Pouquíssimas figuras entraram para a história como o interventor Pôncio Pilatos. Apareceu no cenário com uma só ação, depois desapareceu deixando poucos rastros. Além disso, surge como uma figura ambígua. Afinal, quem era Pôncio Pilatos? As únicas quatro fontes históricas sobre este personagem encontram-se nos textos de Flavio Josefo e Fílon de Alexandria, uma menção de Tácito e a inscrição em uma pedra achada em 1961.
Pilatos estava na Judeia desde o ano 26 a.C. Chegou com 40 anos de idade. Sabe-se que não vivia em Jerusalém, e sim em Cesareia, a capital, perto da Síria. Cidade pagã e litorânea, de clima agradável. Fora isso, não existe mais nada sobre sua vida anterior, nem seu nome. É possível que fosse Lúcio ou Tito. Seu primeiro episódio conhecido, relatado por Flávio Josefo, foi um incidente ocorrido assim que assumiu o cargo. Entrou à noite em Jerusalém com as tropas, que levavam insígnias e retratos do imperador, algo proibido na religião judaica, que se opunha às imagens na Cidade Santa.

Uma multidão se congregou por cinco dias diante do seu palácio para exigir que fossem retiradas, e no sexto dia a situação estourou: Pilatos mandou a guarda dissolver a multidão à força. Mas os judeus se jogaram no chão dispostos ao sacrifício, algo que deixou Pilatos estupefato. Viu então que a religião era algo “passional e decisivo” para aquela gente, e isso condicionou sua atitude posterior, para se movimentar com mais tato.

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