CPMI do INSS avança com quebra de sigilo bancário de Lulinha para apurações de suposto envolvimento em esquema criminoso

O sigilo bancário do filho do presidente deixou de ser um dado contábil para se tornar o novo epicentro de um terremoto político que sacode as estruturas do Alvorada



O relógio do plenário 2 da Ala Nilo Coelho ainda não marcava o meio-dia da quinta-feira, 26, quando a temperatura política em Brasília atingiu o ponto de ebulição, transbordando das notas técnicas para o embate físico. Em um desfecho que pegou o Palácio do Planalto de guarda baixa, a CPMI que investiga as fraudes bilionárias no INSS aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A decisão, que abrange o hiato entre janeiro de 2022 e o primeiro mês de 2026, transforma o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no novo epicentro de uma crise que o governo tentava, a todo custo, manter confinada aos limites da burocracia previdenciária.

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A estratégia governista, desenhada nos bastidores para evitar o desgaste simbólico da exposição da família presidencial, ruiu diante da habilidade da oposição em manobrar o regimento. O plano do governo era simples, mas arriscado: forçar a votação em bloco de todos os 87 requerimentos da pauta, apostando que o volume de pedidos facilitaria uma derrubada coletiva. Do outro lado, o bloco oposicionista insistiu no fatiamento das votações, item por item, garantindo o holofote necessário sobre os nomes mais sensíveis ao Planalto. A vitória da oposição foi consagrada em uma votação simbólica pelo presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disparando um gatilho de fúria raras vezes visto nesta legislatura.

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O que se seguiu à batida do martelo foi o colapso do decoro parlamentar. Em segundos, o plenário foi tomado por um “empurra-empurra” generalizado, obrigando a TV Senado a interromper a transmissão para poupar o público das cenas de pugilato iminente. Parlamentares governistas, liderados por um indignado Rogério Correia (PT-MG), avançaram contra a mesa diretora, tentando alcançar Viana e o relator Alfredo Gaspar (União-AL). A Polícia Legislativa precisou formar um cordão de isolamento para conter a investida, enquanto o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) personificava a resistência da oposição em um bate-boca ruidoso que paralisou os trabalhos.

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Aos gritos, Correia acusou a presidência da comissão de promover uma “blindagem seletiva” e de ressuscitar requerimentos já rejeitados apenas para fustigar o Executivo. Para o governo, a quebra de sigilo de Lulinha é vista como uma “pescaria jurídica” sem indícios materiais. Para a oposição, é o fio da meada necessário para entender se a “Farra do INSS” teve ramificações que alcançaram a árvore genealógica do poder. Entre estilhaços de copos d’água e gritos de “ditadura da mesa”, a CPMI deixou de ser um fórum de investigação técnica para se tornar um campo de batalha onde o sigilo bancário de um filho de presidente vale mais que qualquer relatório final.




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