Belém se prepara para receber a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontecerá de 10 a 21 de novembro de 2025
O Mercado de São Brás, construído com elementos dos estilos art nouveau e neoclássico, foi reinaugurado em Belém, no Pará. A edificação histórica é lar de mais de 300 mercados e lojas que comercializam alimentos, ervas, artesanato e roupas. A recuperação do local marca o início de uma sequência de reformas que serão finalizadas na cidade nos meses vindouros.
Belém está se organizando para sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), agendada para o período de 10 a 21 de novembro de 2025. A conferência é um importante encontro global para discutir questões ambientais e tomar decisões que auxiliem na contenção do aquecimento global, responsável por alterações climáticas e catástrofes ambientais.

Em toda a cidade, é possível observar canteiros de obras, barreiras, alterações no tráfego e placas que indicam Capital da COP30.
– São mais de 30 projetos de infraestrutura em andamento em Belém, executados conjuntamente pelo governo federal, a prefeitura e o governo do estado do Pará. Os investimentos possuem uma razão e um sentido. O secretário extraordinário da COP30, Valter Correia, informou que estamos equipando uma cidade maravilhosa que deixará um grande legado.
A Secretaria Extraordinária para a COP-30, vinculada à Casa Civil da Presidência da República, foi estabelecida pelo governo em março de 2024 para supervisionar a preparação da Amazônia para acolher a COP30.
Expansão do setor hoteleiro
Contudo, para lidar com a magnitude da conferência, que espera receber mais de 60 mil participantes, incluindo chefes de Estado, diplomatas, empresários, investidores, ativistas, jornalistas e delegações dos 193 países participantes, um setor precisa superar o desafio de duplicar sua dimensão: a hotelaria.
– A hotelaria em Belém está em pleno funcionamento. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Pará (ABIH-PA), Antônio Santiago, declarou à Agência Brasil que todos os hotéis estão em processo de reformas para a COP30.

- O maior obstáculo ainda é ampliar o número de leitos disponíveis – afirmou o presidente da ABIH-PA, que projeta receber 40 mil turistas na cidade.
Santiago informa que, atualmente, a capital possui 18 mil quartos de hotel e espera alcançar a COP30 com um total de 45 mil a 50 mil, considerando que uma cama de casal equivale a dois quartos.
Segundo Santiago, com a abertura de novos hotéis, o número de acomodações deve atingir 22 mil. Belém receberá três hotéis de luxo, projetados por empresas internacionais voltadas para o público de classe A e B. Um deles será instalado na região do Porto Futuro II; o segundo em um antigo edifício da Receita Federal; e o terceiro em Castanhal, distante da capital, mas situado na área metropolitana.
Opções alternativas
Estão em andamento negociações com plataformas online, como Airbnb e Booking, para registrar propriedades e ampliar a disponibilidade de quartos para o período da COP30. Ademais, dois transatlânticos serão utilizados como hotéis flutuantes, oferecendo 5 mil acomodações.
O governo do Pará pretende converter 17 escolas públicas em uma espécie de hostel temporário. “Esperamos alcançar mais 22 mil leitos com tudo isso”, enfatizou Santiago. Atualmente, cerca de 2,5 mil indivíduos estão empregados no setor. “Para a COP30, espera-se um aumento de 40% na contratação de trabalhadores.”

Segundo o líder da associação, as cidades adjacentes num raio de 150 quilômetros também devem apresentar demanda por acomodações em hotéis.
De acordo com a Secretaria Extraordinária para a COP30, a Itaipu destinou R$ 224 milhões para a edificação da Vila Líderes, que oferecerá aproximadamente 500 acomodações de alto padrão. As acomodações atenderão parte das delegações e, após a COP30, o local funcionará como centro administrativo do governo estadual.
O governo federal também destinou R$ 100 milhões, por meio do Fundo Geral de Turismo (recursos do Ministério do Turismo), para melhoria da qualidade de hotéis e serviços de turismo.
O governo do Pará informou à Agência Brasil que incentivou a modernização da rede hoteleira ao isentar o setor de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para compras de itens como frigobar, televisão, ar-condicionado e mobiliário.
Antônio Santiago, da ABIH-PA, projeta que a realização da COP deixará para a rede hoteleira de Belém o legado de mão de obra mais bem preparada e novos empreendimentos hoteleiros de excelência.
LITERATURA DA AMAZÔNIA

