O presidente tem atritos com agropecuaristas desde o início do mandato, e a relação piorou neste ano
Preocupado com a queda da popularidade, em parte devido à inflação dos alimentos, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está tomando decisões criticadas no agronegócio. A recente isenção de tarifas de importação de alguns alimentos é uma dessas ações que gerou descontentamento. Desde o início de seu mandato, Lula tem enfrentado desavenças com os agropecuaristas, e a relação deteriorou-se ainda mais neste ano. As ações do governo revelam desorganização e desconhecimento das necessidades do setor rural.

No mês passado, o presidente comentou sobre o aumento do preço da carne, apesar de já ser sabido que o ciclo de oferta que reduziu os preços em 2023 começou a declinar no início de 2024. A maioria das iniciativas do governo visa reduzir os preços dos alimentos, mas há dúvidas sobre sua eficácia a longo prazo e o temor de aumento inflacionário no futuro. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) criticou a decisão de zerar a alíquota de importação de certos alimentos, afirmando que a inflação não é causada pela oferta de alimentos, mas por problemas fiscais do governo.

A FPA ressaltou que as medidas governamentais são pontuais e não resolvem a situação, especialmente ao zerar impostos para produtos importados sem garantir suporte à produção nacional. O Brasil é um dos principais produtores de alimentos que ficaram isentos de tarifas, mas há dúvidas sobre o impacto dessa isenção nos preços locais. Embora o Brasil importasse alguns desses alimentos, muitos já chegavam sem tarifa devido a acordos de livre comércio.

Além disso, algumas ações do governo podem aumentar os custos ou reduzir a produção, pressionando ainda mais a inflação. Um exemplo é uma portaria do Ministério da Agricultura que exigia que produtores imprumissem datas de validade em ovos vendidos a granel, o que elevaria custos e poderia inviabilizar pequenos produtores. Após reações negativas, o governo adiou e, eventualmente, revogou essa exigência.

Além disso, a possibilidade de taxar ou criar cotas de exportação de alimentos está sendo discutida, o que poderia afetar a produção a longo prazo. Embora o governo tenha evitado intervenções, alguns membros ainda defendem essa ideia. A imposição de impostos ou cotas pode aumentar a disponibilidade de alimentos temporariamente, mas reduziria a rentabilidade dos produtores a longo prazo, resultando em inflação. Isso aconteceu na Argentina, onde a criação de impostos de exportação levou a uma redução na produção de grãos.

A FPA enviou um documento ao governo com propostas para reduzir os preços dos alimentos, sem apoiar as ideias atuais, o que evidencia a desconexão entre as necessidades do agronegócio e as decisões das autoridades. A inflação alimentar, segundo especialistas, está ligada à política fiscal do governo e à desvalorização cambial, que pressionam os preços. Se o governo não enfrentar as causas estruturais da inflação, a alta dos alimentos pode persistir e a popularidade do presidente continuar em queda.

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