O propósito da Prefeitura de Macapá era avalizar a demolição do Shopping Popular. Mas… para quê? Difícil entender como o prefeito Antônio Furlan, reeleito em 2024 com expressiva votação, se deixou enredar por tenebrosos escândalos de corrupção em tão pouco tempo no poder
O nome do prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB), tem figurado recorrentemente em manchetes negativas devido a um histórico de envolvimento em investigações e denúncias de natureza político-financeira, além de episódios de suposto abuso de poder político e financeiro. O argumento de que tais ocorrências seriam meras “armações de opositores” é frequentemente levantado por seus apoiadores, mas carece de provas públicas que sustentem essa afirmação, enquanto os fatos relatados na mídia e as ações das autoridades policiais apontem para indícios concretos de irregularidades em sua gestão.

Um dos casos mais recentes e notórios é o que envolve o Shopping Popular. A Prefeitura de Macapá está sendo acionada judicialmente sob a acusação de ter utilizado um laudo técnico supostamente falso para promover a interdição e a subsequente remoção dos mais de cem comerciantes que atuam no local, conforme reportado pela Folha de São Paulo.

A interdição, iniciada no final de novembro, foi embasada em um parecer da empresa Nunes & Souza Consultoria e Construção, que apontava um risco de colapso parcial do imóvel e recomendava sua demolição urgente. A necessidade de falsear um documento público para justificar a interdição levanta sérias dúvidas sobre a real motivação da medida.
O que o prefeito Antônio Furlan ganharia com o esvaziamento de um espaço comercial inaugurado em 2021 e que é fonte de renda para dezenas de famílias, a não ser que haja um interesse obscuro ou um projeto político-imobiliário por trás da ação?

O processo judicial movido pelo empreendedor popular Elieldo Almeida Marques, que se diz representante dos comerciantes, anexou autos de infração emitidos pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amapá (Crea-AP) contra a empresa que produziu o laudo. O Crea-AP indicou irregularidades no parecer, incluindo a ausência da obrigatória Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e a informação de que o engenheiro signatário não teria visto para atuar no estado nem faria parte do quadro técnico da empresa. A contestação formal por uma entidade de classe técnica confere peso à denúncia de que o risco iminente de desabamento seria um argumento falacioso, tornando a interdição uma ação, no mínimo, desastrosa e que expõe a gestão municipal a um escândalo de repercussão nacional.

O caso do Shopping Popular não é um evento isolado na trajetória do prefeito. Em setembro de 2025, a gestão já havia sido atingida pela Operação Paroxismo da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em um contrato de R$ 69,3 milhões para obras do Hospital Geral Municipal.
Durante as diligências, um dos investigados tinha em seu poder R$ 9 milhões em espécie, sendo esse montante, segundo a investigação, proveniente do esquema. A operação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência do prefeito Antônio Furlan e no Palácio Laurindo Banha, sede da Prefeitura de Macapá.

A gravidade de ter um auxiliar próximo preso com grande volume de dinheiro em espécie e a relação com operações policiais complexas são fatores que constantemente lançam uma sombra sobre a conduta administrativa do gestor. Tais fatos, somados a uma investigação anterior da PF em 2024 sobre fraudes em uma obra de urbanização e até a um caso de agressão a um jornalista que resultou em uma investigação de impeachment na Câmara de Macapá, pintam um quadro onde as denúncias de irregularidades parecem ser uma constante e não um acaso fortuito.
A frequência com que o prefeito Antônio Furlan e sua gestão estão envolvidos em esquemas nebulosos, investigações e acusações de condutas “nada republicanas” sugere que a instabilidade e a desconfiança têm se tornado características marcantes de seus mandatos.

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