Governo federal intensifica cobranças e exige prazos para eletrificação de comunidades originárias no norte do AP

Diante da dependência de geradores precários e improvisados nas aldeias indígenas de Oiapoque, o governo federal pressiona a concessionária CEA Equatorial Amapá por cronogramas e prazos concretos para universalizar o fornecimento de energia elétrica pelo programa Luz para Todos



O Ministério de Minas e Energia (MME), por meio da Secretaria Nacional de Energia Elétrica, intensificou as cobranças à CEA Equatorial Amapá para acelerar a ampliação do fornecimento de energia elétrica nas aldeias indígenas de Oiapoque, no norte do estado, integrando as ações do programa federal Luz para Todos. A medida busca solucionar a dependência de geradores precários e improvisados mantidos por moradores e prefeituras locais, assegurando a universalização do acesso à eletricidade, melhorando a infraestrutura e promovendo o desenvolvimento social das comunidades indígenas.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP

Em resposta aos ofícios ministeriais, a concessionária informou que conseguiu localizar e solicitar autorização para estudos prévios em 30 das 41 aldeias inicialmente mapeadas, distribuídas nas Terras Indígenas Uaçá, Galibi e Juminã, enquanto as demais localidades deverão aguardar futuras consultas públicas planejadas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Esses levantamentos preliminares são essenciais para reunir dados ao planejamento de infraestrutura, embora não representem ainda a conclusão do processo nem a definição integral das obras para todas as comunidades envolvidas.

Para estruturar o cronograma definitivo de implantação, a concessionária destacou a indispensabilidade de um alinhamento prévio com o Conselho dos Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO), que auxiliará na condução das consultas e na indicação de locais estratégicos. Essa articulação conjunta com as lideranças locais garante que o planejamento respeite rigorosamente a organização social, as especificidades territoriais e as particularidades culturais de cada comunidade originária.

Como desdobramento regulatório, a Funai emitiu as Autorizações de Estudos Prévios para Obras em Terras Indígenas, com validade de 180 dias e condicionadas ao acompanhamento contínuo por servidores do órgão indigenista. Os documentos impõem rígidas restrições operacionais às equipes técnicas, proibindo expressamente o uso de imagem ou voz dos indígenas, bem como o acesso a saberes tradicionais e ao patrimônio genético local, blindando os direitos originários.

A CEA Equatorial confirmou que seus técnicos já iniciaram a execução do cronograma de trabalho em campo, cuja continuidade permanece atrelada ao avanço dos estudos, às autorizações formais e ao diálogo permanente com os órgãos reguladores e as lideranças locais. O principal desafio institucional consiste em converter os levantamentos técnicos e as consultas comunitárias em um planejamento efetivo, estabelecendo soluções viáveis e prazos concretos para a implantação do serviço elétrico.

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A expansão energética em Oiapoque representa uma demanda histórica e vital para o Amapá, especialmente diante dos impactos reais na rotina e nos serviços essenciais de populações isoladas. O sucesso e o avanço gradual do programa Luz para Todos na região dependerão diretamente da conclusão técnica dos estudos, da participação ativa dos povos originários e da eficiência das próximas etapas geridas pela concessionária.


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