Execução de idoso durante jogatina em Macapá expõe um negócio obscuro altamente rentável

Morte em disputa de carteado revelou que um dos mecanismos do jogo clandestino na capital amapaense é o funcionamento em imóveis aparentemente insuspeitos


O assassinato do aposentado Renato Soares Ferreira, de 64 anos, ocorrido em um imóvel localizado na avenida Anhenguera, no Beirol, zona sul de Macapá, descortinou para a sociedade o que muita gente sabe da existência ilegal mas prefere fazer “vistas-grossas”: o funcionamento de incontáveis casas clandestinas de jogos de azar. Elas são encontradas tanto em ambientes de classe média quanto em condomínios de luxo, onde acontecem apostas elevadas e, ocasionalmente, há discussões com xingamentos mútuos e até ameaças de morte.

Foi o que aconteceu com Renato Ferreira, ao perceber os movimentos supostamente fraudulentos realizados pelo agora acusado de homicídio. Durante a partida, notou alterações anormais na formação das cartas manuseadas pelo suspeito, que jogava armado com um revólver calibre 38. Quatro jogadores estavam à mesa quando Renato insinuou que o jogo estava sendo trapaceado e imediatamente fora atingido no peito por três tiros à queima-roupa.
Não existe um levantamento formal, mas extraoficialmente sabe-se que as jogatinas são patrocinadas por quem sobrevive de percentuais extraídos de cada rodada, ou dos recursos obtidos nas máquinas de jogos de azar. Quase sempre, este tipo de contravenção penal, configurada tanto no Código Penal Brasileiro (Decreto Lei 2848/1940) quanto na Lei das Contravenções Penais (Decreto Lei 3688/1941), é praticada com a conveniência de familiares, amigos e vizinhos.

Atingido pelos tiros, Renato saiu cambaleando e morreu sobre a calçada após deixar o imóvel onde passara a noite jogando baralho
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Casos como o do idoso executado com três tiros numa casa clandestina de jogo no Beirol, zona sul de Macapá, ocorrem com relativa frequência por conta da tolerância social à prática ilegal e à ausência de uma fiscalização mais eficiente por parte das autoridades. Segundo testemunhas ouvidas pela reportagem do AMAZÔNIA VIA AMAPÁ, Renato Ferreira era um assíduo frequentador da casa de jogo localizada na avenida Anhenguera. Mas, nunca havia se metido em confusão. Pelo menos, não que tenham notado até a manhã de terça-feira, 19 de abril.

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Pessoas com dependência em jogos de azar são mais vulneráveis às ações de violência próprias deste tipo de negócio. As causas das agressões ou execuções estão, invariavelmente, relacionadas a dívidas de jogo, ou confrontos resultantes de questionamentos de resultados dos jogos. Os exploradores de jogos de azar infestaram a capital amapaense com casas de bingos, videopôquer e máquinas caça-níqueis.
Para escapar das autoridades e conferir uma falsa segurança aos clientes, os contraventores desenvolveram mecanismos para ocultar a jogatina. Dentre as estratégias, está o uso de quitinetes. Os organizadores das jogatinas passaram a utilizar este tipo de imóvel para ocultar os jogos e seus apostadores. Os pequenos apartamentos são previamente preparados especialmente para esta finalidade e contam apenas com um banheiro e uma pequena cozinha de apoio para servir bebidas e comida. Com cortinas blackout, quem passa pela rua não imagina que o jogo corre solto no local.

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