O Congresso acolhe grande número de parlamentares com processos em andamento em diversas esferas do judiciário brasileiro, tornando-o único no mundo com essa realidade altamente negativa
O cenário político brasileiro é marcado por um número expressivo de parlamentares sob investigação, gerando um clima de tensão e incerteza, especialmente no que tange à relação entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). A lista de congressistas investigados é liderada pelo Partido Liberal (PL), com 35 deputados e 5 senadores, seguido pelo MDB (16 deputados e 3 senadores) e pelos Republicanos (11 deputados e 1 senador). O PT registra 11 deputados sob apuração. Outros partidos, como União Brasil, PSD, Progressistas, PDT, Avante, PSDB, PSB, Podemos, PCdoB, Psol, Solidariedade e PRD, também compõem este quadro, que é complementado pelo caso notório de Chiquinho Brazão, atualmente preso preventivamente, acusado de envolvimento no assassinato da então vereadora carioca Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes.

A ampla presença de investigados no Congresso alimenta o receio de enfrentamento com a rigidez do ministro do STF Alexandre de Moraes, alvo de sanções sob a Lei Magnitsky (legislação norte-americana que permite sanções por corrupção e abusos de direitos humanos, incluindo bloqueio de bens e restrição de vistos). O ministro tem sido criticado por sua postura firme em decisões, sobretudo contra figuras ligadas à direita, as quais majoritariamente são alvo dos processos no STF.

Esse temor se manifestou na tentativa de aprovação da PEC da Blindagem em setembro de 2025 na Câmara, que visava exigir o aval do Congresso para investigações. A rejeição da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em 24 de setembro, veio após forte repercussão negativa, mas o apoio de pelo menos oito investigados à proposta sublinha a tentativa de autoproteção da classe política.

Neste contexto de vulnerabilidade, a resistência pública do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, à indicação de Jorge Messias – o “Bessias” da era Dilma e atual advogado-geral da União – para uma vaga no STF, surge como um “jogo de cena” superficial. A marcação da sabatina na CCJ para 10 de dezembro de 2025, em coordenação com o senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ do Senado, é vista como parte dessa encenação.

Aliados do presidente Lula reconhecem a necessidade de negociações diretas para garantir a aprovação de Messias, que precisa de 41 votos (maioria simples) dos 81 senadores. Com cerca de um quarto dos senadores sob investigação (20 ao todo), qualquer oposição aberta do Congresso soa insustentável, favorecendo a primazia de acordos discretos e concessões nos bastidores.
A mídia de esquerda, beneficiada por verbas publicitárias do governo federal, participa ativamente do debate, especulando sobre a aprovação de Messias, que já manifestou disposição para dialogar com os senadores.

Esse alinhamento entre Executivo e Judiciário, reforçado por indicações de confiança pessoal de Lula, como Messias, tem sido percebido como um enfraquecimento do STF, que passa a ser visto como uma extensão do governo petista, comprometendo sua independência e tornando-se um potencial instrumento para agendas políticas.
Em suma, a cena política é de um Congresso repleto de investigados que simula independência enquanto negocia acordos de sobrevivência nos bastidores. A postura de Alcolumbre parece ser uma fachada, a mídia alinhada amplifica o espetáculo e a corte suprema corre o risco de perder sua essência como guardiã imparcial da Constituição. O Brasil espera por instituições que priorizem a justiça e a ética acima da proteção dos poderosos.

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