Ex-ministro Braga Netto é alvo de prisão pela PF em desdobramentos de trama criminosa

O general da reserva, que integrou o governo Bolsonaro, foi preso por obstrução à Justiça no caso que apura a tentativa de golpe



O general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice de Jair Bolsonaro em 2022, foi preso pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Os mandados de prisão foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, no inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe para impedir a posse do governo Lula. A alegação para a prisão é obstrução da Justiça, e a PF executou uma prisão preventiva, mandados de busca e apreensão, e outras medidas para evitar a obstrução de provas durante a investigação.

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Braga Netto foi detido em Copacabana com o apoio do Exército e está sob custódia das Forças Armadas. A defesa do general não comentou a prisão, mas já negou anteriormente as suspeitas levantadas pela PF sobre seu envolvimento em um golpe de Estado. Segundo as investigações, ele teria participado de um plano que incluía prender ou matar o ministro Alexandre de Moraes, além de executar Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
A prisão preventiva também se baseia na suspeita de que ele obteve informações sigilosas sobre o caso, prejudicando a investigação. A PF encontrou documentos em busca na sede do Partido Liberal que demonstram um interesse em informações sobre um acordo de delação premiada de um ex-assistente de Bolsonaro. A defesa repudiou o vazamento de informações do inquérito para a imprensa.


Investigação da PF aponta participação de Braga Netto em tramas golpistas

Braga Netto — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O general é um dos 40 indiciados em um inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022. Ele é acusado de participar de uma trama para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições. Braga Netto foi ministro da Defesa e da Casa Civil e disputou para ser vice-presidente na chapa de Bolsonaro.
A casa dele em Brasília serviu como local de reunião para o grupo que discutia o golpe, que estava conectado a um plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. O grupo incluía militares das forças especiais, conhecidos como “kids pretos”, e operava com uma divisão de tarefas. Braga Netto fazia parte de dois núcleos, um deles focado em incitar outros militares a apoiar o golpe.

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Entenda a prisão
Braga Netto foi preso por obstrução à Justiça. Ele estaria tentando atrapalhar as investigações e dificultando a produção de provas. Isso, tentando conseguir informações sigilosas da delação do tenente-coronel Mauro Cid, que foi ajudante de ordens de Bolsonaro.
Ao todo, foram cumpridos neste sábado quatro mandados: dois de busca e apreensão (sendo um também na casa do general da reserva) e uma medida cautelar, que tem ações restritivas diferentes da prisão, “contra indivíduos que estariam atrapalhando a livre produção de provas durante a instrução processual penal”.
O outro alvo foi o coronel da reserva Flávio Peregrino, assessor de Braga Netto desde o governo Bolsonaro. A PF informou que “as medidas judiciais têm como objetivo evitar a reiteração das ações ilícitas” apontadas no inquérito. Os mandados foram cumpridos nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF).

QUEM É BRAGA NETTO

O general da reserva Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro em 2022, é considerado uma figura central na tentativa de golpe que visava o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin, além da prisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, Braga Netto é conhecido por seu histórico de atos antidemocráticos durante o governo Bolsonaro.
Entre suas ações, ele ameaçou a realização das eleições de 2022 e condicionou essas eleições ao uso do voto impresso. Em 2021, foi iniciada uma apuração preliminar contra ele por suas ameaças relacionadas às eleições. Nascido em Belo Horizonte e com uma longa carreira militar, Braga Netto fez parte da intervenção federal no Rio de Janeiro em 2018 e manifestou apoio ao golpe militar de 1964 como um marco da evolução política do Brasil. Ele possui diversos títulos acadêmicos na área militar e teve experiências internacionais nas Nações Unidas e em outros países.

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