Nas últimas semanas, a febre explodiu nas redes sociais, com influenciadores simulando “partos” e rotinas maternas
No Brasil de 2025, surge uma preocupação crescente sobre a obsessão por bebês reborn, bonecas que imitam bebês humanos com detalhes realistas. Essa prática, que começou como colecionismo ou terapia, se transformou em uma fixação, com pessoas tratando os bonecos como filhos, pedindo cuidados médicos e até disputando a guarda judicial.
Esse comportamento indica um problema sério de saúde mental que precisa de atenção. Feitos de vinil ou silicone, os bebês reborn se tornaram populares globalmente, atraindo figuras públicas. No Brasil, influenciadores têm simulado “partos” e rotinas maternas. Casos extremos incluem pessoas levando esses bonecos a hospitais, buscando benefícios sociais e evidenciando uma desconexão com a realidade.

Para psicólogos e psiquiatras, o apego excessivo a bebês reborn pode indicar problemas mentais, como depressão e ansiedade. A psicóloga Laís Mutuberria fala que, apesar de serem úteis em alguns tratamentos, o uso inadequado pode perpetuar padrões prejudiciais. O apego a um reborn pode dificultar a reintegração ao mundo real para pessoas com traumas.
A psicóloga Denise Milk observa que a internet intensifica esses problemas, já que o julgamento nas redes sociais pode agravar a fragilidade emocional. Um estudo de 2024 revelou que 34% dos brasileiros se sentem angustiados, com os jovens sendo os mais impactados. O psicanalista Christian Dunker compara essa obsessão a outras formas de apego, alertando sobre os riscos dessa fuga da realidade.

A obsessão por bebês reborn sobrecarrega sistemas públicos e cria tensões sociais. Em Minas Gerais, o deputado Cristiano Caporezzo (PL) propôs o PL 3. 757/2025, que proíbe o atendimento de bonecos no SUS, com multas de até dez vezes o valor do serviço. Ele mencionou casos em que atendimento de emergência para bonecos atrasou o tratamento de pacientes reais. A proposta reflete preocupações sobre o uso indevido de recursos públicos.
Além disso, disputas legais sobre reborns consomem tempo do Judiciário. O deputado federal Zacharias Calil (UB-GO) apresentou um projeto contra o uso de bonecos para obter benefícios sociais. A saúde mental também é afetada, com 52% dos brasileiros considerando-a como o maior problema de bem-estar no país. O apego patológico a reborns pode agravar transtornos, aumentar o risco de doenças e levar a comportamentos de risco.

A exposição pública desse vínculo, muitas vezes ridicularizada nas redes, pode aumentar o sofrimento, levando a vergonha e isolamento. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), estabelecida pelo SUS, é fundamental para enfrentar esse desafio. Ela inclui Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades de acolhimento e hospitais gerais, mas enfrenta falta de profissionais qualificados, principalmente em áreas remotas.
No Rio de Janeiro, o deputado Rodrigo Amorim sugeriu o PL 5. 357/2025, que cria um programa de saúde mental para “pais” de reborns, com equipes de psicólogos, terapeutas e assistentes sociais. O intuito é prevenir depressão, suicídio e dependência emocional, oferecendo acolhimento sem estigma.

Especialistas recomendam iniciar o tratamento com uma avaliação psicológica. Se o apego ao reborn for causado por luto ou trauma, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) pode auxiliar. Em casos graves, a terapia pode ser combinada com medicação psiquiátrica. A terapia familiar é indicada para reintegração social, e grupos de apoio ajudam a reduzir o isolamento.
Para idosos com Alzheimer, os reborns podem ser usados em contextos clínicos para reduzir ansiedade e estimular memórias. Porém, especialistas destacam que seu uso deve ser acompanhado por profissionais e não deve substituir psicoterapia ou contato humano.
No Brasil, a popularidade dos bebês reborn reflete uma sociedade marcada por solidão e pressões sociais. A resposta para essa busca por reborns está na fragilidade humana e na falta de políticas de saúde mental.
A sociedade precisa acolher e exigir responsabilidade. Os reborns devem ser ferramentas de cura, não símbolos de um problema coletivo.

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