Polícia Federal realiza ação integrada para enfrentar o crime organizado no Amapá e em mais 14 estados

A estratégia vai além das algemas: o foco agora é o asfixiamento financeiro das facções. Com centenas de milhões de reais bloqueados, o Estado desarma a logística do crime ao cortar sua principal fonte de poder: o fluxo do dinheiro ilícito



A Polícia Federal, em uma demonstração de força e integração tecnológica, deflagrou uma operação de escala nacional que colocou o Amapá no centro de um tabuleiro estratégico envolvendo outros 14 estados. A ação, conduzida pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO), não é apenas um cumprimento de mandados, mas uma resposta contundente à interiorização das facções e ao complexo sistema de lavagem de dinheiro que sustenta o tráfico de drogas e armas em território brasileiro.


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O balanço inicial impressiona pela capilaridade: foram 180 mandados de busca e apreensão e 112 ordens de prisão distribuídos por Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e Sergipe. No Amapá, a movimentação dos agentes focou na desarticulação de braços locais que servem de entreposto para a logística do crime, evidenciando que a segurança pública no extremo norte do país passou a ser tratada como prioridade máxima na agenda da PF.

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A operação de 18 de março é o ápice de um trabalho de inteligência que vem sendo pavimentado desde o ano passado. Em 2025, o modelo das FICCOs já havia mostrado sua eficácia com 246 operações que resultaram em mais de 1,5 mil prisões, mas a ação de quarta-feira eleva o sarrafo ao atingir o sistema financeiro das organizações. Em São Paulo, o alvo principal foi uma célula ligada ao Comando Vermelho (CV) que disputa territórios no interior paulista. Mais do que retirar fuzis das ruas, os agentes efetuaram bloqueios de contas que podem somar até R$ 70 milhões, ferindo o que os investigadores chamam de “fluxo vital” da facção.

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Enquanto o Sudeste lida com a violência urbana, o Sertão de Pernambuco viu o desenrolar de uma caça a grupos especializados no tráfico de armas e roubo de cargas, revelando a face nômade do crime organizado que utiliza as rodovias como veias de escoamento. Já no Maranhão, os números ganham contornos astronômicos: a operação atacou o tráfico de cocaína e crack em larga escala, com bloqueios judiciais que se aproximam dos R$ 300 milhões em bens e valores. Esse volume financeiro demonstrou que as organizações não são mais meros grupos de bairro, mas estruturas empresariais com braços na economia formal.

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A diversidade das investigações mostra como o crime se adapta a cada geografia. Em Alagoas, os agentes descobriram que uma pizzaria servia de fachada para o comércio de entorpecentes, uma tática clássica de ocultação que exige vigilância constante. No Paraná, o foco voltou-se para o Primeiro Comando da Capital (PCC), em uma investigação que monitorou as sangrentas disputas territoriais que impactam a segurança da fronteira e das grandes cidades. No Espírito Santo, um dos pontos mais sensíveis da operação: a apuração de desvio e revenda de drogas que haviam sido anteriormente apreendidas, apontando o dedo para a necessidade de correção interna e integridade nos próprios órgãos de controle.

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No Amazonas, a PF concentrou esforços no controle da circulação de entorpecentes pelos rios, enquanto na Bahia e no Rio Grande do Sul, o objetivo principal foi desarticular as cadeias de comando que gerem o tráfico local. No Amapá, Pará e Sergipe, as ações tiveram focos semelhantes, unindo o combate ao tráfico de drogas à repressão às facções que tentam se consolidar em regiões de extração mineral ou zonas portuárias. Minas Gerais e Ceará, por sua vez, concentraram-se na retirada de circulação de suspeitos envolvidos em crimes violentos, como homicídios e extorsões, que aterrorizam as comunidades periféricas.


A coordenação da Polícia Federal destaca que o sucesso da operação residiu no modelo de força-tarefa. Ao colocar polícias civis, militares, a Polícia Rodoviária Federal e secretarias estaduais em uma mesma sala de situação, o Estado tenta anular a vantagem da comunicação rápida que as facções possuem. A integração permite que uma informação colhida no Amapá possa resultar em um bloqueio de conta em São Paulo ou em uma apreensão de fuzil no Paraná em questão de minutos.


As diligências continuaram ao longo de todo o dia, e o movimento no Palácio do Setentrião, sede do governo amapaense, e na sede da PF, foi intenso. Novas atualizações são esperadas à medida que o material apreendido — que inclui de documentos e celulares a carros de luxo e armamento pesado — comece a ser analisado pelos peritos. A mensagem enviada pelas FICCOs no 18 de março foi bem clara: não há porto seguro para o crime organizado no Brasil, e a integração entre as forças de segurança é um caminho sem volta para garantir a soberania do Estado e a paz nas ruas brasileiras.


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