Clécio Luís se mobiliza contra reunião da ANEEL que pode elevar tarifas de energia no Amapá

O governador estrou em ação contra a reunião da ANEEL que propõe um aumento nas tarifas de energia elétrica no estado. Um reajuste inaceitável que pode pesar no bolso de milhares de amapaenses



O governador do Amapá, Clécio Luís, embarcou em uma viagem de emergência a Brasília na terça-feira, 16 de dezembro de 2025, em uma corrida contra o tempo para tentar barrar o que ele classificou como um “escândalo” contra a população do Amapá: um possível e significativo aumento na tarifa de energia elétrica. A urgência da intervenção se deu após a convocação de uma reunião extraordinária pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que incluiu o reajuste das tarifas do Amapá em sua pauta, levantando temores de um novo golpe no orçamento das famílias amapaenses.

CLIQUE NA IMAGEM
CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis
INTERNACIONALINTERNACIONAL26 de julho de 2024Emanoel Reis

A reação do governador foi imediata e enfática. Utilizando suas redes sociais, Clécio Luís condenou veementemente a possibilidade de a deliberação ocorrer em uma reunião a portas fechadas, fora dos ritos habituais de transparência, considerando a situação “inaceitável”. A mobilização repentina sublinha a extrema sensibilidade do tema energético no estado, que ainda carrega as cicatrizes de crises graves, incluindo o apagão prolongado que paralisou o Amapá em 2020, deixando a população em uma situação de vulnerabilidade e trauma energético.

CLIQUE NA IMAGEM

A questão tarifária, portanto, não é apenas um debate econômico, mas um tema de profunda relevância social e política na região. O governador e a bancada de representantes do Amapá têm atuado em diversas frentes e articulações prévias buscando alternativas e medidas que possam aliviar a pressão dos custos sobre os consumidores locais, especialmente em um contexto de vulnerabilidade histórica na infraestrutura e distribuição de energia. A viagem a Brasília visa, portanto, uma intervenção de última hora junto aos diretores da ANEEL para impedir que a reunião extraordinária resulte em um reajuste que, segundo Clécio Luís, seria injusto e insustentável para o povo do Amapá.

CLIQUE NA IMAGEM

Pobreza impacta decisão sobre reajuste nas tarifas de energia

A inviabilidade do aumento nas tarifas de consumo de energia elétrica no Amapá é um tema que mobiliza a população, o setor político e órgãos reguladores, dada a realidade do estado marcada por um histórico de problemas na prestação do serviço e altos índices de vulnerabilidade social.
O Amapá tem enfrentado um cenário em que são propostos reajustes tarifários considerados abusivos e desproporcionais à qualidade do serviço oferecido, com índices que chegaram a gerar críticas de parlamentares por variações entre 12% a 20%, e até propostas de reajuste médio de cerca de 44% em ocasiões passadas. Tais aumentos são contestados sob a alegação de que o estado, apesar de produzir mais energia do que consome, possui uma das contas de luz mais elevadas do Brasil.

Um dos principais argumentos contra o aumento é a baixa qualidade e a instabilidade crônica do fornecimento de energia. O estado foi palco de um grande e prolongado apagão em novembro de 2020, que deixou a maior parte da população às escuras por dias, expondo a fragilidade do sistema elétrico local, que depende de uma única subestação principal para o fornecimento à maioria dos municípios. Problemas recorrentes, falhas na linha de transmissão e a falta de redundância no sistema (como a desativação de transformadores de reserva) reforçam a percepção de que os consumidores não recebem um serviço que justifique o encarecimento da tarifa. O sucateamento do sistema e a falta de investimentos adequados são frequentemente apontados como causas dos blecautes, mesmo após processos de privatização.
A questão social é um fator crítico, já que o Amapá apresenta um dos maiores índices de pobreza do país. Um aumento nas tarifas impacta diretamente a capacidade de pagamento das famílias, com relatos de dívidas elevadas de conta de luz, comprometendo o orçamento doméstico em um cenário de inflação e dificuldades econômicas.


Diante da pressão política e social, reajustes propostos têm sido alvo de intensas articulações. Recentemente, por exemplo, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) chegou a suspender um reajuste que superaria 20%, atendendo a solicitações da concessionária e de parlamentares. Essa suspensão visa reavaliar os cálculos e incluir recursos provenientes de medidas provisórias federais (como a repactuação do Uso do Bem Público – UBP), destinadas a amortizar reajustes nas regiões Norte e Nordeste e garantir a modicidade tarifária aos consumidores. A expectativa é que a aplicação desses recursos possa atenuar significativamente os percentuais de alta.
A inviabilidade, portanto, se sustenta na tríade: fragilidade crônica do sistema e baixa qualidade do serviço, alto impacto social e econômico sobre uma população com alta vulnerabilidade, e a existência de mecanismos legais


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.