Maduro prepara ofensiva militar contra país vizinho, alerta órgão de inteligência dos Estados Unidos

Ditador venezuelano ordenou que o comando militar prepare a invasão à minúscula Guiana — Foto: Reprodução YouTube

A Venezuela alega ter soberania sobre o Essequibo, uma região de quase 160 mil quilômetros quadrados que corresponde a 70% do território da Guiana

Um relatório do think tank americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) divulgado em maio apontou a possibilidade de a Venezuela invadir a vizinha Guiana após a eleição presidencial de 28 de julho, com o objetivo de tirar do foco a indignação nacional e internacional diante de um (provável) resultado fraudulento.
Analistas ponderam que o ditador Nicolás Maduro dificilmente teria condições de promover uma guerra contra os guianenses, mas a escalada da retórica do regime chavista vem aumentando a preocupação de que ocorra uma ofensiva militar.
O relatório do CSIS descreve a hipótese levantada por muitos analistas de que o discurso agressivo pela tomada do Essequibo visa desviar a atenção da crise política, social e econômica na Venezuela.

“A partir desta premissa, [especialistas] argumentam que a importância do Essequibo pode diminuir após a ‘reeleição’ de Maduro. Pelo contrário, o curso de ação que Maduro seguirá depois de 28 de julho pode revelar-se ainda mais perigoso”, alertou o think tank americano.

No mesmo relatório, o CSIS disse que o inflamado discurso chavista sobre o Essequibo, a construção de infraestruturas e a alocação de tropas e equipamentos militares que a Venezuela está realizando perto da fronteira com a Guiana estão “colaborando para institucionalizar um sentimento de perpétua posição pré-guerra”.


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Tensão com a Guiana aumentou em maio

Uma decisão internacional do final do século XIX determinou que o Essequibo era do Reino Unido, de quem a Guiana obteve independência em 1966. Nesse ano, foi assinado um acordo para que a disputa com a Venezuela fosse resolvida por uma corte internacional, o que nunca aconteceu.
Uma demanda da Guiana para que o caso seja decidido pela Corte Internacional de Justiça (CIJ) tramita desde 2018.
A disputa se tornou mais tensa a partir de dezembro do ano passado, quando, num referendo questionado, a Venezuela aprovou medidas para a anexação do Essequibo. Desde então, o chavismo aprovou a criação de um estado venezuelano e de uma área de segurança na área, entre outras medidas.

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O relatório do CSIS apontou que a Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb), as forças armadas da Venezuela, acumularam muito poder sob o chavismo, e que Maduro “espera receber várias coisas em troca” dessa proeminência.
Essas “recompensas” incluiriam a repressão de opositores e “garantir a segurança do seu regime” após uma provável vitória eleitoral fraudulenta em 28 de julho. Por outro lado, retroceder na demanda pelo Essequibo poderia fazer a Fanb se voltar contra ele, argumentou o CSIS.
“Mesmo que Maduro conseguisse um acordo desigual com a Guiana para o acesso a blocos petrolíferos offshore, provavelmente não conseguiria desescalar facilmente e desmantelar rapidamente instituições como a nova Zona de Operações de Defesa Integral encarregada de gerir o Essequibo”, explicou o think tank.


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“Fazer isso provocaria uma resistência feroz por parte das forças armadas, que viram a sua estatura crescer na política e na sociedade venezuelanas, ao mesmo tempo que abraçaram avidamente o seu papel como vanguarda das reivindicações de soberania da Venezuela sobre um território há muito negado”, afirmou.
Ou seja, mesmo que estivesse disposto a reconsiderar a questão, o ditador ainda poderia ser empurrado para o conflito. “Ele despertou paixões nacionalistas sem fornecer uma válvula de escape”, justificou o CSIS.

Analista militar não acredita que Venezuela invadirá a Guiana

Porém, analistas militares discordam do think tank americano e seguem céticos sobre a possibilidade de a Venezuela invadir a Guiana.
No ano passado, quando o referendo sobre a anexação do Essequibo foi anunciado pela ditadura chavista, o coronel da reserva e analista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho disse à Gazeta do Povo que não acreditava numa ofensiva venezuelana por três razões principais: a estrutura sucateada da Fanb, a provável reação dos Estados Unidos em caso de invasão e o fato de dois grandes aliados de Maduro (Rússia e Irã) estarem focados em outros conflitos, na Ucrânia e no Oriente Médio.
Em nova entrevista à reportagem, Gomes Filho manteve essa avaliação. “Não acredito que a Venezuela tenha a intenção de invadir a Guiana, uma vez que as condições não se alteraram significativamente desde o ano passado”, explicou.
Sobre a mobilização descrita no relatório do CSIS, o analista afirmou que ela “tem o objetivo de apresentar as forças armadas da Venezuela, perante a opinião pública do próprio país, como um instrumento militar capaz de atuar em consonância com a retórica do regime”.
“Ou seja, como um instrumento militar capaz de garantir a anexação da região do Essequibo. Não faria sentido que a retórica inflamada dos líderes políticos não fosse acompanhada de uma atuação militar correspondente”, disse Gomes Filho. Ou seja: o objetivo seria fazer propaganda, não preparativos reais para uma guerra.
Embora não acredite numa invasão, o especialista apontou que há chance de o chavismo tentar emplacar algum factoide relacionado ao Essequibo antes da eleição.
“Não descarto a possibilidade de, durante a campanha eleitoral, haver algum anúncio bombástico, ou a exploração/fabricação de algum incidente que possa gerar uma movimentação militar – a exemplo do que se viu no ano passado – de modo a galvanizar o sentimento patriótico/nacionalista às vésperas do pleito eleitoral”, explicou.
Com as pesquisas e a pressão internacional gerando ao chavismo o maior risco em anos de finalmente ser destronado, a disputa pelo Essequibo pode ter capítulos decisivos nas próximas semanas.


