Comunidades quilombolas ainda vivem isoladas no interior do Amapá

Foto: Gabriel Penha

Comunidades vivem no isolamento, físico e social, onde o poder público parece nunca ter chegado

Em tempos de Internet 5G, quando a informação circula em tempo real, a tecnologia diminui a distância entre as pessoas, a globalização faz o mundo caminhar para se transformar em uma grande aldeia cultural, mesmo com a correria dos centros urbanos, o Amapá ainda guarda recantos que parecem ter parado no tempo. Esta é a realidade encontrada nas comunidades de São José e Santo Antônio da Cachoeira, no município de Laranjal do Jari, e na de Tapereira, em Vitória do Jari.

Para chegar às comunidades de São José e Santo Antônio da Cachoeira só descendo o rio Jari, navegando de voadeira por aproximadamente 45 minutos. Na vila de São José, vivem cerca de 13 famílias – mais de 150 pessoas – acomodadas em casebres de madeira. Energia elétrica só uma ou duas horas por dia, graças a um pequeno gerador adquirido pela própria comunidade, que também se une para comprar o óleo diesel.


Benedito Ferreira Dutra é um dos moradores mais antigos. Ele conta que a mãe, Raimunda Pinto Dutra, faleceu com mais de cem anos de idade e chegou à região há mais de cinquenta anos. Sobre o acesso à saúde, ele diz que até aqui, apenas a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) esteve no lugarejo por duas vezes, mas apenas coletando informações.

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Até aqui nada de concreto. Quando alguém adoece gravemente é uma verdadeira peleja para conseguir levar para o [Laranjal do] Jari. Também temos que ir à Laranjal de barco para fazer feira e comprar outras mercadorias. Aqui, a gente vive de pesca e agricultura, mas agora não temos nem isso. São dias difíceis.

— Benedito Ferreira Dutra

Moradores buscam alternativas de trabalho para ganhar algum dinheiro

A escassez de peixe e caça e as dificuldades para desenvolver a agricultura empurram os moradores para trabalhar e cumprir extensas jornadas de trabalho na iniciativa privada. Um morador relata que chega a trabalhar 12 horas por dia, seis dias por semana, para ganhar um salário mínimo. “Fazer o quê? Precisamos do dinheiro pra sobreviver”, desabafa.
Outro desafio é a educação. A maior escolaridade encontrada foi o ensino fundamental completo. Depois, é preciso ir para a sede de Laranjal para continuar, mas é difícil se manter lá, como conta Geovani, à época com 23 anos, que deixou a comunidade para continuar os estudos e formar-se em Magistério. “Consegui me formar com muita dificuldade”, relata ele.


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