A 30ª Conferência das Partes (COP 30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima será realizada em novembro de 2025 em Belém, na Amazônia brasileira. Para que a COP 30 seja eficaz em conduzir o mundo a reverter seu curso desastroso em direção a um ponto de inflexão climático, será necessário não apenas deter o desmatamento, mas também facilitar uma rápida eliminação em todo o mundo da combustão de combustíveis fósseis. No entanto, como anfitrião da conferência, o Brasil não está liderando pelo exemplo. À medida que os participantes se preparam para a COP 30 nos próximos meses, é importante que a reunião seja utilizada não apenas para concordar com novas medidas globais para combater as mudanças climáticas, mas também para encorajar o país anfitrião a mudar as práticas atuais.

Exceto pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, praticamente todos os ramos do governo do país estão promovendo atividades que aumentam as emissões de gases de efeito estufa. Por exemplo, o Ministério dos Transportes tem a intenção de abrir grandes áreas da Amazon Forest para a entrada de desmatadores através da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho) e estradas laterais associadas. A vasta área florestal aberta por essas estradas contém carbono suficiente para empurrar o aquecimento global além de um ponto de inflexão irreversível. O Ministério da Agricultura subsidia a transformação de pastagem em soja, que é um importante fator de desmatamento porque, quando a terra se torna mais valiosa para a soja do que para gado, os fazendeiros (incluindo aqueles fora da Amazônia) vendem suas terras a plantadores de soja e usam os lucros para comprar áreas muito maiores da floresta da Amazônia barata para novos fazendeiros em áreas mais remanescentes. Cada hectare de pasto convertido em soja pode causar vários hectares de desmatamento. A Agência de Terregalhe da Terra do Brasil legaliza reivindicações e ocupações ilegais de terras em terras do governo (um importante motorista de desmatamento e estímulo para outras reivindicações ilegais). Paralelamente, o Ministério das Minas e Energia está abrindo novos campos de petróleo e gás na floresta amazônica e em áreas offshore, incluindo seu plano de perfuração na foz do rio Amazonas, perto do local do próximo policial.

O plano atual do Brasil é continuar a perfurar em busca de petróleo até que o país atinja “o nível [econômico] dos países desenvolvidos”, o que é uma fórmula para o desastre climático. Em 2021, a Agência Internacional de Energia publicou um relatório apresentando o argumento para não abrir novos campos de gás ou petróleo no mundo, restringindo a extração aos campos existentes que devem reduzir suas taxas de extração a zero até 2050. Isso ocorre porque novos campos implicam extração de longo prazo. Por exemplo, o campo proposto na foz do Rio Amazonas levaria 5 anos para começar a produzir petróleo e outros 5 anos para pagar o investimento, e como ninguém quer parar com lucro zero, a iniciativa implica extração por décadas – muito depois do mundo ter que abandonar os combustíveis fósseis.
Para o Brasil assumir a liderança na luta contra o aquecimento global, faria todo o sentido, não apenas por causa da oportunidade oferecida pela hospedagem da COP 30 e da importância das emissões em potencial do país, mas também por causa do impacto catastrófico no Brasil se o aumento da temperatura for permitido escapar do controle humano. O Brasil perderia sua floresta amazônica, incluindo o papel vital que desempenha na reciclagem da água que fornece a maior São Paulo, a quarta maior cidade do mundo. A bacia hidrográfica que inclui São Paulo recebe 16% a 70% de sua precipitação anual da água reciclada pela floresta amazônica e transportada como vapor de água por ventos conhecidos como ‘rios voadores’.

A perda até a mais baixa dessas estimativas deixaria a cidade sem água em anos extremos, como 2014 e 2021, e a mudança climática em andamento é projetada para aumentar bastante a frequência de secas graves lá. A região semiárida fortemente povoada no nordeste do Brasil se tornaria um deserto, e as grandes populações ao longo da costa atlântica do Brasil seriam expostas ao aumento das tempestades e do nível do mar. O agronegócio do Brasil e sua agricultura familiar sofreriam fortes impactos. São esperadas secas de gravidade ‘sem precedentes’ no Brasil, e a frequência de secas graves aumentaria pelo menos 10 vezes. ‘Surpresas climáticas’ como as inundações de 2024 no Rio Grande do Sul se tornariam mais comuns.
A COP 30 enfrenta grandes desafios para atingir seus objetivos climáticos. Uma parte fundamental disso é conter as emissões da Amazônia, e para isso, o maior desafio é obter uma mudança radical nas políticas do governo brasileiro, tanto nos motores do desmatamento quanto na extração de combustíveis fósseis.
- Doutor em engenharia da informação pela Universidade de Nagoya (Japão),foi Frontier Researcher do RIKEN (Japão). É professor titular da UFMA. Foi diretor da ANP e atualmente é presidente da Gasmar.


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