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Brasil responde a mobilização “pré-guerra” da Venezuela com preparação de defesas em Roraima

O Exército Brasileiro tem movimentado equipamentos - entre eles mísseis e carros de combate - e modernizado instalações militares para criar defesas na região fronteiriça de Roraima e assim dissuadir forças militares da Venezuela de usarem o território brasileiro em uma possível invasão à Guiana. A ação ocorre em paralelo a movimentações de tropas do lado venezuelano compatíveis com um cenário pré-guerra, segundo relatório divulgado na semana passada pelo think tank americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês).
O CSIS identificou em território venezuelano por imagens de satélite a expansão de uma base militar e da pista de uma base aérea e o posicionamento de forças navais em locais estratégicos. Além disso foram criados novos comandos militares e estruturas legais para alegadamente supervisionar a defesa da região a ser anexada. Esses são indícios de que o país pode estar de fato se preparando para realizar uma invasão na Guiana.
O Brasil, por sua vez, enviou para sua fronteira um reforço de militares, 8 blindados de transporte de tropas Guarani e 32 jipes blindados Guaicuru e 6 blindados de reconhecimento Cascavel. Além disso foram transportados para a fronteira mísseis antiaéreos RBS 70, Mísseis Anti-Carro (MSS 1.2 AC), munição de armamento pesado e leve, morteiros de 81 mm, metralhadoras pesadas Minimi MK3, .50 M2 HB e de calibre 7,62 mm e granadas de artilharia pesada. Ao todo, o equipamento enviado tem o valor de R$ 228 milhões.
A movimentação de equipamentos e tropas, iniciada em dezembro de 2023, foi chamada de Operação Roraima. Além de levar o equipamento militar para o local, a ação inclui a criação de instalações para manutenção de armamentos, construção de fortificações e identificação de rotas rodoviárias, fluviais e aeroportos para a necessidade de se mover mais equipamentos e tropas em caso de conflito.
Os detalhes operacionais e táticos da preparação da defesa são tratados com o mesmo sigilo de uma operação de combate. O objetivo é que tropas brasileiras estejam prontas para impedir que o território nacional seja usado como rota de passagem, já que as estradas de Roraima são, em tese, a melhor rota para tropas venezuelanas pesadas sustentarem a logística de uma invasão à Guiana.
Mas o clima é de serenidade no Comando de Operações Terrestres, o órgão do Exército responsável pelo planejamento e execução das ações militares, segundo fontes familiarizadas com a operação. A ideia é que os militares estejam prontos para agir, mesmo que não haja indícios de conflito iminente.
Na sexta-feira (17), a Guiana colocou suas agências em alerta devido à movimentação anormal de tropas do lado venezuelano da fronteira.
"Para aumentar sua presença em Roraima, o Exército acelerou a ativação do 18º Regimento de Cavalaria Mecanizado, na cidade de Boa Vista", segundo Paulo Filho, mestre em Geopolítica pela Universidade Nacional de Defesa de Pequim.
"Essa ativação se deu pela transformação do Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, que já existia naquela cidade. Como um Regimento é composto de três Esquadrões, faz-se necessário triplicar a quantidade de pessoal e de material", explica Paulo Filho, que também é mestre em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército. O atual contingente na fronteira é de aproximadamente 600 combatentes.
Esse número de militares não se destina a conter uma invasão terrestre venezuelana de larga escala. Se a concentração de tropas da Venezuela aumentar, as Forças Armadas têm planos para mobilizar grandes efetivos e enviá-los para a região em poucos dias.
Paulo Filho afirmou que foram necessários cerca de três meses de mobilização da força armada para transportar todo o material necessário para a região fronteiriça com a Venezuela e Guiana. O equipamento foi enviado das regiões Sul e Sudeste do Brasil e contou com uma força-tarefa logística para ser concluída.
"Mas o esforço vale a pena, na medida em que demonstra a capacidade da Força Terrestre de cumprir sua destinação constitucional de defesa da pátria, zelando pela integridade do país ao dissuadir qualquer tresloucada ideia de violar a soberania territorial brasileira”, afirmou Paulo Filho.


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