Jovens se politizam com influenciadores nas redes enquanto rejeitam a política tradicional

Estudo mostra que jovens de 16 a 24 anos se informam sobre política por meio de canais não tradicionais em que a mensagem política “acontece de forma incidental” e não partidarizada

A pesquisa “Juventude e Democracia na América Latina” indica que os jovens de 16 a 24 anos se informam sobre política por meio de canais supostamente não politizados, enquanto rejeitam a política tradicional e meios abertamente partidarizados. De acordo com o estudo – realizado no Brasil, Argentina, Colômbia e México –, a nova geração explora meios alternativos das redes como influenciadores de maquiagem e estilo de vida no Instagram e Youtube. Assim como games online, canais de empreendedorismo, tiktokers, cantores gospel, gurus de investimento e rappers em que se identificam com as visões de mundo que os ajudam a moldar suas próprias posições políticas.


O estudo foi encomendado pela Luminate, organização filantrópica global, e coordenado pela socióloga Esther Solano, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e pela cientista política Camila Rocha, autora do livro Menos Marx, mais Mises: o liberalismo e a nova direita no Brasil (Todavia, 2021). E mostra que os jovens, ao mesmo tempo em que usam as redes sociais para socializar, também se engajam politicamente. Segundo as pesquisadoras, muitos entrevistados disseram ter começado a adquirir consciência política ao ver comentários nas redes de pessoas que seguiam ou influenciadores que gostavam.

O mesmo jovem que segue o presidente Jair Bolsonaro ou o ex-presidente Lula falando de política também assiste a stories de empreendedores que, tangencial ou diretamente, se posicionam politicamente, ou segue um grupo musical que levanta uma bandeira antirracista ou um tiktoker que faz vídeo satírico ridicularizando a última polêmica política do dia

— Esther Solano/Professora da Unifesp

O que pode engajar a juventude na política convencional

Há, contudo, segundo a socióloga, uma rejeição à tentativa aberta dos influenciadores de partidarizarem ou tentarem politizar de forma mais direta o público. “Querem uma coisa mais sutil, que não pareça contaminada pelo partidarismo. A mensagem política acontece de forma incidental”, exemplificou. Ela aponta que, independentemente da ideologia, a percepção do grupo sobre os partidos políticas é bastante negativa.
No Brasil, uma das influenciadoras mais citadas pelos entrevistados foi a vencedora de um reality show Juliette Freire, que tem mais de 33 milhões de seguidores no Instagram.


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Isso porque, segundo a pesquisa, elas misturam valores e modelos familiares tradicionais com formas de empoderamento feminino. Além disso, vários jovens dos quatro países afirmaram trocar informações e posicionamento político em jogos on-line. A discussão sobre política também ocorre em perfis de fofoca nas redes.
O estudo mostra que a principal forma de engajamento da juventude é por meio de causas também levantadas pelos influenciadores. Entre elas, estão desde a luta contra a desigualdade e a pobreza até os valores da chamada “família tradicional” e o conservadorismo. Assim como a defesa do meio ambiente e dos direitos LGBTQIA+ e das mulheres.


LITERATURA AMAZÔNICA
O romance intitulado “Trezoitão”, de autoria do jornalista Emanoel Reis, está à venda na Loja Kindle. A história inicia com o assassinato de um deputado estadual, conhecido defensor de pequenos agricultores no interior do Pará. O autor do crime, codinome “Trezoitão”, é um matador de aluguel financiado por consórcio montado nos escaninhos do governo estadual, comandado pelo próprio governador. Ele é muito ligado ao latifúndio (pecuaristas, madeireiros, carvoeiros, grileiros). Toda a trama é ambientada nos Estados do Pará e Amapá. Quer saber mais sobre esta obra?

Juventude indiferente, sociedade conformada!

