Vídeos mostram o estado de abandono e criminalidade no Cemitério São José, em Macapá

Memória violada: detalhe de uma sepultura após o furto da placa de mármore; a exposição da estrutura interna revolta familiares e visitantes



A cidade de Macapá amanheceu sob o signo da indignação neste início de janeiro de 2026, diante de uma sequência de imagens que escancaram não apenas a ousadia da criminalidade local, mas o que parece ser um abandono administrativo crônico dos espaços sagrados da capital amapaense. Vídeos que começaram a circular intensamente em grupos de mensagens instantâneas e redes sociais na segunda-feira, 12 de janeiro, expõem uma realidade aterradora no Cemitério São José, localizado no bairro do Buritizal: o furto sistemático de tampas de mármore de túmulos e sepulturas.


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As imagens, gravadas por populares e familiares de pessoas sepultadas no local, mostram o estado de violação de diversas unidades, onde o material nobre foi arrancado, deixando expostas as estruturas internas e ferindo profundamente o sentimento de respeito aos mortos que deveria nortear a gestão desses espaços.

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O episódio gerou uma onda de revolta que transbordou os limites do cemitério e chegou às portas da Secretaria Municipal de Zeladoria Urbana (Semzul), órgão responsável pela limpeza, controle do aterro sanitário e, sobretudo, pelo gerenciamento e manutenção dos campos-santos do município.

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O que mais assombra os moradores e familiares é o fato de que os furtos ocorrem dentro de um perímetro que, teoricamente, deveria contar com vigilância institucional permanente. A população questiona como peças pesadas e de grandes dimensões, como as tampas de mármore, podem ser removidas e transportadas para fora do cemitério sem que a segurança perceba ou intervenha.

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A ausência de respostas objetivas e a falta de um plano de contingência para estancar a sangria do patrimônio afetivo e material dos cidadãos sugerem que a Semzul não vem cumprindo o seu papel fundamental, negligenciando a proteção de um local que deveria ser de paz e preservação da memória.

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A denúncia contida nos vídeos é clara e irrefutável, mostrando túmulos depredados e a retirada descarada de materiais que possuem alto valor de revenda no mercado clandestino de construção e ornamentação. Moradores do entorno afirmam que a movimentação suspeita não é de hoje e que episódios semelhantes de vandalismo e pequenos furtos já foram registrados em outras ocasiões, sem que medidas drásticas fossem tomadas pela prefeitura.

Para as famílias que pagam suas taxas e confiam ao poder público a guarda dos restos mortais de seus entes queridos, a visão de um túmulo violado é uma forma de violência psicológica que se soma à insegurança pública que já assola outros setores da cidade.


Até a conclusão desta reportagem, não havia informações sobre a identificação de suspeitos ou prisões relacionadas ao caso, o que aumenta a sensação de impunidade. A polícia civil e a guarda municipal são cobradas para que iniciem uma investigação rigorosa que não apenas recupere o material furtado, mas identifique os receptadores que alimentam esse mercado ilegal de mármore e pedras ornamentais retiradas de cemitérios.

A crise no Cemitério São José é o reflexo de uma gestão de zeladoria que parece focar mais na estética superficial de grandes obras e menos no cuidado essencial com os espaços públicos que tocam a dignidade humana.
O mármore levado não é apenas pedra; é parte da história de famílias que agora clamam por justiça e pelo fim do descaso administrativo que permitiu que o sagrado fosse transformado em objeto de pilhagem.


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