Mudanças de última hora em seções de votação geram preocupação sobre abstenção no segundo turno

Mudanças logísticas em centenas de municípios afetam o deslocamento de eleitores no segundo turno, levando parlamentares e coligações a cobrarem ações enérgicas do TSE contra riscos de exclusão e desinformação na votação



A uma semana do segundo turno presidencial de 25 de outubro de 2026, a Justiça Eleitoral alterou o endereço de 4.352 seções de votação em todo o Brasil, impactando 1,8 milhão de eleitores em 664 municípios segundo dados do Uol. A medida, explicada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como decorrência de reformas, acessibilidade e estragos climáticos, gerou forte tensão política e o temor de aumento na abstenção. Diante do cenário, autoridades e a campanha do presidente Lula acionaram o tribunal para exigir comunicação direta e barreiras contra a desinformação.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP

O impacto logístico dessas alterações concentra-se em grandes colégios eleitorais do país, com São Paulo liderando as modificações ao abranger 982 seções afetadas, seguido por Minas Gerais com 514, Rio de Janeiro com 431 e Bahia com 312. O TSE ressalta que essas movimentações equivalem a apenas 0,87% das 499.248 seções nacionais e foram deliberadas diretamente pelas zonas eleitorais locais, sem qualquer redução no montante total de urnas. Contudo, a proximidade da votação e a escala das mudanças acenderam o alerta de especialistas sobre os riscos operacionais.

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) classificou a decisão como gravíssima e anunciou questionamentos jurídicos para proteger os direitos da população. A parlamentar argumenta que a alteração desorganiza sobretudo idosos, trabalhadores e moradores de periferias que dependem de rotas consolidadas, correndo o risco de irem aos locais errados. Para mitigar danos, a coligação de Lula formalizou um pedido ao TSE exigindo notificações individuais via SMS, WhatsApp, e-Título ou e-mail, além de faixas e equipes de orientação nos antigos endereços.

As demandas urgentes da coligação também incluem a articulação com prefeituras para viabilizar transporte gratuito a eleitores vulneráveis, combatendo barreiras físicas e práticas ao voto. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, e o corregedor-geral Ricardo Villas Bôas Cueva orientaram os tribunais regionais a avaliarem criticamente a segurança e a acessibilidade, exigindo ampla publicidade das mudanças. O tribunal enfatizou que não há indícios de motivação político-partidária ou favorecimento de candidaturas nas transferências técnicas realizadas.

Para evitar transtornos no próximo domingo, a Justiça Eleitoral reforça que todos os cidadãos devem consultar a situação de seus domicílios eleitorais antes de saírem de casa. O procedimento pode ser feito de forma rápida pelo aplicativo e-Título na aba “Onde votar” ou diretamente no Autoatendimento Eleitoral na internet. Com a votação ocorrendo das 8h às 17h de Brasília, a clareza e a agilidade na difusão desses dados atualizados tornaram-se pilares essenciais para blindar a integridade e a participação popular no pleito.

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A polêmica evidencia o desafio colossal de gerenciar a logística democrática em um país continental sob forte polarização política e desconfiança informacional. Mesmo sem dolo institucional nas mudanças estruturais, a eficácia das medidas compensatórias exigidas pela sociedade civil definirá o sucesso da eleição. Resta saber se o esforço conjunto de notificação conseguirá alcançar a totalidade dos afetados a tempo, preservando o direito cívico em uma disputa acirrada.


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