Poeta Thiago de Mello deixa legado humanista e de esperança

O amazonense morreu sexta-feira, 14 de janeiro, em Manaus, aos 95 anos. Sua poesia fica para o Brasil e para o mundo como um elo de crença no ser humano e na natureza

Por Pedro Almeida

Thiago de Mello, um dos poetas mais influentes do país e ícone da literatura regional amazonense, morreu aos 95 anos. A informação foi dada pelo escritor Sérgio Freire via internet e logo foi confirmada pelos veículos de imprensa. O poeta morreu em casa, em Manaus. A causa da morte não foi divulgada.

Amadeu Thiago de Mello nasceu em Barreirinha, município no interior do Amazonas, em 30 de março de 1926. Aos cinco anos, foi com a família para Manaus, onde iniciou os estudos no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e, em seguida, no Ginásio Pedro II. Anos depois, se mudou para a então capital, Rio de Janeiro. Em 1946, ingressou na Faculdade Nacional de Medicina, mas abandonou o curso para seguir a carreira literária.


LITERATURA AMAZÔNICA
O romance intitulado “Trezoitão”, de autoria do jornalista Emanoel Reis, está à venda na Loja Kindle. A história inicia com o assassinato de um deputado estadual, conhecido defensor de pequenos agricultores no interior do Pará. O autor do crime, codinome “Trezoitão”, é um matador de aluguel financiado por consórcio montado nos escaninhos do governo estadual, comandado pelo próprio governador. Ele é muito ligado ao latifúndio (pecuaristas, madeireiros, carvoeiros, grileiros). Toda a trama é ambientada nos Estados do Pará e Amapá. Quer saber mais sobre esta obra?

O escritor debutou em 1947 com o volume de poesias Coração da terra. Em 1950, teve o poema Tenso por meus olhos publicado no jornal Correio da Manhã, famoso periódico da época. Nos anos seguintes, lançou uma trinca de livros que o consolidariam: a obra Silêncio e palavra, aclamada pela crítica, chegou em 1951; em seguida, Narciso cego, de 1952; por fim, A lenda da rosa, de 1957.

Adido cultural
Em 1957, recebeu o convite para dirigir o Departamento Cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro. No final da década de 1950, foi adido cultural, espécie de funcionário diplomático a serviço da cultura, na Bolívia e Peru. No início dos anos 1960, ainda pré-ditadura, mudou o foco do trabalho para Santiago, no Chile. Por lá, conheceu o célebre poeta Pablo Neruda, de quem tornou-se amigo. A relação serviu de início para a carreira de tradutor de Mello, que trabalhou em trazer para o português uma antologia poética do autor.

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O poema “Os estatutos do homem” nasceu como um brado pela liberdade

Com o golpe militar brasileiro de 1964, Thiago se afastou do posto de adido cultural e voltou a morar no Rio de Janeiro. A indignação com a situação política do país apareceu nos trabalhos literários. À luz do desprezo às torturas aplicadas pelos militares e ao Ato Inconstitucional nº 1, escreveu aquele se tornaria o poema mais famoso, Os estatutos do homem.


Em 1975, editou o livro Poesia comprometida com a minha e a tua vida, que rendeu o prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos de Arte. O engajamento do autor na luta por direitos humanos o tornou internacionalmente conhecido. Ainda exilado, peregrinou pela Europa e morou em países como Portugal, Alemanha e França.
Em 2006, à ocasião dos 80 anos do autor, a editora Karmim lançou o cd comemorativo A criação do mundo, com poemas selecionados e declamados pelo próprio poeta, acompanhado por arranjos musicais feitos pelo irmão mais novo, Gaudêncio. Thiago de Mello é membro da Academia Amazonense de Letras e recebeu o destaque de Personalidade Literária do Prêmio Jabuti em 2018, pelo conjunto da obra.


LITERATURA AMAZÔNICA
Terceiro livro de poemas de autoria do jornalista Emanoel Reis, “Almas Profanas — Poemas Transversos” representa momento de maturidade do autor em encontrar no trivial cotidiano a inspiração para produzir poemas livres de conceitos academistas, quase experimentais, exprimindo livremente sensações, desejos de carne, angústias intrínsecas, perplexidades diante da transversalidade da natureza humana. É um e-book com poucos poemas, todos construídos nos anos que antecederam a entrada oficial do poeta na chamada terceira idade. Embora o autor deixe bem claro que poetas e poesias são atemporais.

Morte de poeta amazonense repercute no Brasil e no mundo

Wilson Lima, governador do Amazonas, decretou luto de três dias pela morte do autor. “É uma perda irreparável para nossa cultura. Que Deus conforte familiares e amigos do nosso grande poeta”, afirmou o governador.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez também se manifestou. “Nossa sentida homenagem na partida de Thiago de Mello, com a eterna esperança de que se faça realidade, em breve, seus Estatutos do homem”, escreveu o chefe do executivo cubano em uma rede social.


O teólogo Leonardo Boff, a associação folclórica amazonense Boi Garantido e o escritor Marcelo Moutinho foram alguns dos quais compartilharam trechos da obra do autor nas redes sociais.
O poeta gaúcho Fabrício Carpinejar afirma: “Não se morre mais depois de ler um poema de Thiago de Mello”.
Thiago de Mello foi homenageado na 34ª Bienal de São Paulo, que usou o verso “faz escuro mas eu canto” como tema. O poeta também foi um dos convidados da 1ª Bienal Brasília do Livro e da Leitura, em 2012.


LITERATURA AMAZÔNICA
Está disponível em e-book na Loja Kindle o livro “Trivial Cotidiano – Crônicas do Caos Sem Fim”, de autoria do Jornalista e Teólogo Emanoel Reis. A obra reúne crônicas versadas sobre assuntos variados, construídos a partir de episódios corriqueiros catalogados pelo autor ao longo de cinco anos de observações. O desafio, segundo afirma, é extrair lições de vida de qualquer cenário ou acontecimento aparentemente insignificante, como uma trombada na coluna interna de uma agência bancária ou um tropeção em cacos de tijolos dispersos sobre uma calçada.




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