Novos desdobramentos do inquérito da Polícia Federal revelam uma teia complexa envolvendo o prefeito de Macapá em contratos de obras públicas na capital. No centro das investigações, a relação com Rodrigo de Queiroz Moreira e a empresa Santa Rita Engenharia Ltda levanta suspeitas de favorecimento e camuflagem de recursos ilícitos
As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal revelam um suposto esquema de corrupção e favorecimento envolvendo a construtora Santa Rita Engenharia e a gestão municipal de Macapá. Segundo o inquérito, a PF aponta que houve fraude no processo licitatório para garantir que a empresa saísse vencedora do certame. O alerta para as autoridades surgiu logo após o início das obras, quando os sócios da construtora passaram a realizar uma série de saques vultosos em dinheiro vivo, movimentações consideradas suspeitas pelos órgãos de controle. Entre os fluxos financeiros monitorados, destaca-se uma transferência de R$ 100 mil realizada para Isabella Cristina Moreira Favacho, transação que ocorreu simultaneamente ao período em que os investigadores rastreavam saques destinados a pessoas ligadas ao prefeito Antônio Furlan (MDB), principal alvo do inquérito.

O documento da Polícia Federal detalha que a ligação entre Rodrigo Moreira, vinculado à Santa Rita Engenharia, e o círculo pessoal do prefeito sugere um mecanismo de pagamento de vantagens indevidas por meio de intermediários. Os saques, descritos como sistemáticos, teriam um episódio central no dia 23 de maio, quando Rodrigo Moreira sacou R$ 400 mil em espécie. De acordo com o monitoramento policial, o montante foi transportado em uma mochila e entregue a um indivíduo que conduzia um veículo de propriedade do prefeito de Macapá. O motorista em questão foi identificado como Jerqueson da Costa Rodrigues que, apesar de constar como empregado doméstico do prefeito com salário de R$ 3.815,00, é apontado pela investigação como alguém que exerce tarefas de extrema confiança dentro da estrutura pessoal do chefe do Executivo municipal.

Além de Jerqueson, a investigação identificou um segundo motorista, Hulgo Márcio Bispo Corrêa, que teria a função de circular por agências bancárias à espera de pagamentos em espécie. Ambos foram alvos de mandados de busca e apreensão durante a Operação Paroxismo, deflagrada no início de setembro de 2025. Embora Isabella Favacho tenha sido citada pelo recebimento de valores, ela não figura na lista oficial de investigados até o momento. A operação resultou na apreensão de celulares, documentos e dispositivos eletrônicos que passam por perícia técnica. Enquanto isso, a Polícia Federal mantém diligências sigilosas para aprofundar as provas e esclarecer a extensão do suposto esquema, não havendo ainda uma previsão de data para a conclusão definitiva do inquérito policial e a possível prisão dos envolvidos.

Esta análise contextualiza o caso da Santa Rita Engenharia comparando-o com o “Modus Operandi” de outras operações de combate à corrupção e desvio de verbas públicas realizadas pela Polícia Federal no Amapá nos últimos anos.
1. Comparativo de Modus Operandi
O esquema descrito — fraude licitatória seguida de saques em espécie — é um padrão recorrente em investigações na região.

2. Paralelos com operações recentes no Amapá
- Operação Plattea (2022/2023): Esta operação também investigou fraudes em licitações e desvios de recursos federais na Prefeitura de Macapá. A semelhança reside na triangulação financeira: o recurso sai do cofre público para a empreiteira e retorna aos agentes políticos via saques ou pagamentos a terceiros.
- A “Cultura do Dinheiro Vivo”: Assim como no caso da Santa Rita, investigações anteriores (como as que envolveram a CODEVASF no estado) mostraram que o uso de dinheiro em espécie é a tática preferida para evitar o rastro bancário direto entre o corruptor e o corrompido.
- O papel dos “Operadores”: No caso atual, a menção a Isabella Cristina Moreira Favacho sugere o papel de interposta pessoa (laranja ou operadora), figura central em quase todas as grandes operações da PF no Amapá, servindo como “ponte” para que o dinheiro não chegue diretamente à conta do agente público.
3. Análise dos indicadores de risco (Red Flags)
A Polícia Federal geralmente cruza três dados principais que aparecem neste caso:
- Temporalidade: A transferência de R$ 100 mil ocorre exatamente na janela dos saques suspeitos.
- Capacidade Econômica: Investigadores verificam se o recebedor (Isabella) possui lastro financeiro ou relação comercial legítima que justifique o valor.
- Proximidade Política: A ligação dos beneficiários com o gabinete de Antônio Furlan é o que caracteriza o suposto crime de corrupção passiva ou lavagem de dinheiro.
Nota de Contexto: No Amapá, a atuação conjunta PF/MPF tem focado especialmente em verbas de emendas parlamentares e convênios federais para obras de pavimentação e infraestrutura, onde o volume de recursos facilita a ocultação de percentuais de “propina”.
Empresário preso pela PF por dificultar diligências

