Com o apoio dos bolsonaristas R. Nelson e Sílvia Waiãpi, o prefeito de Macapá vem se mantendo no cargo sustentado por meio de ações nada republicanas
A polarização política no Amapá se intensifica com a ofensiva sistemática do deputado estadual bolsonarista R. Nelson (PL) contra a gestão democrática do governador Clécio Luís (Solidariedade). O parlamentar, que já demonstrou apoio à tentativa de golpe de Estado do 8 de Janeiro, utiliza as redes sociais e sites de notícias supostamente financiados com dinheiro público da Prefeitura de Macapá – comandada pelo prefeito Antônio Furlan (MDB) – para disseminar informações falsas e tentar desestabilizar o governo estadual.

As denúncias apontam que R. Nelson, aliado e cúmplice de Furlan, tem espalhado fake news de que a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 do Estado do Amapá prevê uma redução no orçamento do Fundo Estadual de Saúde, enquanto o governo Clécio Luís destinaria altos investimentos para eventos e publicidade.
Entretanto, as alegações do deputado invertem uma prática notória e constantemente denunciada na gestão de seu aliado. O prefeito Antônio Furlan, notoriamente conhecido por denúncias de calote a artistas locais, tem sido alvo de críticas por supostamente priorizar gastos com publicidade e grandes eventos, ao mesmo tempo em que a classe artística local sofre com o não pagamento de cachês, como amplamente noticiado por veículos regionais.
O cerne da estratégia de R. Nelson parece ser a tática de “espelho quebrado”, onde a base aliada de Furlan atribui ao governo do Estado exatamente as práticas pelas quais o prefeito é criticado.

Enquanto o deputado ataca a suposta redução no Fundo Estadual de Saúde na LOA 2026 – o que precisaria de análise detalhada do projeto para confirmação – o histórico do próprio prefeito Furlan é marcado por graves denúncias na área cultural e, inclusive, investigações envolvendo a gestão de recursos públicos.
Em Macapá, é de domínio público o desgaste da imagem de Antônio Furlan devido aos constantes atrasos e, em muitos casos, calotes nos pagamentos de artistas e produtores culturais que trabalharam em eventos da prefeitura, como o “Macapá Verão”. Artistas locais, como Suellen Braga e Carla Nobre, tiveram que recorrer publicamente às redes sociais para cobrar os valores devidos pela Fundação Municipal de Cultura (FUMCULT), subordinada a Furlan.

Além do aspecto cultural, o prefeito já teve sua gestão marcada por outros escândalos, como processos judiciais envolvendo empréstimos não pagos e até mesmo investigações da Polícia Federal sobre suposta fraude em licitação e desvio de recursos, conforme a mídia local tem reportado.
A reportagem aponta que a rede de disseminação de fake news utilizada pelo deputado R. Nelson é alimentada, em parte, por sites e páginas que teriam financiamento direto ou indireto da Prefeitura de Macapá. Esta estrutura serviria como um braço de ataque político, visando desgastar a imagem de Clécio Luís e proteger Furlan, que é um forte aliado do parlamentar bolsonarista.

A aliança entre R. Nelson (PL), defensor do 8 de Janeiro, e Antônio Furlan (MDB) configura um eixo político que une o extremismo ideológico bolsonarista com o poder da máquina municipal. O objetivo, segundo analistas, seria desviar o foco das polêmicas e denúncias que recaem sobre a gestão de Furlan, utilizando o governo do Estado como “bode expiatório” para os problemas de Macapá.
Até o momento, nem o deputado R. Nelson nem a Prefeitura de Macapá se pronunciaram de forma detalhada sobre o financiamento de sites de notícias ou sobre as denúncias de fake news contra o governo Clécio Luís, que tem adotado uma postura de defender a transparência e a gestão democrática contra o que chama de “ataques sistemáticos”.

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