Macapá é considerada a cidade menos transparente do país, segundo novo índice da Transparência Internacional

O resultado mais recente do IGPT não é nada animador para Macapá. No novo estudo, a capital amapaense aparece em último lugar. É a que tem menos transparência nos gastos públicos

Em pleno andamento do “Macapá Verão 2024”, que engloba uma série de programações bancada pela Prefeitura de Macapá para julho, mês de férias escolares, os investimentos da administração pública com esses eventos continuam inseridos em um cenário obscuro. A falta de transparência, inclusive, contraria a Lei de Acesso à Informação. O resultado não poderia ser diferente: o mais novo Índice de Transparência e Governança Pública da Transparência Internacional (IGPT), recentemente divulgado pela Transparência Internacional, revela que Macapá enfrenta desafios significativos em termos de transparência pública e acesso à informação.

CLIQUE NA IMAGEM

Com apenas 31/100 pontos e ocupando a última posição do ranking entre as capitais brasileiras analisadas, a capital do Amapá foi classificada com uma pontuação considerada “Ruim” e foi insuficiente em indicadores importantes para o controle da corrupção e a promoção da integridade.

Conforme a Transparência Internacional, em Macapá não foram encontradas regulamentações da Lei Anticorrupção. A capital não pontuou em nenhum indicador da dimensão Obras Públicas. Da mesma forma, dados e informações incompletas foram encontradas sobre salários dos servidores, receitas, despesas e licitações.
Ou seja, desde que tomou posse, em janeiro de 2021, o prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB), nunca cumpriu os preceitos legais das leis de acesso à informação e de transparência.
Por isso, a capital amapaense é a última de 25 listadas a apresentar o pior desempenho nesse aspecto, o que é lamentável ao nível nacional.

Para o advogado tributarista Rubem Leôncio, a responsabilidade recai sobre Furlan. Segundo Leôncio, Furlan escolheu manter em segredo como vem usando o dinheiro dos contribuintes. “A falta de transparência e o desrespeito às leis podem ser considerados infrações, uma vez que Furlan impede o acesso às informações cruciais para supervisionar suas ações como líder da Prefeitura de Macapá. Portanto, ao denunciar esse cenário, o cidadão está apenas exercendo seu direito à informação e não deveria sofrer punições por isso”, assinala.

“Nós classificamos os entes avaliados por meio de um ranking e atribuirmos pontuações de 0 a 100. Quanto maior a pontuação, maior o nível de transparência da entidade em questão”, esclarece Amanda Lima, uma das integrantes do Programa de Integridade e Governança Pública.
Criada em 2009 pelo ex-senador João Alberto Capiberibe (PSB-AP), a lei da transparência obriga a divulgação na internet das despesas e receitas dos municípios. Já a Lei de Acesso à Informação foi criada em 2011, e permite que qualquer cidadão possa encaminhar um pedido aos órgãos públicos solicitando informações sobre emprego de recursos públicos pelo gestor. O problema é que nem todos parecem observar as normas. É o caso do prefeito de Macapá, por exemplo. Um mau exemplo.


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.