Após denunciar abandono de escola infantil, professora de Macapá é sumariamente exonerada por prefeito vingativo

Odazilma Quaresma Mendes divulgou áudio em rede social de professores questionando as afirmações de Antônio Furlan — Foto: Reprodução

Um caso típico de gestor inconformado com a liberdade de expressão de seus servidores vem sendo comentado em toda a capital do Amapá. Após saber que foi desmentido por professora, o prefeito de Macapá, Antônio Furlan, a exonerou do cargo de diretora

Soltando fogo pelas ventas.
Assim ficou o prefeito de Macapá, Antônio Furlan (Cidadania), ao ser informado sobre a participação da professora Odazilma Quaresma Mendes no vídeo gravado pelo vereador Pedro da Lua (PSC) dentro da Escola Municipal de Ensino Infantil Meu Pé de Laranja Lima, localizada na avenida Profa. Cora de Carvalho, bairro Santa Rita.
Antes da reação intempestiva em seu gabinente, no Palácio Laurindo Banha, sede do executivo municipal, Furlan também havia gravado vídeo no interior da instituição falando sobre reformas em andamento e anunciando a conclusão delas para 19 de abril.

Na peça de publicidade, o gestor afirma, peremptório, que o trabalho já estava finalizado e a escola pronta para receber os alunos. O acompanham duas mulheres, uma delas é Odazilma Quaresma, com ar constrangido. Ela chega a olhá-lo, com expressão de surpresa, após ouvir as afirmações equivocadas.
Veja a seguir vídeo do prefeito:

A professora Odazilma Quaresma está ao lado esquerdo do prefeito Antônio Furlan

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Dias antes, Odazilma havia denunciado a situação precária da tradicional escola de Macapá, apontando graves problemas infraestruturais no prédio, inclusive, relatando falta de manutenção no telhado, nas salas, nas dependências da diretoria e sala dos professores, banheiros com vazamentos e alagados, e mobiliário arruinado.
Ouça a seguir áudio da professora:

Na Câmara de Vereadores de Macapá, Pedro da Lua ficou sabendo que as obras na EMEI Meu Pé de Laranja Lima foram iniciadas sem o devido cumprimento da obrigatoriedade legal do afixamento de placa na frente do prédio contendo informações sobre contrato, a duração da obra e a data estimada de conclusão.
Nenhuma informação sobre custos.
E isso desde fevereiro, início dos serviços.
O social-cristão decidiu checar a veracidade das informações recebidas no legislativo municipal. Foi pessoalmente à escola.
Logo na chegada, encontrou um monturo de lixo sobre a calçada. Pedaços de madeira, cacos de telha, restos de forros misturados a lixo comum. Ao percorrer corredores e salas de aula, constatou que o sistema elétrico estava desligado. “Não tem energia, gente”, avisou.

Veja a seguir o vídeo do vereador:

As salas de aula, que em dias normais atendem mais de 560 alunos, de 4 a 6 anos, estavam abarrotadas com montes de carteiras sujas e quebradas, mesas inutilizadas, quadros usados pelos professores igualmente estragados. “Um cheiro de mofo insuportável”, denunciou da Lua.
Também encontrou banheiros e cozinha sujos e alagados, móveis avariados, lixeiras espalhadas pelo chão, pias, descargas e vasos sanitários danificados.

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A EMEI Meu Pé de Laranja Lima foi inaugurada no dia 21 de setembro de 1972. Na ocasião, recebeu o nome Jardim de Infância “Meu Pé de Laranja Lima”, em homenagem à obra do autor José Mauro de Vasconcelos. Cinquenta e um ano depois, parece prédio alvejado por bombas disparadas por blindados russos.
Pedro da Lua duvida que o prefeito Antônio Furlan consiga entregar a escola pronta para ser ocupada por docentes e discentes no prazo estabelecido. Soube, por meio de sua rede de colaboradores, que o prefeito de Macapá ficou enfurecido quando informado de sua visita na instituição.
Quanto à professora Odazilma Quaresma Mendes, na sexta-feira, 14 de abril, ela amanheceu no cargo de provimento em comissão de diretora da EMEI Meu Pé de Laranja Lima. Mas não anoiteceu na mesma função.
Antônio Furlan retaliou. Sem dó nem piedade, decretou a exoneração de Odazilma, publicada no Diário Oficial por ordem expressa dele.
O vereador lamentou. “O cara [prefeito de Macapá] é um covarde. A mulher nem sabia que eu visitaria a escola.”

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