O governador Clécio Luís, tem focado sua política econômica na utilização de incentivos fiscais para atrair indústrias, fomentar a bioeconomia e gerar empregos, especialmente com o uso de benefícios para setores estratégicos, como o de cimento, energia solar e óleo e gás
Por conta de uma reportagem recentemente veiculada em mídias de São Paulo e demais regiões do País sob o título “‘Corredor do Amapá’ e o esquema bilionário do diesel; União Brasil em modo inflamável para comprometer a política de inventivos fiscais do Estado do Amapá”, o governador Clécio Luís (União) vem enfrentando o desafio de explicar as engrenagens do chamado “corredor do Amapá”, modelo de incentivos fiscais que impulsionou a importação de combustíveis entre 2023 e 2024. Embora sob ataque de setores do Sudeste e de produtores de notícias, no mínimo, equivocados, a gestão Clécio apresenta o mecanismo não como uma benesse a grupos específicos, mas como ferramenta legítima de desenvolvimento regional. Para o governo amapaense, trata-se de uma estratégia de competitividade necessária para equilibrar as profundas desigualdades econômicas de um país continental.

A tese central da gestão Clécio Luís é que o Amapá, historicamente isolado e dependente de repasses federais, precisa de diferenciais tributários para atrair investimentos que, de outra forma, jamais cruzariam a linha do Equador. O diferimento do ICMS por 60 dias e as alíquotas que, na prática, aproximavam-se de 4%, são defendidos como mecanismos de fomento previstos na legislação e amparados por convênios do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). Para interlocutores do governador, o que o setor de combustíveis do Centro-Sul classifica como “distorção” ou “sonegação”, o Amapá lê como “federalismo fiscal”. O argumento é que estados com menor infraestrutura possuem o direito constitucional de utilizar sua política tributária para compensar as desvantagens logísticas de sua localização geográfica.

O desgaste político, acentuado por menções a nomes de peso como Antônio Rueda, presidente do União Brasil, e o senador Davi Alcolumbre, é tratado no entorno de Clécio como um efeito colateral da disputa encarniçada pelo mercado de diesel e gasolina no Brasil. O governo enfatiza que o Amapá não é o único estado a oferecer regimes especiais de tributação e que a concentração de grandes importadores, como os grupos ligados à Copape e à Refit, é uma dinâmica de mercado sobre a qual o ente público não exerce controle seletivo. A defesa do governador pontua que o estado seguiu as normas vigentes e que eventuais fraudes cometidas por empresas no desembaraço ou na distribuição em outros estados são falhas de fiscalização de destino, e não de origem.

O aspecto mais sensível da crise — as mensagens que mencionariam planilhas e valores de propina por litro importado — ainda habita o terreno das hipóteses e das negociações de delação premiada, sem que qualquer prova material tenha vinculado diretamente a figura de Clécio Luís a repasses ilícitos. No governo estadual, a narrativa é de que o Amapá está sendo usado como bode expiatório em uma briga de gigantes do setor de óleo e gás. Ao atrair um volume de 2 bilhões de litros de diesel em pouco mais de um ano, o estado incomodou distribuidoras tradicionais e governos de estados vizinhos que viram sua arrecadação flutuar. Clécio, um político conhecido pela habilidade de diálogo e trânsito entre diferentes correntes, mantém a postura de quem confia na lisura dos atos administrativos assinados por sua equipe econômica.

A estratégia de defesa humanizada do governador passa por separar a “política de estado” da “conduta de terceiros”. Enquanto os investigadores tentam ligar o fluxo de combustível russo à ascensão de Rueda no União Brasil, a assessoria de Clécio foca na arrecadação gerada para os cofres amapaenses. Para um estado que luta para custear saúde e educação básicas, a entrada de receitas derivadas do desembaraço aduaneiro é apresentada como um alento fiscal, e não como um prejuízo bilionário alheio. O governo sustenta que o Amapá não pode ser punido por ser eficiente na atração de negócios, e que a acusação de que o combustível “não passava fisicamente” pelo estado ignora as normas de exportação e importação que permitem o desembaraço documental em uma jurisdição e a descarga em outra, prática comum no comércio exterior global.

No xadrez político, a proximidade com Davi Alcolumbre é vista tanto como um trunfo quanto como um alvo. Como o senador é peça-chave na sustentação do governo federal e no equilíbrio do Congresso, os ataques ao governo do Amapá são interpretados como tentativas de enfraquecer o grupo político mais influente da região Norte. Clécio Luís tem evitado o confronto direto, preferindo o caminho da transparência técnica. O governador tem reiterado que sua gestão está à disposição dos órgãos de controle e que qualquer desvio de finalidade por parte de empresas privadas deve ser punido com o rigor da lei, sem que isso signifique o desmonte de uma política econômica que visa tirar o Amapá da marginalidade produtiva.

Ao fim, o embate sobre o “corredor do Amapá” é uma síntese das tensões do Brasil atual: de um lado, a busca por arrecadação e controle por parte da Receita e de estados ricos; de outro, a tentativa de estados menores de encontrar brechas de sobrevivência em um sistema tributário caótico. Clécio Luís aposta que, ao final das investigações, o que restará é a comprovação de uma gestão que buscou receitas de forma legítima, e que as suspeitas de corrupção se mostrarão como ruídos de uma disputa comercial e partidária que transcende os limites do estado. O desafio do governador agora é manter o Amapá na rota do desenvolvimento sem permitir que as sombras de Brasília obscureçam os avanços conquistados nos últimos três anos.

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