Sinopse
Do autor de TERRAS CAÍDAS, EXUMANO é um thriller instigante e assombrado pelo sobrenatural que retoma a pergunta formulada desde sempre pela humanidade: existe vida após a morte? O talentoso jornalista Albano Romazo terá esta resposta de forma bem dolorosa. Quando vivo, tinha um casamento estável com Valmira, até se envolver com Mariluz, ex-amante de Ademir, casado com a arquiteta Consuelo, sujeito esquisitão com um passado nebuloso. Valmira descobre a traição do marido, e para se vingar, conhece o engenheiro aposentado Eurides, um viúvo solitário com quem inicia tórrido romance, permeado por bons vinhos e muito sexo hardcore. No motel, Mariluz exige que Albano se separe de Valmira e vá morar com ela. Mas ele hesita e isso a enfurece. Ademir identifica quem é o novo affair da ex-amante, por quem ainda é apaixonado, e fica transtornado. Albano é seu colega de trabalho. Numa tarde chuvosa, Ademir vê Consuelo desembarcando de um belo automóvel, despedindo-se do motorista de forma íntima, e não tem dúvidas. Consuelo confirma que está com outro homem e pede o divórcio. Ele se descontrola. Nesta nova obra do autor Emanoel Reis, engana-se quem pensa que a morte é o fim de tudo. Albano era cético. Consuelo, igualmente. Mas ambos irão perceber o quanto estavam equivocados. É o humano, demasiado humano em uma trama de relacionamentos amorosos complexos, dramas familiares, separações dolorosas e a vida após a morte. Não perca este mais novo romance de Emanoel Reis.
Movimentação
A COP30 será realizada em novembro de 2025, mas Belém e os hotéis já experimentam aumento de movimentação. De acordo com Santiago, desde o início do ano, a taxa de ocupação da rede hoteleira na cidade passou de 50% para 82%, em média.
No último dia 15 de dezembro, o ministro do Turismo, Celso Sabino, esteve no aeroporto de Belém para comemorar o recorde de 3,9 milhões de passageiros em 2024, número cerca de 8% maior que o registrado no mesmo período de 2023.
Segundo o ministério, o Aeroporto Internacional comporta até 7,7 milhões de passageiros por ano, “cenário que, com a realização das adaptações necessárias, atenderá a contento os visitantes de Belém durante a realização da COP30”.
Legado urbanístico
As atividades principais da COP30 vão ocorrer no Parque da Cidade e no Hangar Centro de Convenções, que são conectados e ficam no bairro Souza, a cerca de 20 minutos de carro do Aeroporto Internacional de Belém.
O Parque da Cidade ocupa a área de um antigo aeroporto e ainda está em construção, com cerca de 70% das obras concluídas. Após a realização da conferência, o parque será entregue para uso da população. O projeto final prevê áreas verdes preservadas, lago artificial, instalações esportivas, o museu da aviação, um centro de economia criativa e boulevard gastronômico.
O investimento do governo federal para os preparativos da Conferência sobre Mudanças Climáticas beira R$ 4,7 bilhões. As intervenções, feitas em conjunto com as administrações estadual e municipal, são direcionadas para infraestrutura urbana, segurança, sustentabilidade, transporte e mobilidade, como a finalização do BRT Metropolitano (sistema de ônibus rápidos em pistas exclusivas), ampliação de vias e construção de quatro viadutos.
A Rua da Marinha, no polígono da COP30, passará de duas para seis faixas de rolamento. “A obra vai beneficiar a população de seis bairros, escoando o tráfego e melhorando a mobilidade”, diz comunicado enviado pelo governo paraense.

Avaliação
A professora Roberta Menezes Rodrigues, da Faculdade da Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará (UFPA), considera que todo investimento que a cidade vai receber “tende a ser visto com muito bons olhos”.
– Belém é uma capital, mas é uma cidade que tem déficits enormes de infraestrutura, de qualidade em termos de moradia. É uma cidade da região Norte que sempre foi relegada a segundo plano em termos de investimentos, em especial voltados para área relacionada à infraestrutura urbana – ressaltou.
A avaliação da professora sobre as moradias belenenses é confirmada pelo Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostrou Belém como a concentração urbana com a maior proporção de habitantes morando em favelas (57,1%).
Rodrigues, que participa de uma pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) sobre o legado da COP30, considera que ainda é cedo para se ter clareza sobre o tema.
– Falar de legado agora, na verdade, é falar sobre dúvidas – afirmou Rodrigues, que já enxerga contradição entre intervenções que estão sendo feitas na cidade e caminhos que deveriam ser seguidos justamente para se obter desenvolvimento ambiental sustentável.
– Por mais que a gente tenha grandes investimentos acontecendo na cidade, parte deles está presa ainda a uma lógica de investimentos e formas de intervenção desse modelo que a gente está questionando – apontou.
– A gente está abrindo mais vias, rodovias, desmatando as poucas áreas verdes que restam na cidade e priorizando, por exemplo, o transporte individual, o carro, em vez de priorizar o transporte público.
A professora reconhece que a cidade ganhará ativos importantes em termos de infraestrutura, locais como o Parque da Cidade e equipamentos culturais. “Belém nunca viu tanto investimento acontecendo ao mesmo tempo”, frisou.
No entanto, ela adverte que algumas iniciativas podem favorecer a valorização imobiliária em determinadas regiões, em vez de beneficiar a população em geral. Em alguns casos, pessoas chegam a enfrentar remoções, diz ela, se referindo a famílias que viviam na Avenida Tamandaré, onde acontecem obras do Parque Linear.
“É um tipo de investimento que está bastante ligado à valorização imobiliária.”
Legado ambiental
A professora Lise Vieira da Costa Tupiassu Merlin, do Instituto de Ciências Jurídicas da UFPA, destaca o fato de o evento internacional mais importante sobre meio ambiente ser realizado em uma cidade amazônica. “Atualmente há um grande déficit de protagonismo amazônico nas discussões climáticas.”
– Em que pese o mundo todo reconhecer a importância da Amazônia para a luta contra as mudanças climáticas, quase sempre as soluções e debates são moldados sem a participação de pessoas da região.
Para a professora, Belém foi uma escolha adequada para exercer esse protagonismo, porque “tem a maior instituição científica da Pan-Amazônia, a UFPA”. Ela ressaltou ainda o “conhecimento ancestral” da população local.
Tupiassu Merlin acrescenta que, por outro lado, Belém situa-se no” estado que contém um grande mosaico de conflitos socioambientais, que contribuem para o acirramento das mudanças climáticas”.
Na opinião de Lise, o aumento do protagonismo depende de um posicionamento mais estratégico dos atores locais, “mas também de uma vontade genuína dos demais atores de querer se abrir para uma nova perspectiva de justiça climática”.
– A COP30 será, sem dúvida, uma oportunidade para isso, mas ainda há muito trabalho pela frente para que essa oportunidade se reverta em benefícios duradouros para a população – concluiu.

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