A deflagração da Operação Paroxismo, ocorrida na quarta-feira, 3 de setembro de 2025, mobilizou equipes policiais em Macapá e Belém para desarticular um esquema de corrupção que drenava recursos públicos da saúde pública de Macapá. Entre os desdobramentos mais impactantes da ofensiva, está a prisão em flagrante do empresário Rodrigo de Queiroz Moreira, sócio da Santa Rita Engenharia Ltda, apontado como um dos alvos centrais da investigação.
O inquérito focou em crimes graves como fraude em licitação, desvio de verbas e lavagem de dinheiro relacionados ao Hospital Geral Municipal de Macapá, mas foi a conduta de Rodrigo durante o cumprimento dos mandados que selou sua prisão imediata. No momento da abordagem, o empresário iniciou uma série de manobras para obstruir o trabalho da PF, tentando impedir o acesso dos investigadores a dados sensíveis que poderiam estar armazenados em seus dispositivos eletrônicos.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na sede da empreiteira e em endereços ligados ao empresário, agentes recolheram faturas, dispositivos eletrônicos e documentos que podem comprovar o desvio de recursos destinados a obras fundamentais de engenharia e urbanismo.
O foco da investigação residiu na análise detalhada de como a Santa Rita Engenharia, sob a gestão de Moreira, teria articulado influência para vencer certames viciados, muitas vezes com superfaturamento de preços ou entrega de serviços em desconformidade com os projetos originais.
A prisão preventiva foi solicitada sob o argumento de garantir a ordem pública e evitar que possíveis provas fossem destruídas ou que houvesse interferência no depoimento de testemunhas-chave que colaboram com o Ministério Público Federal.

PF encontra conexões entre obras públicas e núcleo familiar de Antônio Furlan
As diligências sobre a gestão de Antônio Furlan revelaram movimentações financeiras suspeitas ligando o setor de obras públicas ao núcleo familiar dele, incluindo uma transferência de R$ 100 mil de Rodrigo Moreira, sócio da Santa Rita Engenharia, para a conta de sua ex-mulher, Isabella Favacho. Essa transação é vista como possível indicativo de vantagens indevidas relacionadas aos contratos da empreiteira com a PMM, especialmente porque os repasses coincidiriam com períodos de intensa atividade contratual.
A PF questiona a legalidade desses pagamentos e investiga se o valor foi utilizado como contrapartida por contratos públicos, levantando suspeitas de um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e possível utilização da estrutura familiar como canal para escoamento de recursos ilícitos montado nos porões do Palácio Laurindo Banha, sede do executivo da capital amapaense.
Enquanto os advogados do prefeito macapaense ainda analisam as acusações, a PF continua coletando dados de outras contas para determinar se esses eventos fazem parte de um esquema maior que pode envolver integrantes do alto escalão do município e seus parceiros privados.

Esquema de propina envolve entorno do prefeito de Macapá
A Polícia Federal identificou uma triangulação entre a empreiteira Santa Rita Engenharia Ltda, intermediários e agentes públicos, caracterizada por práticas de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, com recursos destinados a beneficiar pessoas do círculo político íntimo de Furlan.
A investigação busca determinar a origem dos recursos e se outros contratos seguiam o mesmo padrão, enquanto a defesa dos envolvidos ainda não se posicionou detalhadamente. A PF aponta que a estrutura revela um esquema sistêmico de corrupção, com possíveis implicações a outros membros da administração pública à medida que as análises financeiras prosseguem.

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