Nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Macapá assegura liderança de Pedro Dalua até 2028

Com oposição deixando o plenário em sinal de protesto, votação extraordinária coroa grupo situacionista, assegura estabilidade parlamentar e escancara os profundos desdobramentos da crise institucional que abala a administração pública municipal



A Câmara Municipal de Macapá viveu momentos de intensa turbulência política na terça-feira (13), quando a eleição para a nova Mesa Diretora, inicialmente agendada para o final de dezembro, foi antecipada de forma abrupta e aprovada por 12 vereadores. A manobra regimental, liderada pelo atual presidente Pedro Dalua (União Brasil), garantiu a maioria absoluta no plenário para o biênio de 2027 a 2028, pegando de surpresa os opositores da casa legislativa amapaense. A decisão de alterar o calendário ocorreu em meio a um cenário de forte disputa institucional e acusações cruzadas sobre o cumprimento das normas internas da Casa.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP

O estopim para a reviravolta ocorreu na semana anterior, quando o ex-presidente da Câmara, vereador Marcelo Dias (PRD), tentou convocar uma sessão extraordinária com aliados para antecipar o pleito sem a presença da Mesa Diretora. Diante da invalidade regimental daquela tentativa e sem o respaldo oficial, o grupo de Marcelo Dias recorreu à Justiça exigindo uma votação expressa no prazo de 48 horas. Aproveitando a ausência de uma ordem judicial impeditiva, Pedro Dalua atendeu ao apelo de seus correligionários e convocou formalmente a sessão para esta terça-feira.

Durante a abertura dos trabalhos na tribuna, Dalua justificou a medida drástica afirmando que respondia diretamente aos anseios dos parlamentares e à inércia da Justiça em barrar a manobra da oposição. “Como a Justiça ainda não se manifestou, estou atendendo ao apelo dos vereadores e convocando a eleição para este dia”, declarou o presidente da CMM perante os presentes. A fala marcou o tom de enfrentamento político que culminou na reeleição do grupo situacionista para comandar os destinos do Legislativo municipal a partir de 1º de janeiro de 2027.

A reação da oposição foi imediata e escancarou a divisão interna entre os representantes do povo macapaense na esfera municipal. Assim que a convocação foi oficializada e os trâmites começaram, o ex-presidente Marcelo Dias e seus apoiadores abandonaram o plenário em sinal de protesto contra o que chamaram de atropelo regimental. Com o salão esvaziado dos críticos, os 12 vereadores remanescentes — entre eles Banha, Cláudio, Daniel Theodoro e Margleide Alfaia — votaram abertamente pela chapa vencedora.

Com a votação consolidada, a nova composição diretiva definiu Daniel Theodoro como 1º vice-presidente, Margleide Alfaia como 2ª vice, Japão Baía como 1º secretário e Luany Favacho como 2ª secretária. O resultado acentua a forte influência de Dalua sobre o parlamento local, fator que ganha ainda mais peso considerando que ele também exerce interinamente o comando da Prefeitura de Macapá. A ascensão executiva ocorreu na esteira do afastamento do titular Antônio Furlan, alvo de investigações da Polícia Federal durante a Operação Paroxismo.

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Para especialistas em direito público e observadores da política local, o episódio reflete a fragilidade dos acordos institucionais e a alta volatilidade das alianças partidárias na capital do Amapá. A manobra jurídica e legislativa escancara como a disputa pelo poder municipal transcende as urnas, refletindo-se em batalhas nos tribunais e nos corredores da Câmara. Resta saber agora como a Justiça avaliará os recursos da oposição e se a nova Mesa Diretora conseguirá governar com estabilidade administrativa até o final do próximo mandato bienal.


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