Mulheres enfrentam riscos mortais trocando sexo por ouro nos garimpos da Amazônia

A busca pelo ouro nos garimpos da Amazônia é uma realidade perigosa e desafiadora para muitas mulheres, que se veem obrigadas a se submeter a condições extremas em busca de uma oportunidade de sobrevivência



Raiele da Silva Santos, 26, foi encontrada morta em seu quarto em uma área de mineração em Itaituba, no Pará após ficar três dias desaparecida. Ela foi encontrada nua, em avançado estado de decomposição, com sinais de agressão e possível violação, segundo documento da polícia local. Raiele, mãe de dois filhos, filha e neta de mineiros, passou a vida inteira trabalhando na mineração como cozinheira, garçonete e em casas noturnas.

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Railane, uma mulher de Cuiú-Cuiú, morreu em 2023 após ser espancada por um homem em uma aldeia local. Este não é o único caso recente de violência contra mulheres em áreas rurais da Amazônia. A questão cresceu significativamente na última década devido à expansão da mineração na região. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) relata que as mulheres nas zonas rurais estão expostas à violência física, emocional, patrimonial e sexual.
Entre 2014 e 2023, a área abrangida pela mineração na Amazônia passou de 92 milhões de hectares para 220 milhões de hectares, o equivalente a 229 milhões de campos de futebol.
Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou que 20% da produção de ouro no Brasil é ilegal, com atividades clandestinas em áreas protegidas e uso de químicos nocivos. Mesmo com esforços do governo, o incentivo dos altos preços do ouro no mercado internacional mantém o garimpo ativo. Mulheres são atraídas pela promessa de riqueza, arriscando suas vidas em regiões onde o garimpo ilegal também gera prostituição e exploração.


Leide Dayane Leite dos Santos, de 34 anos, foi registrada com esse nome em homenagem à princesa Diana e é mãe de sete filhos. Ela foi pela primeira vez ao garimpo aos 12 anos, sendo levada por uma mulher que conheceu em Itaituba. Itaituba é o município com a maior área minerada do Brasil, representando 16% de toda a área garimpada do país em 2022. A cidade é conhecida por fornecer muitas máquinas usadas nos garimpos da região, sendo responsável por 75% de todo o ouro ilegal produzido no Brasil entre 2020 e 2021.


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