, a empresa mudou de nome para Novonor.
Mais cedo, o TCU (Tribunal de Contas da União) determinou ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e à Alvarez & Marsal que forneçam documentos sobre o rompimento do vínculo entre Moro e a empresa de consultoria.

“Armadilha”
Janaína disse confiar na “correção” de Moro. “Até em razão dos interesses que enfrentou, não descarto que os convites que recebeu já tenham sido feitos com a intenção de colocar em dúvida a sua honestidade”, escreveu.
Para a deputada, o ex-ministro pode ter caído em uma “armadilha” ao aceitar trabalhar na consultoria. “Sérgio Moro passou em um dos concursos mais difíceis que há. Aos 24 anos, já era autoridade. Qualquer avaliação que se faça a seu respeito precisa levar essa condição em consideração”.
Completou: “Bolsonaro não teria sido eleito não fosse o impeachment e a Lava Jato. Atacar a Lava Jato só beneficia Lula. Pensem nisso! Se houver segundo turno, precisaremos estar todos no mesmo palanque! Ou vão ficar neutros?”
Por fim, a deputada defendeu que “bater” em Sérgio Moro viabiliza uma eventual candidatura do governador João Doria. “Ou acham que ele desistiu de ser a terceira via? Pensem bem no que estão fazendo!”.


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