A reportagem a seguir detalha o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, CEO e acionista majoritário do Banco Master, expondo suas aquisições luxuosas nos EUA, fraudes financeiras no Brasil e a complexa rede de proteção política e judicial que o envolvia
O banqueiro brasileiro Daniel Vorcaro, CEO e acionista majoritário do Banco Master, emerge como o misterioso comprador por trás de uma das transações imobiliárias mais caras da história de Miami. De acordo com reportagens do site americano The Real Deal, especializado em imóveis de luxo nos EUA, Vorcaro é o beneficiário real de uma mansão recordista, adquirida em janeiro de 2025 por impressionantes US$ 85,2 milhões (cerca de R$ 460 milhões).

A propriedade, que quebrou o recorde anterior da região, está localizada no ultraexclusivo condomínio fechado de Bay Point, ao norte do Miami Design District. Estendendo-se por 1,7 acre (aproximadamente 6.880 metros quadrados), ela ostenta uma residência de 1.900 metros quadrados com 11 quartos, 12 banheiros, quatro lavabos, piscina, duas docas privadas e 120 metros de frente para a deslumbrante Baía de Biscayne.
Embora a compra tenha sido feita por meio da empresa Goldbeach Properties LLC, registrada em Delaware, fontes envolvidas nas negociações confirmaram ao The Real Deal que Vorcaro é o verdadeiro proprietário, com registros públicos indicando que a empresa já obteve licenças para demolição e nova construção, sugerindo uma reforma monumental. A consolidação do seu portfólio de luxo em Miami se reforçou em fevereiro, quando a mesma Goldbeach Properties LLC comprou uma casa à beira-mar, em frente à mansão principal, por US$ 6,9 milhões (cerca de R$ 37 milhões).

Além dessas aquisições, empresas afiliadas à Goldbeach compraram uma cobertura no condomínio Missoni Baia, em Edgewater, e um apartamento no edifício Asia, em Brickell Key, este último por US$ 2,8 milhões (cerca de R$ 15 milhões), evidenciando um padrão de investimento suntuoso nos EUA.
Contrariando a expansão de seu patrimônio internacional, Daniel Vorcaro e seu Banco Master desmoronaram no Brasil, em meio a acusações de fraudes financeiras bilionárias. A queda culminou em 17 de novembro de 2025, quando o banqueiro foi preso no Aeroporto de Guarulhos, tentando fugir para Dubai em um jato particular. Ele é investigado por criar operações de crédito fictícias vendidas ao Banco de Brasília (BRB), um banco estatal, em um esquema que, juntamente com outras violações regulatórias, levou o Banco Central do Brasil a ordenar a liquidação extrajudicial do Banco Master.

As perdas potenciais com essas operações e a liquidação podem superar R$ 10 bilhões, impactando fundos de pensão de trabalhadores. Embora sua defesa alegue risco de morte na prisão comum, um tribunal federal ordenou sua soltura em 20 de novembro. O escândalo de Vorcaro, no entanto, transcende as operações bancárias, expondo uma teia de cumplicidade que une o sistema financeiro, a política e o Judiciário brasileiro.

Essa não é apenas mais uma história de corrupção, mas sim uma revelação da putrefação institucional, onde um banqueiro sob suspeita de lavagem de dinheiro e fraude desfrutava de acesso privilegiado aos mais altos escalões da República. Vorcaro não operava isoladamente: ele tecia laços de proteção com governadores, congressistas e autoridades judiciais. O banqueiro contratou ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Ricardo Lewandowski (agora ministro da Justiça), e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, para serviços jurídicos.
Além disso, organizou um fórum de luxo em Londres frequentado por Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, o procurador-geral Paulo Gonet e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Essa proximidade com juízes supremos e líderes políticos, enquanto o Banco Master atraía investimentos suspeitos de fundos públicos, como o Rioprevidência, ignorando alertas do Tribunal de Contas, revela uma chocante promiscuidade entre o poder e o interesse privado.

A fragilidade institucional foi exposta quando o deputado Cláudio Cajado (PP-BA) tentou aprovar uma lei de urgência para demitir diretores do Banco Central, em uma manobra para pavimentar a venda do Banco Master ao BRB, desafiando a autonomia regulatória e, implicitamente, protegendo os interesses de Vorcaro. Governadores como Cláudio Castro (RJ) e Ibaneis Rocha (DF), cujo governo controlava o BRB, também estão expostos, com raids policiais e executivos removidos.
O resultado dessa cleptocracia é que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá que desembolsar R$ 41 bilhões para cobrir os 1,6 milhão de investidores lesados, um rombo que será arcado pela sociedade, enquanto os cúmplices políticos e judiciais tentam se esquivar da responsabilidade. A crise Vorcaro, que inclui investigações como a Operação Carbono Oculto, é uma bomba-relógio que ameaça implodir a credibilidade do Estado, caso as investigações alcancem os “intocáveis” que dançaram ao som dos seus dólares sujos.

Descubra mais sobre
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