Por Thyago Duarte

No entanto, toda generalização se torna burra, por gerar uma indiferença e um conformismo que fazem com que as coisas não melhorem e que, aqueles que têm a motivação de atuar em causa própria, se sobressaiam.
Reconheço que sou um tanto utopista na maneira de ver e pensar a política, mas acredito muito que a única forma de mudar é arregaçando as mangas. Gosto muito da frase atribuída a Platão, que diz que “o castigo dos bons que não fazem política é ser governados pelos maus”, pois ela define bem o peso e as conseqüências da nossa indiferença.
Mas, assim como me preocupa o descaso dos jovens com a política, também me deixa inquieto a juventude partidária que não se preocupa com uma formação política que lhe permita ser e fazer diferente no meio. A renovação da classe política deve se dar, antes de tudo, por práticas e não somente por nomes. Portanto, de nada adianta mudar os nomes se persistirem velhos hábitos.


Agir com indiferença enquanto uma obra superfaturada tira verbas da educação e da saúde é no mínimo, sinal de total descaso com o bem comum. Precisamos ter a convicção de que uma sociedade melhor passa, diretamente, pela vontade coletiva dos jovens, e pelo engajamento, senão na política partidária, ao menos de cidadão politizado, buscando conhecer a atuação das pessoas e votando consciente, diferente das eleições atuais em que os marketeiros são mais importantes que o candidato em si, em uma vitória.
Não tenho a pretensão de mudar o mundo, mas ao menos de antenar as pessoas mais próximas para a necessidade de compreendermos e sermos sujeitos ativos no mundo que vivemos, pois essa é a única forma de sermos verdadeiramente uma sociedade, no sentido literal da palavra.

Termômetro das redes indica conservadorismo nos engajamentos

A pesquisa consultou números iguais de jovens de diferentes espectros políticos. Incluindo aqueles que não se identificam com as principais opções políticas ou que não votaram nas últimas eleições em seus respectivos países. Entre os portais de política, o destaque ficou para as páginas do Mídia Ninja, Quebrando o Tabu e Conexão Política Brasil – de direita. Há também um número grande de influenciadores conservadores e cristãos citados, como Silas Malafaia e o vereador Gabriel Monteiro (PSD-RJ), ex-policial militar e youtuber.
Esther Solano ressalta que a forma como a juventude se engaja – por meio de comentários e opiniões nas redes – faz com que ela enxergue a política “totalmente atrelada à dinâmica da polarização, ao discurso de ódio e intolerância tão típicos das redes sociais”. A socióloga acrescenta que, embora informados sobre a polêmica do momento, os jovens “admitem que não fazem ideia de como funcionam os aspectos mais prosaicos da política – o processo de votação de uma lei, quem é o presidente da Câmara e do Senado, a burocracia do Estado e o cotidiano do governo”, descreve.


LITERATURA AMAZÔNICA
Está disponível em e-book na Loja Kindle o livro “Trivial Cotidiano – Crônicas do Caos Sem Fim”, de autoria do Jornalista e Teólogo Emanoel Reis. A obra reúne crônicas versadas sobre assuntos variados, construídos a partir de episódios corriqueiros catalogados pelo autor ao longo de cinco anos de observações. O desafio, segundo afirma, é extrair lições de vida de qualquer cenário ou acontecimento aparentemente insignificante, como uma trombada na coluna interna de uma agência bancária ou um tropeção em cacos de tijolos dispersos sobre uma calçada.

Visão sobre a imprensa tradicional é carregada de desconfianças

O estudo também aborda uma relação de desconfiança dessa população com a imprensa tradicional. Embora ela ainda seja um meio de credibilidade para confirmar informações, os entrevistados disseram não se sentir representados pela mídia comercial. A rejeição é completa por parte de jovens bolsonaristas que acreditam que a imprensa está contra o presidente da República e manipula as informações para atacar seu governo. À pesquisa, eles descreveram como “fonte de informação confiável” as lives de Bolsonaro e influenciadores bolsonaristas.
Diretor para América Latina da Luminate, Felipe Estefan afirma que há diversas consequências sobre a extração de informações políticas pelas redes sociais. Entre elas, a tendência é que esses jovens tenham dificuldades de diferenciar fatos de opiniões e chegar as suas próprias conclusões baseadas em fatos. “Outra consequência é que os jovens podem ficar ainda mais polarizados e sua confiança nas instituições pode se reduzir, por causa do tipo de informação que consomem. Influenciadores e personalidades das redes sociais têm incentivos para fazer declarações controversas, bizarras ou simplistas para atrair mais seguidores e engajamento”, alerta.




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