Alerta foi feito depois de o presidente Jair Bolsonaro ter novamente defendido a ditadura militar, atacado o Judiciário e colocado em dúvida as urnas eletrônicas
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, afirmou que a democracia no Brasil está ameaçada, que a justiça eleitoral vem sofrendo ataques e que é preciso defender o processo eleitoral no país. As declarações foram feitas durante discurso de abertura no encontro com presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais do Nordeste.

A Justiça Eleitoral está sob ataque. A democracia está ameaçada. A sociedade constitucional está em alerta. Impende, no cumprimento dos deveres inerentes à legalidade constitucional, defender a Justiça Eleitoral, a democracia e o processo eleitoral.
— Edson Fachin/Ministro do STF
“Não vamos aguçar o circo de narrativas conspiratórias das redes sociais, nem animar a discórdia e a desordem, muito menos agendas antidemocráticas. Nosso objetivo, neste ano, que corresponde ao nonagésimo aniversário da Justiça Eleitoral, é garantir que os resultados do pleito eleitoral correspondam à vontade legítima dos eleitores”, declarou o presidente do TSE.

“Sem ditadura, seríamos uma republiqueta”, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, durante cerimônia na qual oficializou a saída de ministros para a disputa das eleições, que o Brasil seria uma “republiqueta” se não fossem as obras do “governo militar”, se referindo ao período em que o país viveu sob ditadura.
O que seria do Brasil sem as obras do governo militar? Não seria nada! Seríamos uma republiqueta.
— Jair Bolsonaro/Presidente da República
O Brasil viveu os momentos mais duros da sua história recente na época da ditadura militar, que durou 21 anos, entre 1964 e 1985. O período foi marcado por torturas e ausência de direitos humanos, censura e ataque à imprensa, baixa representação política e sindical, precarização do trabalho, além de uma saúde pública fragilizada, corrupção e falta de transparência. A declaração de Bolsonaro ocorre no dia em que o golpe militar completa 58 anos. O presidente ignorou a história brasileira e disse que “nada” ocorreu em 31 de março de 1964, quando o então presidente João Goulart foi derrubado e teve início o regime de exceção.
A declaração de Bolsonaro ocorre no dia em que o golpe militar completou 58 anos (31 de março de 2022). O presidente ignorou a história brasileira e disse que “nada” ocorreu em 31 de março de 1964, quando o então presidente João Goulart foi derrubado e teve início o regime de exceção.
Bolsonaro elogiou obras faraônicas do período militar —que foram focos de corrupção— e ainda fez comparações entre a ditadura e o seu governo.
“O que seria da Amazônia sem Castello Branco, que criou Zona Franca de Manaus? Todos aqui tinham direito, deputado Silveira, de ir e vir”, afirmou o chefe do Executivo, citando o deputado Daniel Silveira (União Brasil-RJ), que estava na plateia — ele está sob medidas restritivas por atentar contra a democracia. “A composição dos ministérios (na ditadura) era parecida com os meus ministérios”, acrescentou.


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