Casa do prefeito de Macapá alvo de diligências realizadas por agentes federais após denúncias de suposto envolvimento em esquema de corrupção
Envolvido em outro escândalo de corrupção no exercício do mandato, o prefeito Antônio Furlan (MDB) está encurralado em seu gabinete no Palácio Laurindo Banha, sede da Prefeitura de Macapá, sem conseguir explicar onde foi parar o saco de dinheiro que seu motorista pessoal recebeu de um homem ainda não identificado, durante um encontro flagrado pelo monitoramento da
Polícia Federal que vinha investigando um esquema de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro nos escaninhos da gestão municipal.
Os crimes, supostamente cometidos pelo prefeito de Macapá, deram origem à Operação Paroxismo, que recebeu autorização do desembargador Leão Alves, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), após um pedido da PF e da Procuradoria Geral da República.

Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Macapá e Belém. Durante a ação, uma pessoa foi presa em flagrante por tentar esconder um celular. Conforme os investigadores, trata-se de conhecido empresário em Macapá.
De acordo com informações dos agentes federais, a volumosa quantia recebida pelo motorista de Antônio Furlan, estimada em cerca de R$ 9 milhões em espécie, fora sacada em uma agência bancária local e estaria relacionada a um contrato assinado em maio de 2024 pela Secretaria Municipal de Saúde com a empresa Santa Rita Engenharia, no valor de R$ 69,3 milhões, para a construção do Hospital Geral Municipal de Macapá.
Levantamentos realizados pelo site na quarta-feira, 3 de setembro, descobriram que, ao ser informado sobre a Operação Paroxismo, Furlan ficou bastante nervoso. Segundo relatos obtidos com exclusividade pela reportagem, ele chegou a esmurrar a mesa de trabalho, xingar bastante, dar pontapés na mobília, socar as paredes, com isso demonstrando reações típicas de quem acabou de ser pego com a boca na botija.
O portal também apurou que o motorista, ao ser interrogado, alegou que o dinheiro era uma “ajuda de custo” para cobrir despesas não especificadas, mas a versão não convenceu os agentes. A pressão sobre Furlan aumentou quando documentos relacionados a contratos suspeitos começaram a surgir, indicando que empresas ligadas ao esquema haviam recebido pagamentos exorbitantes por serviços não prestados.

As diligências verificaram que o esquema criminoso envolvia funcionários públicos e empresários, operando de maneira organizada para fraudar a licitação, desviar fundos e pagar subornos. As investigações também revelaram métodos como entregas físicas de dinheiro e movimentações bancárias simuladas para disfarçar a origem ilícita dos fundos.
Prefeito arruaceiro
No domingo, 17 de agosto, Furlan se envolveu em uma confusão com dois jornalistas após ser questionado sobre a demora na entrega do projeto do Hospital Geral Municipal de Macapá. Questionado pelo jornalista Heverson Castro sobre o atraso, o prefeito atacou fisicamente o cinegrafista Iran Fróes, aplicando nele um mata-leão. A agressão foi filmada e o vídeo mostra Furlan investindo contra o integrante da equipe de reportagem.

Suspeito recorrente
Desde outubro de 2023, Antônio Furlan vem sendo denunciado por envolvimento em diversos esquemas de corrupção enquanto prefeito de Macapá. A primeira delas foi oficialmente registrada no CIOSP do Pacoval pelo empresário Claudiano Monteiro de Oliveira. Na ocasião, ele revelou ter pago propina ao titular da Secretaria Municipal de Obras (SEMOB), Cassio Cleiden Rabelo Cruz, e que uma parte desse dinheiro ilegal foi parar na conta do prefeito macapaense.
A PF chegou a realizar diligências na prefeitura, mais especificamente no gabinete do prefeito, e na casa dele. O agentes chegaram a vasculhar o quarto do casal Antônio e Rayssa, reviraram gavetas de guarda-roupa e escrivaninhas, analisaram atentamente documentos comprometedores e os confiscaram como “provas” de supostos crimes cometidos por ele no exercício do cargo.

Empreiteira amiga
No início deste ano, a Imprensa nacional revelou que Cassio Cleiden Rabelo Cruz teria autorizado a contratação da empresa Santa Rita Engenharia por um valor de R$ 5,1 milhões para realização de um projeto de paisagismo na orla de Macapá. A empreiteira, que tem sede em Belém do Pará e Macapá, possuía um capital social de R$ 16 milhões e seus principais sócios são Fabrizio de Almeida Gonçalves e Rodrigo de Queiroz Moreira.
A parceria entre PMM e Santa Rita também envolveu um contrato de R$ 10 milhões, que foi posteriormente aumentado para R$ 15 milhões, supostamente destinados para a construção da praça Jacy Barata. Esta denúncia também faz parte da lista crescente formulada por Monteiro de Oliveira, empresário do setor da construção civil, que acusa Cássio Cruz de ser um dos operadores do mega esquema de corrupção controlado do Palácio Laurindo Banha por seu principal idealizador, segundo investigações da PF.

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